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quinta-feira, setembro 13, 2012

A festa do Chibo, Mario Vargas Llosa





República Dominicana no tempo de Trujillo. A opressão, as mortes, a luta dos opositores. O livro começa no fim, com as lembranças de Urania Cabral. Viaja-se pela ditadura, pelos meandros do poder, a influência Norte-Americana e o "perigo" do comunismo. Descreve magistralmente situações de terror, que aterrorizam quem lê. Viciante.

Cal, José Luís Peixoto





É um conjunto de textos que foram sendo publicados pelo autor e que acabaram compilados neste livro. Contém 3 poemas, 17 contos e 1 peça de teatro. Emoções, personagens terra-a-terra, a velhice. Tudo se bebe neste livro, onde se sorri muito com tristeza, com uma certa nostalgia. A peça de teatro "À manhã": a minha preferida.

terça-feira, julho 24, 2012

Quando Lisboa Tremeu, Domingos Amaral



"Os factos deste livro são baseados num acontecimento real. Portanto, qualquer semelhança com a realidade não é, pois, coincidência. A intenção é mesmo essa".

Este é o final da nota do autor e que define bem este romance. Num enredo de personagens cruéis ou altruístas, num cenário absolutamente dramático e desolador, Domingos Amaral consegue o melhor de dois mundos: uma realidade histórica que se conta através dum romance bem escrito. Lisboa, 1 de Novembro de 1755: quando a cidade tremeu.

O Prisoneiro do Céu, Carlos Ruiz Zafón

A história de um homem que "perdeu a alma e o nome". Barcelona recordada na década de 40 e vivida na década de 50. A história de Daniel que se cruza com a do seu grande amigo Fermín. A família Sempere, a história que os une. Fermín tem uma personalidade desiludida e sarcástica, entre o humor e o desalento. Regressa com Záfon o célebre Cemitério dos Livros Esquecidos. Um livro genial, como nos tem habituado o autor.

segunda-feira, julho 09, 2012

Os Imperfeccionistas, Tom Rachman

São vários contos que se cruzam no tempo, personagens que, separadamente, têm muito a ver umas com as outras. Um jornal de língua inglesa em Roma, os meandros duma redacção em tempos conturbados e competitivos. Não direi que é o melhor livro de 2011, nem tão pouco concordo com a crítica que faz do livro uma verdadeira obra-prima. É, no entanto uma óptima leitura e um livro extremamente bem escrito.

quarta-feira, junho 13, 2012

O Carteiro de Pablo Neruda, Antonio Skármeta

Mário. Um preguiçoso pescador que se torna carteiro. O carteiro de Pablo Neruda, só. Começam as conversas, curtas, muito curtas para os desejos do Carteiro. A conturbada década de 70 no Chile, o amor às palavras. O amor pela poesia, pelas metáforas. Mário, o carteiro que se torna poeta.

Tubo de Ensaio, parte IV, João Quadros e Bruno Nogueira

É conhecida a graça que acho a estes dois senhores. Desta feita, a surpresa: finalmente um livro bem editado, com muito poucos erros (ainda vi alguns) e, portanto, sem a crítica que deixei nos restantes. Não é o conjunto de crónicas mais brilhante (gostei mais dos anteriores, embora ainda me falte ler a parte II) e uma óptima leitura relaxada.

quinta-feira, maio 17, 2012

As Últimas Notícias do Sul, Luís Sepúlveda e Daniel Mordinski

«Este livro nasceu como a crónica de uma viagem realizada por dois amigos, mas o tempo, as mudanças violentas da economia e a voracidade dos triunfadores transformaram-no num livro de notícias póstumas, no romance de uma região desaparecida. Nada do que vimos existe tal como o conhecemos. De certo modo fomos os afortunados que presenciaram o fim de uma época no Sul do Mundo. Desse Sul que é a minha força e a minha memória. Desse Sul a que me aferro com todo o amor e toda a raiva.
Estas são, pois, as últimas notícias do Sul.»

É um livro que começa no paralelo 42º Sul em San Carlos de Bariloche e o regresso pela Patagónia chilena até à ilha de Chiloé. É, acima de tudo, um livro de pessoas. Uma viagem feita algures na década de 1990 por Luís Sepúlveda e Daniel Mordinski. Tem retratos e paisagens, tem o cheiro da Patagónia, tem o amor das gentes do Sul e a sua hospitalidade. Tem a crítica feroz aos que não respeitam a terra nem as gentes. Tem política, economia e amor. Tem tudo.

quarta-feira, maio 09, 2012

A Confissão da Leoa, Mia Couto

Só há um modo de escaparmos a um lugar: é sairmos de nós. Só há um modo de sairmos de nós: é amarmos alguém. Excerto roubado aos cadernos do escritor.

Um acontecimento real: Em 2008, a empresa e, que trabalho enviou quinze jovens para atuarem como oficiais ambientais de campo durante a abertura de linhas de prospeção sísmica em Cabo Delgado, no Norte de Moçambique. Na mesma altura e na mesma região, começaram a ocorrer ataques de leões a pessoas. Em poucas semanas, o número de ataques fatais atingiu mais de uma dezena. Esse número cresceu para vinte em cerca de quatro meses.

É assim que se inicia o livro, com uma "explicação inicial" do autor. Depois, a história: entre a Versão de Mariamar e o Diário do Caçador. Uma aldeia no meio do nada onde os ataques dos leões se multiplicam. Uma aldeia em que a mulher é prisioneira dos usos e costumes. Um administrador, sua mulher Naftalinda. O escritor que acompanha a "expedição" da caça aos leões. Um caçador que, no fim de contas, não é capaz de caçar.
É conhecida a minha paixão por Mia. Este é só mais um livro que não se pode deixar de ler.

quinta-feira, abril 26, 2012

O Retorno, Dulce Maria Cardoso

Rui é o narrador e também um jovem adolescente que vivia em Angola com a família em 1974. Nunca conheceu a metrópole até ser obrigado a fugir para lá. O pai fora preso horas antes por angolanos, não partiu com ele, a mãe e a irmã. Rui chega à metrópole como o "homem da família" que sente que tem de cuidar. Vão para um hotel como muitos dos retornados, até conseguirem refazer a vida. Mas as esperanças da metrópole rapidamente caem por terra. O retorno não é o exílio, mas podia ser. As saudades de África, o medo de o pai ter morrido, a metrópole que os não trata bem. A mulher do porteiro Queine. Os amigos que deixou. A escola em que a "puta" da professora de matemática manda os retornados para o fim da sala e nem se preocupa em saber o nome deles.
É um livro de tristezas, mas de esperanças e de sonhos. O pai acaba por chegar. O Tio Zé já não é "paneleiro", apareceu com a noiva.
Uma obra brilhantemente escrita.

Obrigada, M.

terça-feira, abril 17, 2012

1Q84, Vol. II Haruki Murakami

É aqui, definitivamente, que se confirma o mundo paralelo de 1Q84. As personagens centrais são as mesmas: Aomame, Tengo e Fuka-Eri. Neste volume tudo se começa a desvendar, a relação entre as personagens centrais é cada vez mais intensa e as duas luas vieram para ficar. Aomame faz uma promessa por amor, sacrificando eventualmente a sua própria vida. Aqui há muito mais do ano de 1Q84 do que do ano de 1984. O Universo da música, do amor e dos gatos (ainda que os felinos tenham aqui muito menos protagonismo do que em outras obras de H.M.).

As Aventuras de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle

Um conjunto de 12 contos inicialmente publicados numa revista britânica, prende o leitor do princípio ao fim. É o método "lógico-dedutivo" de Holmes apoiado pelo inestimável amigo Dr. Watson. Holmes é sempre chamado pela polícia britânica quando esta não consegue resolver algum caso, ou por pessoas que o procuram como detetive privado. O bom velho Sherlock é tido como inteligente e acutilante. E é.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

O Último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler

Lisboa, 1506. Era Páscoa e reinava em Portugal D. Manuel I. Milhares de judeus e cristãos-novos eram levados para as fogueiras do Rossio pelos frades e população católica. O Tio de Berequias Zarco, o narrador, é assassinado no seu esconderijo e tudo parece estranho. Terá  Abraão Zarco sido vítima da ira dos católicos? Tudo indica que não, tudo cheira a traição. Abraão Zarco não só era a figura paterna de Berequias como uma das figuras mais respeitadas dentro do mundo judeu em Portugal. Era o que melhor conhecia a "cabala", a história filosófica judia, e o mestre de todos os que a queriam aprender. Toda a ação se centra na busca do traidor que matou Mestre Zarco, nos riscos que o jovem Berquias atravessa, numa Lisboa a cheirar a morte. Em toda a obra se questiona também a existência de um Deus que permite que tamanhas atrocidades se façam em nome d'Ele.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Capitães da Areia, Jorge Amado

Crianças sem eira nem beira, marginais. São os Capitães da Areia. Pedro Bala, Professor, Gato, Sem Pernas, Pirulito, Querido de Deus. O Padre José Pedro, que os vai acompanhando e tentando "converter". Um grupo de rapazes (mais tarde passa a ser um grupo de rapazes e de uma rapariga, a amada Dora, mãe criança de todos os rapazes, noive de Pedro Bala) com noções de camaradagem, lealdade. Acima de tudo com a noção de sobrevivência.
A Bahia é o palco da história, o "trapiche" o lar de todas estas crianças. Amado denuncia a realidade duma sociedade altamente injusta, uma justiça cruel, uma juventude sem futuro. O eterno fosso entre os ricos e os pobres.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

1Q84, Haruki Murakami




Um enredo de personagens solitárias e intrigantes. Duas histórias que parecem paralelas mas onde se vai vislumbrando um cruzamento.
Esbarramos também na literatura e cultura nipónicas, dentro do fascínio a que Murakami já nos habituou.
É o 1.º duma triologia, é um sofrimento enquanto o 2.º não é publicado.

segunda-feira, janeiro 09, 2012




O livro foi escrito quando Saramago tinha 31 anos. Nota-se um estilo diferente, mas ainda assim único. Sentimo-nos na Clarabóia dum prédio lisboeta, onde toda a história se desenrola. De andar para andar, novos e velhos que lá vivem, as suas vidas e suas angústias. Década de 50 num país austero nos costumes e na forma de vida. Um sapateiro-filósofo; uma dona de casa, mãe e mulher infeliz; duas jovens filhas-sobrinhas; uma mulher que vive às custas do amante; uma menina que afinal já é moça; um hóspede invulgar.
Foi uma leitura dolorosa por não querer que chegasse ao fim.  

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Comboio Nocturno para Lisboa, Pascal Mercier



Gregorius é o narrador e o personagem central. A acção começa em Berna, mas depois parte para Lisboa, Coimbra, Cabo Finisterra, Salamanca. É uma acção densa e filosófica, em busca do sentido da vida de Amadeu do Prado, o autor de um livro que Gregorius encontra por acaso. Quase toda a acção é passada em Portugal e vai constantemente para o passado, época Salazarista vivida por Amadeu do Prado, mulheres de sua vida, família e amigos. Gregorius tenta fazer o reconhecimento do espaço em que Amadeu viveu, por não poder recuar no tempo.



Tenho sempre algumas dúvidas relativamente a livros traduzidos: neste caso, parece-me que há falhas e nem sempre as ideias são claras, não sei se por responsabilidade do tradutor ou do autor, ou por responsabilidade própria de uma leitura que não foi fácil e muito menos rápida.

segunda-feira, outubro 03, 2011

Uma Noite Não São Dias, Mário Zambujal


O autor diz do livro "é uma paródia". Mário Zambujal tem uma escrita simples e clara e este livro não é excepção. Passa-se tudo no "esquisito ano de 2044", e MZ conta uma história em que de alguma maneira caracteriza uma sociedade fria, diferente daquela de hoje temos mas que muito facilmente pode caminhar para o que é a sua visão do futuro. Mas não em tudo: 2044 não é, do meu ponto de vista, um tempo tão longínquo que possa conduzir a tantas mudanças. Mais: creio que no meio da narrativa MZ foi pouco cuidadoso nos pormenores que umas vezes referencia, outras vezes parece esquecer-se que o fez.
É uma leitura rápida e interessante, mas a obra-prima continua a ser a "Crónica dos Bons Malandros", definitivamente. 

Tubo de Ensaio parte III, João Quadros e Bruno Nogueira

É uma selecção de textos do Programa com o mesmo nome que passa diariamente na TSF. O próprio Bruno Nogueira diz com a ironia habitual, no prefácio do livro, que foi um exercício de copy-paste. É um conjunto de crónicas com grandes doses de humor, ironia e sarcasmo. Alguns textos são absolutamente brilhantes, e a imaginação e criatividade são constantes. A crítica que fiz à parte I, faço-a na parte III: Os textos não foram revistos, o livro contém demasiadas gralhas. É pena que não tenham aprendido à terceira, e que se verifique efectivamente que foi simplesmente copiar e colar.
Uma óptima escolha para leitura de praia.

Histórias Falsas, Gonçalo M Tavares




É uma recriação de histórias da filosofia. Gonçalo M Tavares fantasia acerca de histórias que conhecemos há séculos. "Não são histórias do género fantástico, mas um homem - de há três mil anos - pode nelas utilizar objectos que ainda não existiam." - palavras do autor. É uma leitura divertida, com grandes doses de humor e ironia. São nove, as "histórias falsas".