sábado, dezembro 08, 2012

Ficamos sozinhos quando somos exigentes. Ficamos sozinhos quando não mentimos. Ficamos sozinhos quando defendemos as nossas convicções. É um preço que estou disposto a pagar.

Pedro Mexia

quinta-feira, setembro 20, 2012

Há qualquer coisa de errado...

... quando a minha mãe me compra uma Hola!. "Estás a precisar duma mundanice".
Se ficar melhor com histórias da família real espanhola é porque afinal está tudo ao contrário.

Adeus.

quinta-feira, setembro 13, 2012

A festa do Chibo, Mario Vargas Llosa





República Dominicana no tempo de Trujillo. A opressão, as mortes, a luta dos opositores. O livro começa no fim, com as lembranças de Urania Cabral. Viaja-se pela ditadura, pelos meandros do poder, a influência Norte-Americana e o "perigo" do comunismo. Descreve magistralmente situações de terror, que aterrorizam quem lê. Viciante.

Cal, José Luís Peixoto





É um conjunto de textos que foram sendo publicados pelo autor e que acabaram compilados neste livro. Contém 3 poemas, 17 contos e 1 peça de teatro. Emoções, personagens terra-a-terra, a velhice. Tudo se bebe neste livro, onde se sorri muito com tristeza, com uma certa nostalgia. A peça de teatro "À manhã": a minha preferida.

domingo, agosto 26, 2012

Paz

Fazer as pazes. Na paz. Pacífico. Paciência. Paciente. Doença. Cura.

segunda-feira, agosto 13, 2012

Like

Sim, eu sei que não tenho actualizado este "estaminé", e também sei que ninguém fica sem sono por isso. Ando em leituras-descanso-família-amigos-sol-praia-mar. Ando feliz. E isso basta, não é?

terça-feira, julho 24, 2012

Quando Lisboa Tremeu, Domingos Amaral



"Os factos deste livro são baseados num acontecimento real. Portanto, qualquer semelhança com a realidade não é, pois, coincidência. A intenção é mesmo essa".

Este é o final da nota do autor e que define bem este romance. Num enredo de personagens cruéis ou altruístas, num cenário absolutamente dramático e desolador, Domingos Amaral consegue o melhor de dois mundos: uma realidade histórica que se conta através dum romance bem escrito. Lisboa, 1 de Novembro de 1755: quando a cidade tremeu.

O Prisoneiro do Céu, Carlos Ruiz Zafón

A história de um homem que "perdeu a alma e o nome". Barcelona recordada na década de 40 e vivida na década de 50. A história de Daniel que se cruza com a do seu grande amigo Fermín. A família Sempere, a história que os une. Fermín tem uma personalidade desiludida e sarcástica, entre o humor e o desalento. Regressa com Záfon o célebre Cemitério dos Livros Esquecidos. Um livro genial, como nos tem habituado o autor.

segunda-feira, julho 09, 2012

Os Imperfeccionistas, Tom Rachman

São vários contos que se cruzam no tempo, personagens que, separadamente, têm muito a ver umas com as outras. Um jornal de língua inglesa em Roma, os meandros duma redacção em tempos conturbados e competitivos. Não direi que é o melhor livro de 2011, nem tão pouco concordo com a crítica que faz do livro uma verdadeira obra-prima. É, no entanto uma óptima leitura e um livro extremamente bem escrito.

sexta-feira, julho 06, 2012

Um abraço

A ausência de gestos corajosos, a vida nos momentos mal amados.

Como é que podes, como consegues. O amor de portas abertas, os braços que de tão grandes conseguem abraçar o mundo inteiro. Como consegues amar tanto, ser tão intenso e alegre, como é possível que, depois de tudo, sejas capaz de dar tanto. Oferecer, de mãos abertas, o que de melhor há em ti. Que coragem, quanta perseverança, quanto amor.
Obrigada pelo teu amor. Obrigada por teres estado lá em baixo enquanto caía, por não me teres amparado a queda e por teres cuidado as feridas da maneira que dói mais,"Porque é assim que tem de ser: o que arde cura."
Obrigada por existires, por teres surgido na minha vida. Pelo dia em que adormeci nos teus braços, de tão cansada de tudo que estava.

Obrigada por seres grato pela metade que fiz por ti.

quarta-feira, junho 13, 2012

Factos

  • Comprei dois vestidos novos.
  • O José Hermano Saraiva foi condecorado no 10 de Junho.
  • Espanha é resgatada, mas só para a banca.
  • Tenho lido muito pouco.
  • O Ministro das Finanças falou hoje em mais uma Comissão-de-não-sei-quê e não perdi dois segundos a ouvi-lo.
  • Tenho saudades.
  • Adoro ver os jogos da selecção portuguesa mas embirro com a publicidade toda à volta do Euro.

O Carteiro de Pablo Neruda, Antonio Skármeta

Mário. Um preguiçoso pescador que se torna carteiro. O carteiro de Pablo Neruda, só. Começam as conversas, curtas, muito curtas para os desejos do Carteiro. A conturbada década de 70 no Chile, o amor às palavras. O amor pela poesia, pelas metáforas. Mário, o carteiro que se torna poeta.

Tubo de Ensaio, parte IV, João Quadros e Bruno Nogueira

É conhecida a graça que acho a estes dois senhores. Desta feita, a surpresa: finalmente um livro bem editado, com muito poucos erros (ainda vi alguns) e, portanto, sem a crítica que deixei nos restantes. Não é o conjunto de crónicas mais brilhante (gostei mais dos anteriores, embora ainda me falte ler a parte II) e uma óptima leitura relaxada.

sábado, junho 02, 2012

Madrid

Foram dias de matar saudades e de sair do sítio [que bom que é sair do lugar]. Foi a viagem com a A. e pôr a conversa em dia. Foi andar e rir no primeiro dia pela cidade, só porque sim, com a A. e o J [e ver como são felizes os dois]. Foi juntar velhos amigos, conversas e saudades. Foi matar saudades. Foi ser recebida em casa com um "regalo", foi o pequeno D. que no meio do seu espanholês não consegue dizer "Joana". Tia Nana, passei a ser a Tia Nana. Foi ser recebida com o maior carinho do mundo. O J. e a C. que me fizeram sentir em casa. Foi conhecer Madrid por quem lá vive, e depois por mim. Passear e olhar à volta: reparar. Perceber que não há nada melhor que os amigos e a seguir nada melhor do que viajar. Ter os 2, ao mesmo tempo, é o melhor do mundo.
Afortunada é pouco.

quinta-feira, maio 17, 2012




Preciso mentir que te amo
Te dizer baixinho no ouvido
Te abraçar e fazer de conta
Que nesse amor não duvido

Preciso agora de um bem
Pode ser que amanhã
Eu me esqueça
e a olhar da janela de um trem
Um novo amor me apareça

Acordar de manhã
e fazer um café p'ra você
abraçar-te com cuidado
e depois adormecer-te
no meu porto



As Últimas Notícias do Sul, Luís Sepúlveda e Daniel Mordinski

«Este livro nasceu como a crónica de uma viagem realizada por dois amigos, mas o tempo, as mudanças violentas da economia e a voracidade dos triunfadores transformaram-no num livro de notícias póstumas, no romance de uma região desaparecida. Nada do que vimos existe tal como o conhecemos. De certo modo fomos os afortunados que presenciaram o fim de uma época no Sul do Mundo. Desse Sul que é a minha força e a minha memória. Desse Sul a que me aferro com todo o amor e toda a raiva.
Estas são, pois, as últimas notícias do Sul.»

É um livro que começa no paralelo 42º Sul em San Carlos de Bariloche e o regresso pela Patagónia chilena até à ilha de Chiloé. É, acima de tudo, um livro de pessoas. Uma viagem feita algures na década de 1990 por Luís Sepúlveda e Daniel Mordinski. Tem retratos e paisagens, tem o cheiro da Patagónia, tem o amor das gentes do Sul e a sua hospitalidade. Tem a crítica feroz aos que não respeitam a terra nem as gentes. Tem política, economia e amor. Tem tudo.

quarta-feira, maio 09, 2012

Os sonhos são as minhas únicas orações. Deus que não me leve a mal. É que apenas me sobra uma pequena e temporária alma. Apenas à noite esse espírito se acende, em delicado sussurro para que ninguém mais escute. Peço desculpa por esta despromoção para bicho. Ter alma, contudo, é um peso que, só morto, sou capaz de suportar. Foi por isso que amei tanto, em tantos enganados amores. É por isso que caço. Para ficar vazio. Isento de ser homem.

Retirado do "Diário do Caçador".

A Confissão da Leoa, Mia Couto

Só há um modo de escaparmos a um lugar: é sairmos de nós. Só há um modo de sairmos de nós: é amarmos alguém. Excerto roubado aos cadernos do escritor.

Um acontecimento real: Em 2008, a empresa e, que trabalho enviou quinze jovens para atuarem como oficiais ambientais de campo durante a abertura de linhas de prospeção sísmica em Cabo Delgado, no Norte de Moçambique. Na mesma altura e na mesma região, começaram a ocorrer ataques de leões a pessoas. Em poucas semanas, o número de ataques fatais atingiu mais de uma dezena. Esse número cresceu para vinte em cerca de quatro meses.

É assim que se inicia o livro, com uma "explicação inicial" do autor. Depois, a história: entre a Versão de Mariamar e o Diário do Caçador. Uma aldeia no meio do nada onde os ataques dos leões se multiplicam. Uma aldeia em que a mulher é prisioneira dos usos e costumes. Um administrador, sua mulher Naftalinda. O escritor que acompanha a "expedição" da caça aos leões. Um caçador que, no fim de contas, não é capaz de caçar.
É conhecida a minha paixão por Mia. Este é só mais um livro que não se pode deixar de ler.

quinta-feira, abril 26, 2012

O Retorno, Dulce Maria Cardoso

Rui é o narrador e também um jovem adolescente que vivia em Angola com a família em 1974. Nunca conheceu a metrópole até ser obrigado a fugir para lá. O pai fora preso horas antes por angolanos, não partiu com ele, a mãe e a irmã. Rui chega à metrópole como o "homem da família" que sente que tem de cuidar. Vão para um hotel como muitos dos retornados, até conseguirem refazer a vida. Mas as esperanças da metrópole rapidamente caem por terra. O retorno não é o exílio, mas podia ser. As saudades de África, o medo de o pai ter morrido, a metrópole que os não trata bem. A mulher do porteiro Queine. Os amigos que deixou. A escola em que a "puta" da professora de matemática manda os retornados para o fim da sala e nem se preocupa em saber o nome deles.
É um livro de tristezas, mas de esperanças e de sonhos. O pai acaba por chegar. O Tio Zé já não é "paneleiro", apareceu com a noiva.
Uma obra brilhantemente escrita.

Obrigada, M.