quinta-feira, junho 02, 2011

Deixem Falar As Pedras, David Machado

Valdemar é um adolescente problemático e violento. O seu grande amor é uma adolescente anoréctica, O livro é sobre a vida de Nicolau Manuel, avô de Valdemar. Uma viagem pelo passado que não se passou. As verdades que não o são. Inimigos que nunca o foram. A transmissão de memórias, afinal, deixa muito a desejar. É um livro rasurado, que aguça a curiosidade de quem lê. Foi o primeiro que li do autor e gostei. Venham mais.

Eu queria escrever um livro sobre a memória e sobre o passado e também sobre um alfaiate, porque são tudo coisas que me fascinam há anos (enfim, façamos uma ressalva à alfaiataria, que é um interesse recente que se avolumou com a escrita deste livro). D.M.

terça-feira, maio 31, 2011

A mentira não é o pior inimigo da verdade. A dúvida é que é. É a incerteza que arruina tudo, criando buracos nos quais existe espaço para todas as verdades, possíveis e aparentes. É esta maldição da racional mente humana e da sua dita imaginação pródiga, capaz de promover todas as possibilidades para justificar um acontecimento, mesmo os maiores devaneios.

in Deixem falar as pedras, David Machado

Nota: Este post estava para ser escrito há dias. Hoje faz muito mais sentido (talvez não tenha sido por acaso que não tive tempo para o escrever. É o Deus-das-pequenas-coisas). Para ti: há muito espaço para muitos futuros. Que não reste a mínima dúvida.

sexta-feira, maio 27, 2011

Brilhante

Conheço muita gente que anda a trabalhar num romance. Eu, por exemplo, ando a trabalhar num romance, que é um pouco diferente de escrever um romance. Trabalhar num romance confunde-se com a actividade geral da existência. Bebo um café e estou, de algum modo, a trabalhar no romance. Sento-me no autocarro e estou a trabalhar no romance. Fico a olhar melancolicamente pela janela do escritório e estou, mesmo assim, a trabalhar no romance. O romance, esse, não avança, tanto é o trabalho com que o sobrecarrego. Permanece em estado de crisálida, eterna possibilidade onde cabe tudo e não entra nada. É então que encontro outros que, como eu, andam a trabalhar num romance. Resumem intrigas, esboçam personagens no ar, prevêem glórias futuras, prémios Saramago, comendas, capas do suplemento do Expresso. Da crítica esperam que seja justa; dos leitores, que sejam milhares (mulheres novas em idade fértil, sobretudo); dos pares, a invejazinha fatal. Quanto ao romance, há-de aparecer, um dia.

via http://circodalama.blogs.sapo.pt/

segunda-feira, maio 23, 2011

Sempre lidei mal com imensas coisas: despedidas, desilusões, elogios, infortúnio, desgraça alheia... Lido mal com o amor, às vezes. Lido mal com algumas vidas, com alguns problemas, com algumas esperanças. Mas lido muito bem com imensas outras coisas - valha-nos isso - e com boas notícias, ainda que às vezes não pareça.

Venham tantos quantos eu conseguir abraçar. A verde. Verde-esperança.

segunda-feira, maio 16, 2011

Pensamento do dia

"The future is no place to place your better days".

quarta-feira, maio 11, 2011

Recebido. Entendido. :)

mas para ti há sempre uma lareira. porque te adoro muito. assim muito mesmo, tanto que nem sei. é assim qualquer coisa que não se explica. podia haver uma razão muito forte para além das óbvias. mas não há. vamos ser sempre assim, até sermos velhinhos, não vamos...?

terça-feira, maio 10, 2011

Coisas que me fazem rir muito II

Luís Rainha, no Vias de Facto e a sua modesta "propôsta"para os senhores do OK-não-sei-quê (sobre o qual escrevi ontem)



Coisas que me fazem rir muito


segunda-feira, maio 09, 2011

Agora, as coisas sérias

Descobri através dum blogue que volta e meia visito que existe um site que promove a cidadania activa em vésperas de campanha eleitoral. Fui , só que me deparei com um "preenchimento de compromisso"em que devemos escolher todas ou algumas das afirmações que lá constam. A coisa até nem começa mal, mas sou desconfiada e antes de clicar no que quer que seja, resolvi ler tudo: pois não acabei a leitura. Coisas como "revogação da educação sexual obrigatória" ou "regovação da lei do casamento [entre aspas!!!!] entre pessoas do mesmo sexo" fazem-me antever que tipo de cidadania é esta. Ide-vos imolar com gasolina da cara e um isqueiro Dupont.

Fico perplexa

"Ando, aliás, numa tentativa insane de busca da normalidade pessoal."

Suspiro

Tem sido muito complicado tentar ser normal. Zangar-me quando é preciso, desaparecer porque é preciso. Vamos andando e vamos vendo.

terça-feira, maio 03, 2011

É isto



É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
(...)

Cada um de nós compõe a sua historia

Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Almir Salter

quinta-feira, abril 28, 2011

2.º andar, direito



(...)
é que não é só uma questão de idade

o amor não é o bilhete de identidade
é eu ou tu, seja quem for, ter vontade
de mudar e deixar mudar

Não fales, que o bebé ainda acorda
não grites, que o vizinho ainda acorda
e não me olhes, que o amor ainda acorda
deixa-o dormir o nosso amor, um bocadinho mais
deixa-o dormir, que viveu dias tão brutais
(...)

quarta-feira, abril 27, 2011

depois confessei-lhe, precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de companhia. este resto de vida, américo, que eu julguei já ser um excesso, uma aberração, deu-me estes amigos. e eu que nunca percebi a amizade, nunca esperei nada da solidariedade, apenas a contingência da coabitação, um certo ir obedecendo, ser carneiro. eu precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de amizade.

Valter Hugo Mãe, a máquina de fazer espanhóis

a máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe

Às vezes é um murro no estômago. Outras é duma sensibilidade e beleza impressionantes. Foi o primeiro livro que li de Valter Hugo Mãe e é humano (do meu ponto de vista o que melhor descreve este livro: humano). A personagem central - e narrador - é sr. silva (o de Portugal, porque também havia o da Europa) e a maior parte da acção é passada no lar feliz idade, para onde silva tem de ir após a morte da mulher. São várias viagens: a viagem interior do sr. silva, a viagem pelo Portugal "salazarento" (palavra minha), pelas vidas uns dos outros, os habitantes do feliz idade.
Tentei, o mais possível, ser fiel à escrita do autor. VHM não utiliza maiúsculas. Eu discordo do estilo, se me é permitido.
A ler, sem a mínima dúvida.

quarta-feira, abril 20, 2011

Just words

Hoje - nestes tempos - sou eu que te levo "um pouco do verde que me cerca, o cheiro de terra molhada". Sou muitas vezes implacável contigo, porque já se sabe que é assim que sou. Às vezes temos de sofrer para percebermos que há coisas que temos de mudar. Assusta-me vê-La de olhos molhados de preocupação. Assusta-me ver-te assim. Mas assusta-me mais que não sejas capaz de mudar isso. Desta vez não há ninguém que o possa fazer por ti. Devo-te muita coisa na vida. Quero-te mais-do-que-bem.

Curtas

4 anos de Tia (muito, mesmo muito babada). Duas tartarugas: a Casol e a Falol (não perguntem, também não percebi).
Mira, Lisboa (que inclui sempre um certo Bastard e uma certa Chica-Esperta: e é tão bom!!!)
Impropérios muito altos de vidro aberto só porque parece Verão e queríamos mesmo era abardinar a noite toda (fica para a próxima!). O mini-preço. A cena preta que não posso falar aqui.
Leituras, música, tudo o que me faz bem.
Amigos muito amigos que me enchem os dias e as noites e os sonhos.
Verdades tramadas. Ou que se tramam (non sense, eu sei).
Agora vem a chuva. E o cheiro de terra molhada. E outras muitas coisas... :)

quinta-feira, março 31, 2011

Pimbas!

Ex Skinhead mudou de sexo e candidatou-se ao Parlamento alemão.

Aqui está uma prova daquilo que eu penso (sim, generalizo): estes gajos da extrema-direita têm é medo do que realmente são. Mais do que o ódio pelos outros, acho que é um ódio pessoal, íntimo, por eles mesmos.

Más allá

Más allá de mis miedos,
más allá de mi inseguridad
quiero darte una respuesta
Aquí estoy para hacer tu voluntad,
Para que mi amor sea decirte si, hasta el final

segunda-feira, março 28, 2011

Os Subterrâneos da Liberdade III - A Luz no Túnel, Jorge Amado

É o mais violento da triologia. Continua a luta do Partido Comunista Brasileiro (PCB), a clandestinidade, o amor à Pátria e ao partido. O PCB treme com várias prisões cujo objectivo é irradicar os comunistas do Brasil. As torturas - detalhadamente descritas - generalizam-se e tornam este último livro o mais difícil de ler. Há em toda a triologia dois planos: os comunistas na clandestinidade e uma certa classe alta disposta a tudo para manter o seu poder. Há interesses, tramas, medo. Mas há também amor, lealdade e gratidão. Amado não é imparcial - suponho que não pretenda sê-lo - e enfatiza estes sentimentos, o que põe a pensar até que ponto devemos ser leais quando com isso prejudicamos quem nos é mais próximo. É isso o comunismo de Amado nesta triologia: tudo pelo partido, pelos camaradas, pelo país. Os limites são discutíveis, mas a ideia de que o bem comum se sobrepõe sempre ao bem individual não deixa de ser tentadora.

A Kiss With a Fist (is better than none)

quarta-feira, março 23, 2011

Homens das cavernas, podeis ficar descansados!

"Ficam assim excluídos do conceito de pessoa sem-abrigo:

· As pessoas a viverem em edifícios abandonados;
· As pessoas que, não tendo um alojamento que possa ser classificado de residência habitual, no momento censitário estavam presentes em alojamentos colectivos como hospitais, centros de acolhimento com valência residencial, casas de abrigo, etc…
· As pessoas que, apesar de não terem uma residência habitual, no momento censitário se encontravam em alojamentos de amigos ou familiares;
· As pessoas a viverem em abrigos naturais, por exemplo grutas."

via https://censos2011.ine.pt/ecensoswebaux/documentos/QuestConceitos.pdf

segunda-feira, março 21, 2011

Cenas que me passam pela cabeça só porque sim

Hoje é o dia "censitário" (aposto que foi um sociólogo, amante dos conceitos idiotas, que inventou esta), ou seja, o dia a que se devem referir as perguntas dos Censos. Perguntavam se eu dormiria em casa nesse dia. Tive de responder que não. Estou imensamente preocupada com o que os senhores dos Censos vão pensar de mim...

Adenda: reservo-me o direito de apagar qualquer comentário idiota a este post, já por si suficientemente idiota.

Da brutalidade

(...) Sabes, A. eu gostava de ti. Não era propriamente um amor insuportável, daquele que dói - há muito que não sinto esse amor. Era mais qualquer coisa que nos tornava íntimos, essa relação de cumplicidade. Eram verdadeiros todos aqueles sorrisos que lançávamos um ao outro. Tantas gargalhadas, tanta alegria quando nos juntávamos. Não era amor, se calhar não. Mas quem precisa de amor quando tem pessoas assim ao seu lado?
Sabes, A., contigo era tudo muito mais fácil. Talvez por isso - ou até por isso, não sei - não precisávamos de dizer muito. Nem muitas vezes. O tempo que tínhamos, muito ou pouco, era de qualidade. E isso bastava. 
Tenho saudades tuas, A. Cada dia que passa tenho mais. Vou aprendendo a viver com isso, como se não houvesse solução, ainda que saiba que há. Mas a solução que vislumbro não é um caminho, e portanto vou-me tentando habituar. Tenho dias em que tudo é mais simples, outros que de tão impossíveis parecem sonhos maus. E sabes bem o quanto eu detesto sonhos maus. Aqueles que não são bem pesadelos, tu sabes. (...) 

quinta-feira, março 17, 2011

é mais ou menos isto o que penso sobre esta "polémica"

A lata tem os dias contados, por Pedro Correia:

Tanto barulho para nada. Andam os espíritos muito alvoroçados porque um simpático duo intitulado Os Homens da Luta, composto pelos irmãos Jel e Falâncio, venceu o Festival RTP da Canção com um tema “revolucionário”. Que horror. As tias “socialistas” tremem de indignação: que mau aspecto, que falta de chá, a imagem portuguesa ficará manchada por estes nossos representantes no certame da Eurovisão, a realizar em Düsselforf.

Ver artigo completo aqui.

sexta-feira, março 11, 2011

Daniel Oliveira, a propósito da manifestação de amanhã. Importante ler o artigo todo.

Estou seguro que a esmagadora maioria dos que vão protestar sabe de que lado está na luta que se trava nestes tempos difíceis. Que não se esqueçam de o dizer. Se no dia seguinte todos aplaudirem a manifestação, saberá quem lá foi que falhou o seu objetivo. Só é consensual o que é inútil. Ou o que é reciclavel para todas as agendas.

Podem tentar deturpar os objectivos da Manifestação. Podem dizer que é a esquerda, a direita, o que quiserem. Os objectivos são claros. Amanhã, lá estarei.

quinta-feira, março 10, 2011

Um Grito de Amor Desde o Centro do Mundo, Kyoichi Katayama


É mesmo isso: um grito de amor. Katayama é, supostamente, o escritor japonês mais lido no mundo e este romance, o mais lido de todos os tempos. Duas personagens centrais que se conhecem na infância e vivem um amor efémero na adolescência: Aki e Sakutarô. O romance avança e recua no tempo, de uma forma bastante perceptível para o leitor. As descrições são muitas, mas não excessivas e sempre criativas. Há uma união entre a vida e a morte, há poesia na prosa. Não o posso considerar uma obra-prima, mas é, sem dúvida, um livro recomendável.

sexta-feira, março 04, 2011

Descobertas

Lido muito mal com pessoas desconfiadas...

...

... and then I realized how much I missed you...

quinta-feira, março 03, 2011

Actualidade

João Moreira de Sá (arcebisposarrafeiro) responde, no 31 da Sarrafada, a Mário Soares e ao seu artigo no DN. Eu (claro que) não faria melhor. Toma lá que já levaste. E para a próxima tenta ser um bocadinho menos arrogante e informa-te melhor junto de quem sabe, nomeadamente junto dos "anarquistas" ou lá o que é.

quarta-feira, março 02, 2011

Pensamento do dia

Se desconfiarmos de nós próprios, desconfiamos sempre dos outros. Tão simples quanto isso. Se rimasse, podia ser um provébio.

José Luís Peixoto

Livro, José Luís Peixoto

A genialidade de um autor, a obra. "Livro" é uma viagem aos anos 60 numa aldeia perto de Coimbra. Emigração, Paris, Portugal profundo. Divide-se em dois grandes capítulos, em tempos diferentes. O narrador envolve-se - a história é dele, pertence-lhe como a nós pertence a história de nossos pais. "A mãe pousou o livro nas mãos do filho" assim começa, mas continua numa aldeia de pessoas como as outras, de segredos e verdades como em todos os sítios. Várias partidas para França, as dificuldades e a miséria de quem a viveu, de quem teve de viver nos bairros pobres de Paris, de quem nunca esqueceu Portugal. A minha personagem: Josué. Pelo amor que tem e que dá.  

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

O que não é

Bravura não é enfrentar o mar, não é ir para longe, não é navegar.

Diálogos

- Em teoria é um género de que não gostaria muito. Mas gosto imenso dele.

- Em teoria sai-te sempre tudo ao lado, também.

Duas pessoas a rirem-se de mim à gargalhada. Vocês têm a mania que são chicos-espertos. Bastards.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Pensamento do dia

O importante não é a casa onde moramos, mas onde, em nós, a casa mora.

Mia Couto

Descobre-se que se tem de mudar de cor de pó quando...

para me identificarem dizem: "é aquela sua colega loira, muito bonita e de pele morena...". Está visto que o 53 não é uma boa cor.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Pensamento do dia

O meu umbigo é bastante mais pequeno que o meu mundo. O meu mundo é enorme.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

Oswaldo Montenegro (obrigada, I.!)

Palavras

Mar. Lareira. Filme. Chuva. Vento. Manta. Pinhas. Madeira. Estalido. Chá. Som. Só. Garagem. Lenha. Jazz. Ondas. Granizo. Botija. Frio. Cigarros. Vinho. Sorriso. Sonho. Calma. Livro. Quente.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

ai portugal, portugal...

(...)
No meu portugal há um Estado absolutista que me impõe regras que nem deviam ser legais. Que me obriga a passar recibos verdes online,. Que me obriga e entregar o IRS online. Mas que depois não é capaz de me deixar votar online, pois se nem ainda chegou à fase de conseguir condições técnicas de eu conseguir saber o meu novo número de eleitor online para poder votar! (porque no meu portugal eu sou obrigado a pagar um cartão de cidadão - a cidadania paga-se - e um novo número de eleitor mas o meu portugal não tem quaisquer obrigações para comigo, nem de me informar em devido tempo que novo número de eleitor Comprei).
(...)
O meu portugal revolta. Parece que revolta a todos mas de formas diferentes. A uns causa revolta a classe política, assim, por inteiro; a outros causa revolta viver num país em "que para ser escravo é preciso estudar"; ainda a outros causa maior revolta que uma música possa estar a espelhar essa revolta (ainda se fosse do Zeca...). Mas como é que se revolta uma "geração sem remuneração"? "Vão sem mim que eu vou lá ter" que agora estou aqui no conforto do sofá a ver a revolução no Egipto na Aljazeera porque hoje somos todos egípcios!

Somos todos egípcios o CARA...ças! Eu não sou! Não sou porque me recuso a, com a minha passividade, insultar um povo que agiu, em vez de calar em angustia a revolta; agiu, quando percebeu que não se chega a lado nenhum com cantigas, nem com palavras; agiu, quando em vez de escrever desabafos estéreis (assim como este), levantou o AlCú do al-sofah e decidiu fazer alguma coisa: pedir um Egipto para eles.

Nós temos lá tempo e paciência de exigir um Portugal com P maiúsculo (ou mesmo um Egipto com Pê) para nós! isso envolve manifs e assim. E nas manifs há muita gente. E depois não há lugar para estacionar o carro.


por arcebisposarrafeiro

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Jogo




Mais um dia em vão
No jogo em que ninguém ganhou
Dá mais cartas, baixa a luz
E vem esquecer o amor
És tu quem quer
Sou eu quem não quer ver
Que tudo é tão maior aqui
Está frio demais para apostar em mim
Vê que a noite pode ser
Tão pouco como nós
Neste quarto o tempo é medo
E o medo faz-nos sós

És tu quem quer mas eu só sei ver
Que o tempo já passou e eu fugi
Que aqui está frio demais p'ra me sentir
Mas queres ficar

Tudo o que é meu
É tudo o que eu não sei largar
Queres levar
Tudo o que é meu
É tudo o que eu não sei largar
Vem rasgar o escuro desta
Chuva que sujou
Vem, que a água vai
Lavar o que me dói
Vem, que nem o ultimo a cair
Vai perder

Milagrário Pessoal, José Eduardo Agualusa

São palavras originárias de várias línguas, é a busca dos neologismos, é a linguagem dos pássaros, é uma história de amor. Iara, jovem linguista, procura neologismos para serem incluídos nos dicionários. Para isso pede ajuda ao antigo professor - ex anarquista angolano - e cumprem-se viagens, estórias e conversas. Personagens hilariantes, lugares improváveis e o amor, o desejo.
Agualusa é um grande defensor do Acordo Ortográfico, eu ainda sou resistente, apesar de compreender os seus argumentos - provavelmente acabarei por me render.
Ainda sobre o livro, Bruno Vieira Amaral escreveu, entre outras coisas, que Palavras também são poder, política no sentido mais lato. Podem significar insubmissão, como no caso do timorense que declamava sonetos de Camões. Podem siginificar afirmação nacionalista, como no caso das elites brasileiras que passaram a utilizar apelidos de origem tupi. Podem significar subversão, como o colonizado que pretende colonizar a língua do colonizador para assim o dominar.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Rir é mesmo o melhor remédio...

No meio duma troca de e-mails, normalmente parvos com algumas coisas sérias à mistura (esta não é a parte séria!)

Vou comprar comida que aqui em África dizem que há fome!

Não percebo porquê!
É só ir ao supermercado.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Brilhante



Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Agora, o humor

Passo o fim-de-semana sozinha em casa, como tantas vezes acontece (e ainda bem) apenas com a companhia do meu fiel canídeo. Toca o telefone fixo:
(Pessoa) - É da casa do ****? (não vale a pena escrever o nome do Papi, mas era por ele que procuravam).
(Eu) - É sim, mas ele não está.
(Pessoa)- Quem está a falar? É a filha que já tem meninos?
(Eu) - Não, é a irmã.
(Pessoa) - Ah... Daqui é a ****, então tu ainda és solteira? (o negrito e sublinhado pretendem demonstrar o tom entre o incrédulo e o crítico, não tive a capacidade de discernir).
(Eu, depois de um ligeiro ataque de riso) - Sou, sou. Mas de qualquer maneira se quiser falar com o Pai pode ligar no Domingo à noite.

Contei aos meus pais o maravilhoso telefonema, fui gozada mais ou menos durante meia hora. É bom rir em família.

Vá-se lá entender

Dou por mim a escrever na plataforma onde insiro a informação dos diagnósticos que faço às pessoas, informação essa que ninguém lê mas tem de estar lá, que como todos os Adultos nesta situação, o facto de virem a ter formação durante o dia impede-os de trabalhar na agricultura, fonte de subsistência independentemente do facto de receberem Rendimento Social de Inserção, uma vez que este valor não lhes permitiria subsistir sem os alimentos que conseguem tirar da terra. Apesar disso, a Adulta em questão tem motivação, pelo menos no que respeita à possibilidade do reconhecimento de competências, ainda que parcial, por ser um percurso mais flexível e que lhe permitiria conjugar o seu trabalho doméstico com a possibilidade de aumentar as suas qualificações.

Este trabalho às vezes é tramado.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

...

Ele - Precisas duma causa, é isso. Andas sempre à procura de qualquer coisa para defender, mesmo que seja a que te pareça menos importante.
Ela - Vai gozar. Até parece que ando para aí de bandeira em riste a lutar por qualquer coisa.
Ele - Andas. E sabes bem que andas. Não sabes fazer outra coisa, só que te está de tal maneira no sangue que nem te apercebes. As bandeiras estão no coração, sabes disso, não sabes?
Ela - Porco. Vai-te lixar, que eu vou dormir com uma bandeira enfiada na cabeça.

Os Subterrâneos da Liberdade II - A Agonia da Noite, Jorge Amado

É o segundo da Triologia que versa sobre os tempos da ditadura de Vargas no Brasil. É, como o primeiro volume, uma incursão histórica que ajuda a perceber uma parte fulcral da história do Brasil. Amado cria mais um romance através da história, mostra dois mundos (pelo menos) que à época se degladiavam - os que lutavam pelos direitos da classe operária e a burguesia que aspirava poder e dinheiro a qualquer custo. Não será um livro imparcial, nem pretenderá sê-lo.
Muitas das personagens se mantêm, outras aparecem. Doroteu, o negro estivador do porto que casa com Inácia, uma mulata que acaba por ser "a bandeira" da greve (o adjectivo bandeira não foi escolhido ao acaso). Ambos se unem pelo amor e por uma causa, Inácia morre a defender a causa.
Mariana e Manuela são duas peças centrais de ambos os lados da barricada: a primeira, comunista assumida e que vive para o partido. Manuela, que priva com esse lado burguês da sociedade brasileira (apesar das origens humildes) e que acaba por ser vítima da hipocrisia e mau carácter dos que a rodeiam.
Há também elementos dentro do Partido Comunista que traem, há greves, há mortes, prisões, repressão. Há uma enorme vontade de alguns para mudar esse Estado Novo, que presta vassalagem a Hitler e a Franco, que abre as portas aos americanos e que reprime o seu povo. Há, acima de tudo, uma causa.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Quotidiano

Fazes-me 50 perguntas por dia, 25 das quais eu não quero responder e as outras 25 são a repetição, com variações, das primeiras 25 às quais não quero responder. Fazes perguntas de resposta óbvia, e voltas a perguntar até ouvires a resposta que queres ouvir - coisa que quase nunca acontece. Tenho dias em que isso me tira do sério, outros em que resolvo rir-me. Em breve tudo será mais simples.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Viragem

Resolvi que ia deixar de ser tudo o que odeio e que tenho sido: centrada e mim, nos meus problemas, no que me provoca náuseas e às vezes desespero. Fui, por alguns dias - muitos! - tudo o que desprezo. Os problemas não são únicos, mas são os meus: a casa, o empréstimo, as dúvidas, os amigos que não foram (e que pelos vistos não são), a família, o trabalho, o Inverno - a merda do Inverno. Estive virada para dentro, no meu mundinho idiota em que tudo está ao contrário menos eu. Evitei escrever. Hesitei em falar (eu, logo eu...). Ausentei-me de mim, na verdade. Não me perdoaria nunca se assim fosse durante mais tempo. Estou de volta. 


PS - este post é o primeiro a que não dou permissão para comentários. Porque contra factos não há argumentos.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Tão simples, por Bruno Vieira Amaral

via A Douta Ignorância

O que seria de nós sem os comentários esclarecidos nos sites da imprensa? O homicídio…não, homicídio tem uma carga demasiado negativa, o acto de justiça que se abateu sobre Carlos Castro é de uma transparência cristalina. A “vítima” era uma bichona, um velho nojento, praticamente um pedófilo, que se aproveitou da inocência depilada de um rapazinho (tão bonito que ele é, e gosta de mulheres, tinha resmas delas), uma ingénua criatura de Cantanhede (em Cantanhede não há paneleiros, ora essa), um anjinho de Deus que vendeu a alma ao Diabo em forma de um sexagenário gordo e feio. O porco seduziu a pobre criança cujo único pecado era ter um sonho e lá foi ela atrás do sonho agarrada às calças do maricas. Estava mesmo a pedi-las. Estão todos a pedi-las. Andam para aí a meter-se com rapazinhos exemplares que até praticam desporto e sorriem aos concidadãos e estão à espera do quê? E nem se sabe se não foi a “vítima” a provocar a situação ou até mesmo a pedir para que o jovem lhe fizesse aquelas coisas, porque homens daqueles são uns pervertidos. Quem nos garante que a “vítima” não tentou coagir o rapazinho, que não tentou obrigá-lo a fazer coisas que este não queria e que o rapazinho, ferido no seu orgulho heterossexual, apenas se defendeu, espancando o verdadeiro agressor durante uma hora, enfiando-lhe um saca-rolhas no olho e cortando-lhe os tomates? Seria muito diferente se em vez de um paneleiro velho, estivéssemos a falar de um septuagenário heterossexual que andasse com uma “dançarina” brasileira (puta, claro está, porque estas são muito sabidas e querem é subir na vida porque lá na terra delas passam fome). Já se sabe que estas atrevidas só andam atrás deles pelo dinheiro e que eles aproveitam (quem é que, podendo, não aproveitaria?) para ferrar o dente em carne fresca, e fazem eles muito bem, provando a macheza do garanhão lusitano que nem no leito de morte perde a tusa. É tudo tão simples: a culpa é sempre dos maricas e das putas.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

A Chama Pura de William Blake, Tracy Chevalier

Autora de "A rapariga do brinco de pérola", Tracy Chevalier descreve Londres do sec. XVIII enquanto narra uma história fascinante duma famíla de província que se muda para a capital. Personagens improváveis, o Circo, a vizinhança... e William Blake. Numa altura em que as notícias da Tomada da Bastilha percorriam toda a Europa, começa a sentir-se na vida londrina um certo temor das autoridades relativamente a um possível contágio em Inglaterra dessa "terrível aliança contra o Rei". Há pessoas perseguidas, o medo está instalado. No meio disto, a família Kellaway e a história do tempo em que estiveram imigrados em Londres. William Blake, poeta simpatizante da Revolução Francesa, é vizinho dos Kellaway e acaba por ajudar e ser ajudado pelos quatro membros da família.
William Blake existiu realmente: foi tipógrafo, poeta e pintor. Oferece a Jem e Maggie - a minha personagem, porque eu tenho sempre uma! - as "Canções de Inocência" e "Canções de Experiência", editados em conjunto em Portugal pela Assíro & Alvim.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Preocupação

Ando cansada. Não vejo televisão, a política deixa cada vez mais de me interessar. Ando, como penso que a maioria dos portugueses, farta. Parece que anda tudo a precisar duma revolta, queremos todos mudanças e não há mudança à vista. O Presidente ou Candidato (fiquei na dúvida, mas uma vez que são uma e a mesa pessoa, não sei qual é a questão) Cavaco vetou a lei que simplifica para os transexuais a mudança de nome próprio no registo civil. Preocupa-me, mais do que o veto - porque sei bem que o senhor esteve pelo menos uma semana com azia com a promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo - que isto não me preocupe. Ando virada demais para o meu umbigo, deve ser isso. Alegre anda a pisar terreno escorregadio e temo que vá levar uma bela duma abada nestas eleições - confesso que no meu íntimo ainda acho que é capaz de levar Cavaco à segunda volta e que muito provavelmente não será com a minha ajuda.
Dos outros nem falo: Defensor de Moura, nunca o ouvi e nem me apetece; Nobre já me irrita; F. Lopes se lhe ouvi uma frase foi muito; o Coelho da Madeira só me faz rir. Politicamente, é assim: vácuo.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

A propósito dos defensores das touradas e afins

Que fique bem claro: não sou e nunca serei vegetariana. Gosto de quase todo o tipo de carne e por alguma razão existe Roda dos Alimentos. Portanto não me venham os defensores das touradas e de outros espectáculos degradantes (mais para o homem do que propriamente para os animais) com o discurso do que se come, e que se mata para comer. É que é uma questão, para mim, do mais simples que há.
Não aceito que se usem animais - e principalmente o seu sofrimento - para um espectáculo bárbaro (sim, aqui sou tudo menos tolerante), onde nem há o espírito de jogo em que ou se ganha ou se perde. Na tourada, perde sempre o mesmo, ainda que de vez em quando o "lado mais forte" saia um bocadinho humilhado. Não é uma relação justa, não há duas partes com poderes semelhantes. E portanto não há justiça. Há argumentos que me recuso a discutir, como "o touro não sofre" ou "a carne é aproveitada" porque de tão idiotas que são, far-me-ia uma pessoa igualmente idiota tentar deitá-los abaixo.
Abaixo as touradas, pois. Sim, eu como caça (e que bem que me sabe) e até aceito a caça como um desporto com um objectivo: comer o que se caça. Não é verdadeiro o caçador que mata para ter o maior número de peças e depois as deita - ou parte delas - fora. Primeiro, porque há fome neste mundo. Neste país. Aqui ao lado, mesmo. Depois porque se assim for, a caça per si deixa de fazer sentido.
Sim, adoro arroz de cabidela, adoro tordos, perdizes e pombos. Adoro coelhinho, adoro entrecosto. Desde que não se faça da morte dos bichos um espectáculo e se provoque o seu sofrimento para nosso bel' prazer.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Da amizade

A propósito duma visita à minha pessoa no fim-de-semana:

"Queria tanto usar o meu carro novo... e ver-te tb, mas menos."

Obrigada pelo ataque de riso que me provocaste :)

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Ano Novo

Não ligo nenhuma, apesar de acabar sempre por (tentar) deixar a casa arrumada. Amanhã é só amanhã. Não deixo de fazer projectos - como quase todos os dias - nem deixo de guardar esperanças. Venha daí 2011, estou de peito aberto! (sempre que digo/escrevo isto soa-me um bocado mal - também não podia deixar de abardinar um bocado...)

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Cheira-me que hoje vou dormir muito, mas muito bem!!!

O poder dos blogues

Não se fala de outra coisa (fala, mas eu gosto de exagerar) na blogosfera: a Ensitel, a liberdade de expressão, Maria João Nogueira e telemóveis, reclamações, enfim, toda uma panóplia de notícias e comentários que, em primeiro lugar, me deram alguns ataques de riso e, em segundo lugar, me fazem crer que ou isto anda tudo doido ou então não sei (de facto há muita coisa que não sei). Resumindo, a "famigerada" co-autora dum blogue que vou seguindo com mais ou menos atenção, publica em 2009 e depois, sempre que se justificou, uma história quase anedótica dum (já célebre) telemóvel que foi adquirido já com defeito. Depois de reclamações, Tribunal Arbitral - e um personagem que identifico, não por conhecer aquele especificamente, até porque a autora não diz o nome do Ilustre Magistrado, mas por reconhecer-lhe tantas semelhanças com tanto do que penso e vejo na Justiça e nos tribunais - enfim, depois de uma autêntica telenovela, foi "intimada" pelos advogados da empresa a APAGAR o que escreveu nos seus blogues acerca da Ensitel. Entretanto fui espreitar os comentários no blogue, e se aquilo não é de chorar a rir, não sei.
Primeiro são os que concordam, que lhe dizem para ir "para a frente com esta luta" como se de um caso de vida ou morte se tratasse. Depois são os funcionários da Ensitel que não sabem escrever - é com cada "calinada" que até magoa - e que não são muito entendidos nestas coisas que vão para lá insultar a senhora sem se lembrarem que os autores do blogue podem - se quiserem - ter acesso aos IP's de quem os visita, tendo a autora verificado que se tratava dum IP da Ensitel. Não contentes, uma das supostas funcionárias da empresa escreve via e-mail à autora (e-mail esse que a mesma faz questão de publicar) a insultá-la do pior que há.
Nestes últimos tempos tenho tido o azar (ou algumas empresas tiveram o azar de me apanhar à frente, não sei) de ter de fazer algumas reclamações - já fui "comida por parva" tantas vezes que houve um dia que disse "basta" e reclamo sempre que acho que tenho razão (sim, reconheço que é quase sempre - depois auto-flagelo-me porque sou arrogante, agora não me apetece). Desde que o comecei a fazer que percebi que as reclamações - pelo menos em algumas empresas - resolvem muitos problemas (os meus, até ver, têm sido resolvidos).
A notícia já chegou aos jornais, ao Facebook e ao Twitter. Acho que andamos todos com vontade de bater em alguém, a Ensitel teve azar, mas de facto em vez de dar uma porcaria dum telemóvel novo à senhora, optou por pagar a advogados para a ameaçarem. Está a correr-lhes mal, e eu não tenho pena.

terça-feira, dezembro 28, 2010

Da amizade

Manda-me uma carta em correio azul

para eu guardar no castanho dos armários
no meio de testemunhos vários
escritos por letras tão distantes
murmúrios amantes
que a vida me oferece
só por muito amar

Sérgio Godinho

Hoje mandei-te uma carta em Correio Azul. Mais um dos meus presentes no mínimo... improváveis.

1%

Segundo o parecer do Tribunal de Contas sobre a Conta Geral do Estado desse ano, ontem divulgado[dia 22 de Dezembro], 61 por cento dos 2,2 mil milhões de euros foram para a banca, 36 por cento para as empresas e um por cento para o apoio ao emprego.

in Público a 23/12/2010

Vou abster-me de qualquer tipo de comentário: isto é 1% do que poderia dizer.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Foi o primeiro Natal sem ti. Todos te lembrámos, pouco se falou dessas lembranças - há coisas que ainda custam muito a engolir. Todos os anos vivo o Natal à minha maneira, uma maneira diferente de todos. Para eles, é Família (e não há nada mais cristão que isso). Eu não vivo mais nem menos, só penso de maneira diferente. Este ano, mais do que celebrar o nascimento do Menino (que se fez um grande homem) acabámos por te celebrar, na tua ausência, mas em silêncio entre conversas e gargalhadas. É o Natal dos simples, duma ausência que não se cura mas que se vive como se pode.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Os Subterrânos da Liberdade I - Os ásperos tempos, Jorge Amado

Uma crítica feroz ao regime ditatorial Brasileiro, o também chamado "Estado Novo" sob a égide de Getúlio Vargas. Jorge Amado descreve dois lados duma sociedade em ebulição: de um lado o poder (e a noção de que as grandes decisões são tomadas longe do ditador) e de outro a oposição, comunistas convictos que dedicam a vida à causa que acham justa.
O romance começa antes do golpe de 1937 com alguns acontecimentos que marcaram o Brasil nesta época -  expectativas de uns, receios de outros e termina ainda com Vargas no poder. São inúmeras as personagens, divididas por dois "lados da barricada", algumas altamente superficiais e outras com uma densidade quase estonteante - curiosamente das personagens femininas do romance.
A minha personagem: o Velho Orestes, um ex-anarca, italiano (que pragueja, como pragueja!!!) homem de enorme coração e paternal. Morre pela sua causa e não há morte mais poética do que esta.
Há muita ideologia (e conflito ideológico) nesta obra, não tanto no que respeita ao óbvio - pela ou contra a Ditadura - mas também (e provavelmente principalmente) dentro da luta operária, comunistas convictos que por vezes põem em causa os meios e outras (menos) vezes os fins.
É o primeiro da triologia que a D. Quixote lança juntamente com toda a obra revista de Jorge Amado.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Eu, completamente eu!

Eu às vezes não sei o que hei-de dizer
sou refém da palavra que me quer fugir
prendo o salto no verbo que deve ser
ou tropeço no nome a seguir

(desato a rir
não lembro de mais nada
eu desato a rir
o fio escapa à meada
eu desato a rir
e sim, e coisa e tal
eu sei lá)

Tiago Torres Silva

quinta-feira, dezembro 16, 2010

ADEUS TRISTEZA, ATÉ DEPOIS

Já dizia o poeta que "é melhor ser alegre que ser triste", mas isso não faz com que seja fácil ser Alegre. Não é fácil ser Alegre.

Um alegre candidato tem que calar a opinião de um alegre deputado o que choca com um alegre poeta que ninguém cala. Ora quando quem cala o alegre poeta - e o alegre deputado, e o alegre socialista, e o alegre dono do anti-fascismo - é ele próprio, perde-se a alegria e a coisa faz curto-circuito.
Um alegre livre pensador de esquerda, defensor dos direitos dos trabalhadores, que de forma louçãnica se revoltou contra a política do Sr. José precisa agora do apoio do Sr. José e dos amigos do Eng.º José, mas não pode concordar com as políticas do Sr. José, mas também não pode dizer que não concorda... nem dizer que concorda... e a coisa faz curto-circuito.
Uma alegre personificação da luta anti-fascista pela liberdade não pode pactuar com quem aprove em segredo voos da CIA, o que é uma chatice quando é a quem o apoia que se atribuem essas práticas menos transparentes... e é quem também o apoia mas mais em bloco quem condena estas práticas menos transparentes... e o eu alegre que ninguém cala não pode dizer ai... nem ui... e a coisa faz curto-circuito.
Não é fácil ser alguém que ninguém cala e não poder dizer o que quer que seja. Fica-se meio encavacado...

via http://31dasarrafada.blogs.sapo.pt/ por arcebisposarrafeiro


Pois é. Estou a ficar com sérios problemas...

terça-feira, dezembro 14, 2010

Simplicity

Dizem-me para não me preocupar, que tudo volta ao seu lugar. Não entendem - nem sei se entenderão algum dia - que eu não quero que volte tudo ao mesmo sítio. É andar em círculos, é estúpido. Sim, é estúpido.
Talvez não seja preciso explicar mais nada. Não me darei a esse trabalho, hoje.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Voos

Passei a guardar expectativas na cave do meu cérebro e percebo que não há nada melhor do que não esperar nada de ninguém. Há coisas que sabemos que podemos esperar das pessoas de quem gostamos, outras que, com a dose de incerteza que sempre há nas relações humanas devemos deixar acontecer. E percebo que sou muito mais feliz assim. Mais vale um voo inesperado do que uma queda sem razão.
Tenho dito.

Os dias

Dias com amigos, dias em família, estrada, muita estrada. Sabe bem voltar, tão bem como soube ir.
"Brunch" de "despedida" no norte - que saudades! - visita aos Sobrinhos-mais-lindos-do-mundo.
As novas do Migalhinha, para além do célebre "Eu xou muito mau" agora tem um cão de brincar que se chama "Meu Filho". O Vasquinho "bom garfo" que explica à Tia (e para grande orgulho dela): "Sabes, tia, a minha cor preferida é o vermelho. E vermelho é o mesmo que encarnado". No meio do ataque de riso respondi-lhe que o avô Ni não ia gostar muito daquela afirmação (o avô Ni bem tenta que os netos não sejam alfacinhas, mas acho que é uma batalha perdida).
É estar com amigos de sempre de quem tenho saudades e cujo encontro sabe sempre a muito pouco. É descansar dos pais (que preciso que era!) e acabar por ter saudades. É estar um dia inteiro com a Mana nas compras e fazer disparates e a rir à gargalhada, é a felicidade de nos vermos iguais a nós mesmas - apesar de eu não ter crescido e de seres mãe de família - e de eu continuar a fazer disparates e figuras tristes e de pôr toda a gente a olhar para nós, uns a rir, outros a pensar que sou maluquinha!
É Lisboa, essa cidade que eu adoro só porque sim.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Histórias da (minha) vida

Quantas vezes julgas alguém

por julgar ter mais do que tem e não ter a noção de si,
tu não tens a noção de ti.
Quantas vezes queres e não tens,
tantas vezes tens e nem tens a noção do que tens aí.

Deolinda

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Isto podia ter muitos títulos. Mais tolerante é impossível. Brilhante.

(...)
Nesta como noutras discussões, temos que partir do princípio que quem critica a Igreja não o faz a partir da ignorância. Temos muitas vezes essa tentação. Esta questão tem sido fruto de discussão, ao longo de muito tempo, no interior da própria Igreja. É normal que gere polémica, mas devemos reconhecer que há muitas pessoas que criticam alguns aspectos do pensamento da Igreja (a começar por Católicos muito empenhados) com enorme honestidade intelectual. Os que o fazem desde dentro fazem-no, muitas vezes, com amor a um corpo a que sabem pertencer e no desejo de acertar com a vontade de Deus. Os que não pertencem à Igreja, ao serem ouvidos com todo o respeito, estão também chamados a criticar com respeito. Das inquietações de uns e outros resultam desafios concretos de Deus.
E, quando houver ignorância, depende também de nós desfazer mal entendidos e contribuir para que ela diminua.

Zé Maria Brito, sj

terça-feira, novembro 30, 2010

Pensamento do dia

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."


Berltolt Brecht

sexta-feira, novembro 19, 2010

Dias mais Alegres?

“Sei que há pouco dinheiro mas tem que haver dinheiro para o essencial. Comigo na Presidência ninguém toca no SNS, na escola pública, na segurança social pública e nos direitos laborais dos trabalhadores. O candidato que se recandidata não diz o que fará se isso acontecer. Pois eu digo: veto e usarei todos os poderes presidenciais para defender esses direitos e para defender o conteúdo social da nossa democracia”.


Manuel Alegre

Via Arrastão. A ser verdade basta isto para ter o meu voto. A ver vamos.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa

Ainda bem que há uns que se recusam a fazer horas extraordinárias, a avaliar por estas pérolas...

Cabo da GNR acusado de insubordinação por ter mandado "pró C..." um 2º Sargento:

Segundo as fontes, para uns a palavra “caralho” vem do latim “caraculu” que significava pequena estaca, enquanto que, para outros, este termo surge utilizado pelos portugueses nos tempos das grandes navegações para, nas artes de marinhagem, designar o topo do mastro principal das naus, ou seja, um pau grande. Certo é que, independentemente da etimologia da palavra, o povo começou a associar a palavra ao órgão sexual masculino, o pénis. E esse é o significado actual da palavra, se bem que no seu uso popular quotidiano a conotação fálica nem sequer muitas vezes é racionalizada.
Com efeito, é público e notório, pois tal resulta da experiência comum, que CARALHO é palavra usada por alguns (muitos) para expressar, definir, explicar ou enfatizar toda uma gama de sentimentos humanos e diversos estados de ânimo.
Por exemplo “pra caralho” é usado para representar algo excessivo. Seja grande ou pequeno demais. Serve para referenciar realidades numéricas indefinidas (exº: "chove pra caralho"; "o Cristiano Ronaldo joga pra caralho"; "moras longe pra caralho"; "o ácaro é um animal pequeno pra caralho"; "esse filme é velho pra caralho").

Ler todo o acórdão aqui
I'm not calling you a liar,

Just don't lie to me.
I'm not calling you a theif,
Just don't steal from me,
I'm not calling you a ghost,
Just stop haunting me,
And i'll love you so much,
I'm gonna let you,
Kill me.

Florence and the Machine

Estes gajos adoram passar os limites

A televisão trouxe a notícia da libertação de Aung San Suu Kyi, e é claro que fiquei satisfeito. Sou em princípio a favor de todas as libertações, mas talvez desta ainda mais do que é costume. Não por Suu Kyi ser Prémio Nobel da Paz e Prémio Sakarov: na verdade são galardões que pela sua própria história me inspiram alguma desconfiança e dispenso-me de explicar porquê. Mas acontece que Suu Kyi é mulher e que para mais tem aquele arzinho fisicamente frágil que nos dá cuidados quando a imaginamos presa. É certo que na sua própria residência, que é capaz de ser mais confortável que a minha. Mas imagino que deve ser terrível para uma mulher, para mais senhora de boa disponibilidade financeira, não poder sair de casa para ir às compras no hipermercado mais próximo.

Ler na íntegra aqui. Por Correia da Fonseca, um energúmeno.

Pensamento do dia (da semana, do mês...)

Ando com imensa dificuldade em entender as pessoas. Mais dificuldade ainda em não as mandar para "o outro lado".

terça-feira, novembro 16, 2010

Pulhas!

Não há blogue ou jornal que não fale da crise, da potencial (ou objectiva) falência do País, da vinda do FMI, da dívida externa, do PIB e DA PATA QUE OS PÔS.
Continua a haver desperdício, continua a haver despesismo, continua a haver a arrogância de certos priveligiados que acham que são donos disto tudo: pois que são donos duma bela merda.  Sim, uma bela merda. Lembro-me de uma parte da letra duma música dum grupo que uns amigos de Liceu (na saudosa década de 90, imagine-se!) tinham: "Se dinheiro fosse merda/Portugal já era rico/Se as putas fossem flores/Portugal era um jardim". Pulhas, e substituam o LH por um T que é isso mesmo.

segunda-feira, novembro 15, 2010

O Negro e o Negro

Andas a ver tudo a preto e branco. O que devia ser a cores não pode ser, porque houve escolhas que vos alteraram a visão para sempre. Dizer que só querias voltar atrás não serve de nada, por mais que isso pareça a coisa mais bonita que se pode dizer.

Podiam estar a envelhecer juntos e não estão. Podiam estar a viver aquele amor avassalador que vos apanhou de surpresa, que começou no dia em que se viram, que continuou pelo tempo possível por mais impossível ou improvável que o amor à primeira vista pudesse parecer.

Sabes que tens de guardar essas palavras para ti, que tens de fazer o que é certo, por mais que te pareça tão errado o que tem de ser feito.

Também podiam não estar juntos como na verdade não estão, é possível que o amor tivesse escapado, só que mais tarde.

Viram o farol quando estavam quase a encalhar e acabaram por encalhar de propósito. Só para poderem ficar mais um bocadinho um junto ao outro, mesmo sabendo que desencalhariam mais tarde ou mais cedo, que iam desembarcar e levar um banho de mar e realidade.

Nunca chegaram a aproveitar verdadeiramente o bocadinho que tiveram, a luz do farol, o barulho da ronca recordou-vos sempre que não era ali que deviam estar. 

Há alturas em que na vida se tem de ver preto no branco. A preto e branco tem tantas possibilidades quantas vocês não têm.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Marina, Carlos Ruiz Zafón

É um livro anterior a "A sombra do Vento" (o meu preferido) e "O jogo do Anjo" mas só editado agora em Portugal. É também, segundo o autor, o seu favorito: "De todos os livros que publiquei desde que comecei neste estranho ofício de romancista, lá por 1992, Marina é um dos meus favoritos". Ainda que discordando do próprio, "Marina" tem muitas marcas do autor: a cidade de Barcelona e edifícios escondidos, mistério, criaturas fantasmagóricas e uma bonita história de amor. O narrador e personagem central, Óscar, retrocede 15 anos para contar a história que o marcaria para sempre. Em 1980 conhece Marina e a sua vida nunca mais será a mesma. Zafón habituou-nos a uma belíssima escrita, com descrições de uma Barcelona que muitos desconhecem. Desta vez não há nenhum "cemitério dos livros esquecidos" (pelos vistos surgiu mais tarde) nem estórias rodeadas de livros, e talvez por isso "Marina" não me tenha apaixonado tanto como os livros que li anteriormente (ainda que tenham sido escritos mais tarde). A prova de que a morte é o mais certo da vida, e que tentar fintá-la fingindo ser um qualquer Deus de nada serve.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Pensamento do dia

"Ainda não manejei nenhuma arma que não fizesse ricochete"

Jorge Palma

Fuga para a frente

Fui embora devagar, como quem não vai mas vai. Fui saindo, a dar passos para trás porque não gosto de virar as costas. Tinha de ser, às vezes temos de ir embora devagarinho, sem pressa ou despedidas.

Não te disse adeus, não te apercebeste que fui. Porque parece que estou, sem que entendas que na verdade não estou. Não é um jogo de palavras: não te olho, não te vejo mesmo que estejas à minha frente porque não te quero ver, não te sorrio porque não me apetece, não tenho vontade.

Um dia talvez grite, talvez me dê ao trabalho de explicar ou de pedir que me expliques o inexplicável.

Hoje não. Tenho grande parte do que preciso para ser feliz. O buraco fechou, aquele junto ao ventrículo esquerdo.

terça-feira, novembro 09, 2010

Daquelas coisas que só me acontecem a mim...

A Cristina, minha adorada 2ª mãe, estava ontem doente. Chegada a casa, em conversa com o Papi, percebi que não teria melhorado e resolvemos que não era preciso ir trabalhar hoje. Como já era tarde, enviei-lhe uma mensagem, enviando também de seguida uma ao Carlitos, o filho, para o caso de ela não ler a mensagem antes de sair de casa. Passado um bocado recebo uma chamada de um número não identificado que não atendi (a partir de determinada hora, lamento, mas não atendo números privados). Deixaram uma mensagem que não tive pressa em ouvir. Mais tarde recebo uma chamada do suposto Carlitos, que rejeitei e devolvi:
"Carlitos, é a Joaninha, era para dares o recado à tua mãe para ficar em casa amanhã"
"Está bem, já lhe dei o recado".
Estranhei que não dissesse mais nada, mas fiquer descansada. Antes de me deitar fui ouvir a mensagem de voz que tinha no telemóvel. Era uma senhora que não era a Cris:
"Olhe, boa noite, o meu filho recebeu uma mensagem a dizer para não ir trabalhar amanhã, mas eu não conheço este número e não recebi mensagem nenhuma no telemóvel. Agradecia que me contactasse para o número********".
Passava das duas da manhã, não ia ligar. Enviei mensagem ao suposto Carlitos a dizer que foi claramente um engano e a pedir desculpa. A senhora provavelmente terá pensado que ia ser despedida, ou que era uma brincadeira de mau gosto.
Eu já entrei inadvertidamente em contas de e-mail que não eram minhas, já enviei mensagens escritas por engano a um dos meu chefes e a chamar-lhe "amora", enfim, já cometi tantas gaffes na minha vida que nem sei. É mais uma, para um rol de acontecimentos que fazem de mim uma pessoa potencialmente perigosa.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Às vezes acertas tanto que até irrita

I have always fallen in love fast and without measuring risks. I have a tendency not only to see the best in everyone, but to assume that everyone is emotionally capable of reaching his highest potential. Many times in romance I have been a victim of my own optimism.

E se Obama fosse africano e outras interinvenções, Mia Couto

É um conjunto de intervenções públicas feitas por Mia Couto em diversos contextos nos últimos anos. Muitos temas abordados, muitas reflexões a discutir, muitas das intervenções uma forte crítica ao povo africano, ao povo de Moçambique. Porque estamos habituados a ouvir e ler que África viu o seu futuro hipotecado muito por ser um continente altamente colonizado, é surpreendente como Mia coloca as questões, responsabilizando os próprios africanos pela corrupção, pela gente sem escrúpulos que lidera muitos países africanos. "A descolonização só pode ser feita pelos próprios colonizados". O texto de dá nome ao livro - "E se Obama fosse africano" - é escrito depois de lhe ter "chegado às mãos" um texto de um camaronês com o título "E se Obama fosse camaronês". É o último texto do livro, escrito em 2008, que recomendo vivamente porque retrata uma realidade que muitas vezes teimamos não ver. Começa assim:
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. (...) A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões.
(...)
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse afrincano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto.
(...)
Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos, moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte. (...) A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores corruptos de África tenham o direito de de se fazerem convidados para esta festa.  

segunda-feira, outubro 25, 2010

Boas notícias

"Igreja católica distribui preservativos grátis na Suíça"

O QUE EU QUISER

quem acorda mais cedo vai vender saúde
e quem vai dormir cedo há-de crescer
o que será de mim que tenho por virtude
ver o sol avisar que vai nascer?

Não vou ouvir o que ninguém diz
e vou dormir quando eu quiser

grão a grão a galinha vai enchendo o papo
e eu fico a pensar o tempo inteiro
o que será de quem dá tudo por um trapo
ao chegarem os saldos de Janeiro?

Não vou seguir o que ninguém diz
e vou vestir o que eu quiser

ando sob a chuva porque quero andar
grito porque é moda proibir gritar
eu não sei... eu não sou... mas quando olho para mim
não cheguei... não vou... mas eu estou bem assim

se quem semeia ventos colhe tempestades
eu prefiro plantar mil furacões

não vou ligar ao que ninguém diz
e vou fazer o que eu quiser
o que eu quiser!


Letra de Tiago Torres Silva, no álbum Graffiti, Júlio Pereira

SMS

(porque ando pouco virada para a escrita, partilho as coisas que me fazem rir e saber que tenho uma sorte do caraças por ter amigos assim)

"Sonhei contigo =) Nada badalhoco!(...)"

O menino é lindo, sabia? :D

terça-feira, outubro 19, 2010

Das verdades em que acredito

Apesar de tudo, vivemos numa sociedade que tem uma característica muito curiosa: aqui se glorifica o indivíduo mas nega-se a pessoa. Parece um contra-senso, mas não é. Afinal, há distância entre estas duas categorias: indivíduo e pessoa. Indivíduo é um ser anónimo, sem rosto e sem contorno existencial. A história de cada um de nós é a de um indivíduo a caminho de ser pessoa. O que nos faz ser pessoa não é o Bilhete de Identidade. O que nos faz ser pessoa é aquilo que não cabe no Bilhete de Identidade. O que nos faz pessoas é o modo como pensamos, como sonhamos, como somos outros. Estamos, enfim, falando de cidadania, da possibilidade de sermos únicos e irrepetíveis, da habilidade de sermos felizes.

Mia Couto, 2005

segunda-feira, outubro 18, 2010

Cenas

Estamos tão entretidos em sobreviver que nos consumimos no presente imediato. Para uma grande maioria, o porvir tornou-se um luxo. Fazer planos a longo prazo é uma ousadia a que a grande maioria foi perdendo direito. Fomos exilados não de um lugar. Fomos exilados da actualidade. E por inerência, fomos expulsos do futuro.
(...) O amanhã tornou-se demasiado longe. Mais do que longínquo, tornou-se improvável. Mais do que improvável, tornou-se impensável.

Mia Couto, 2008

sexta-feira, outubro 15, 2010

Chamem-lhe Vandalismo, mas daquele exótico-criativo! Muito bom!


Depois do que a EMEL classificou como «acto de vandalismo», o parque de estacionamento na Rua do Arsenal, em Lisboa, tornou-se na quarta feira um parque de uso «exclusivo» para deficientes. Do dia para a noite, todos os lugares passaram a ter pintado o símbolo respectivo. A rua do Arsenal tem início na praça do Comércio e passa pela Praça do Município, lugares da cidade onde têm sede muitas instituições públicas.



Via SapoNotícias

Pensamento do Dia

 Os sonhos falam em nós o que nenhuma palavra sabe dizer

Mia Couto

quarta-feira, outubro 13, 2010

Em bom português

É (mais) um "Programa" do Governo. De facto, estes senhores começam a ser mais "garotos de programa" do que outra coisa qualquer. Ao que consta é um "Regimento" inspirado no "Programa de Simplificação Legislativa" cujo objectivo é simplificar e clarificar as leis para que sejam mais facilmente interpretadas pelo cidadão comum. É para 2012, ao que parece. Chamam-lhe "Programa Simplegis" e que supostamente evitará o recurso constante de empresas e particulares a advogados. O Sr. Bastonário da Ordem dos Advogados já se insurgiu (pasmem-se!) uma vez que considera que está em causa a "separação de poderes", ou seja, considera que não cabe ao legislador interpretar e aplicar as leis. O documento, ao que consta, vai ao pormenor da utilização dos tempos verbais (privilegia o Presente do Indicativo), proíbe estrangeirismos, tem regras restritas no que respeita à pontuação, utilização de maiúsculas, abreviaturas e siglas, tudo isto é tido em conta no referido "Regimento". 
De facto, sempre fui avessa ao "legislês" muito utilizado pela maioria dos juristas, muitos deles aqueles "especialistas" que vão a programas da televisão ou escrevem artigos em jornal e que utilizam termos que a maioria dos cidadãos (onde me incluo, naturalmente) desconhecem. Ora, o art.º 6.º do Código Civil, cuja epígrafe é "Ignorância ou má interpretação da Lei" diz A ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas. E teoricamente esta é uma medida acertada. 
Mas interpretações à parte, penso que no cerne da questão está em QUEM legisla. Porque o grande problema estará, naturalmente, nesta utilização de termos que não estão ao alcance de todos, mas principalmente no facto de, daquilo que conheço de algumas leis, o legislador (e/ou redactor) pura e simplesmente não saber escrever português. Mais: legisla acerca de temas que desconhece por completo. E se calhar o problema está aí. Portanto, meus caros, provavelmente a solução está em deixarem-se de "jobs" e de "boys" que estão sentados numa cadeirinha (decerto confortável) em Lisboa num qualquer Ministério a "fabricar" leis que muitas vezes ninguém entende nem consegue interpretar, e pedir a pessoas competentes (e de preferência não apenas a "juristas iluminados") que pelo menos ajudem na redacção das leis.

E tenho dito, porque de facto tenho "Programas" mais interessantes para fazer.  

terça-feira, outubro 12, 2010

De chorar a rir...

"1ª classe [no comboio] é muito bom. Atira comida pela janela quando vires pessoas. É super bonito!"

segunda-feira, outubro 11, 2010

Seis Suspeitos, Vikas Swarup

Escrito pelo mesmo autor do célebre "Quem quer ser Bilionário", "Seis Suspeitos" é viciante pelo enredo e surpreendente por conduzir o leitor à mais profunda realidade indiana. Vikas Swarup é um diplomata indiano que, apesar de "privilegiado", aponta o dedo à sociedade indiana e faz um apelo (que é tudo menos velado) a tudo o que está "podre" no país onde agora vive e trabalha. Do livro, é uma estória de ficção com muito de verdadeiro (até porque terá por trás alguma base de verdade), apaixonante pelas personagens que dela fazem parte mas acima de tudo uma crítica ao sistema de castas, à imoralidade política e judicial, a um país onde quem tem poder e dinheiro tem rigorosamente tudo, até o direito a matar impunemente.
Tudo começa com o jovem playboy filho de um influente - e corrupto - político que é absolvido do assassínio de uma jovem empregada de bar que recusa servir-lhe uma bebida. Na festa de comemoração da absolvição, Vicky Rai é assassinado e os suspeitos são todos os que são encontrados com armas escondidas: o pai do playboy, uma conhecida actriz de Bollywood, um profissional ladrão de telemóveis que é apaixonado pela irmã do morto, um jovem duma tribo que procura a pedra Sagrada que lhe pertence, um americano burro e apaixonado, um burocrata corrupto que volta e meia "encarna" Ghandi. O narrador é um jornalista famoso cuja profissão utiliza para denunciar a corrupção dum país onde "até no crime há sistema de castas", que descreve a vida dos seis suspeitos, alguns deles apanhados nesta trama completamente por acaso.

quinta-feira, outubro 07, 2010

Eu ainda sou despedida com justa causa. Ups, por razão atendível...

Numa troca de e-mails com a minha chefe falar em "companheiras de luta" e no e-mail seguinte acabar com "resistir é vencer" é capaz de não ser muito boa ideia. Mas estou assim, num dia revolucionário. Ainda me vou arrepender!

Para que não restem dúvidas...

... depois da quantidade de disparates que li no Facebook, na imprensa e na blogosfera, aqui fica o meu VIVA A REPÚBLICA!

Descobertas

Apesar de já não andar a ver televisão a mais, descobri ontem, nos 10 minutos em que estive na sala à conversa com a família antes de me ir deitar, outra maravilha da Televisão por cabo: existe um remake daquela série maravilhosa da minha infância, mais tarde repetida e dobrada em brasileiro num canal qualquer chamada O JUSTICEIRO. Não sei se ainda se chama assim, mas percebi que o actor principal se chama Michael Knight e o carro é o Kitt, ou seja, igual à série em que o actor principal era o David Hasselhoff. Aparentemente o Kitt andou a par da evolução tecnológica, mas confesso que não consegui ver aquilo mais de dois minutos (os restantes foram passados a rir à gargalhada e a gozar com o Papi porque parou naquele canal, naquela série).
Definitivamente vou tentar não ter Televisão quando me mudar.

quarta-feira, outubro 06, 2010

Update

Tenho andado alheada destas vidas da blogosfera. Podia dizer alienada, também não estaria nada mal. É muita informação. São torcicolos e idas ao Centro de Saúde onde a senhora que me atende me trata por "tu" - não sei se fique feliz pela minha aparente juventude, se chegue definitivamente à conlcusão de que isto anda tudo ao contrário. Foi o concerto dos U2 (um grande concerto), foi a República e festas e mais festas, foram passeios em família que já não aconteciam há uns meses - curiosamente acabamos sempre por ir ao mesmo sítio, mas até é essa a piada da coisa. É olhar à volta e continuar sem perceber (ou perceber cada vez menos) se sou eu que ando ao contrário ou se foi a Terra mudou de sentido de rotação. São mensagens que de tão bonitas me deixam angustiada, são declarações de amizade que mais parecem declarações de amor - e sei tão bem que não são... - são as pessoas, sempre as pessoas. São amigos que me fazem falta porque não estão, são outros que estão e que sei que fariam tanta falta se não estivessem. Tem sido muita trash TV e a consciência de que isto tem de acabar: ando a ver mais de uma hora de televisão por dia e isto é uma média assustadora. Deixemo-nos de estatísticas: é preciso acordar para a vida.