Um “adoro-te” via sms é quanto baste para me fazer sorrir o resto do dia. O resto da semana.
Às vezes não entendo o que há em nós, o que nos move. Às vezes não te compreendo, porque és tão maior do que muitas vezes pareces. Muitas vezes apetece-me bater-te, outras agarrar-me a ti e nunca mais te largar.
As saudades de dizer asneiras bem alto só porque sim. As gargalhadas depois de insultar e ser insultada. O ódio a quem te faz mal e o amor por quem te faz bem. É isso, tão simples: o ódio a quem te faz mal e o amor a quem te faz bem.
Na vida real as aparências estão do outro lado do espelho. Na vida real não me assemelho à simulação das evidências (SG)
quarta-feira, novembro 02, 2011
sexta-feira, outubro 28, 2011
“dêem-me o céu azul e o sol visível. Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim”.
Álvaro de Campos via uma ideia com defeito
Álvaro de Campos via uma ideia com defeito
quarta-feira, outubro 26, 2011
Lost in words
Veio calor de Praga, apesar do frio. As preocupações ficaram (voltaram) com o clima amargamente ameno. Nunca um Verão prolongado soube tanto a desencantamento. A tempestade adapta-se melhor ao estado de espírito. Não sou eu. É este país, esta Europa, este mundo. Um mundo que tem tantas coisas bonitas que fazem parecer que afinal vale a pena, mesmo quando tudo parece perdido.
Perdida. É isso.
Perdida. É isso.
segunda-feira, outubro 17, 2011
Inevitável é a tua Tia!

Sábado, 15 de Outubro de 2011. Várias cidades do mundo aderem ao protesto mundial do movimento dos “indignados”. Em Portugal, várias cidades para além de Lisboa e Porto organizam – como podem – o protesto. Em Coimbra, estava marcado para as 15 horas na Praça da República o início do protesto, e a Assembleia Popular para as 19 horas na Praça 8 de Maio. Passava pouco das 15 horas e lá fui eu. Porque acredito em movimentos apartidários – porque só com esses me identifico – e porque acho que, todos juntos, podemos fazer alguma coisa. Naturalmente que sou obrigada a reconhecer que estas últimas medidas “de austeridade” (um dia, se estiver para ai virada, escreverei sobre isso) serviram para ter a certeza do meu programa de sábado à tarde. Honestamente tinha coisas bem mais interessantes para fazer, mas achei que fazia sentido participar. Dizia eu que cheguei pouco depois das 15 horas, ainda poucas pessoas se viam na Praça, a maioria a pintar cartazes enquanto iam chegando mais alguns “indignados”. Não fiz uma análise profunda, mas fui fazendo a minha análise à medida que o tempo passava e ia falando ao telefone com alguns amigos (sempre ajuda a passar o tempo quando nos apercebemos que não conhecemos ninguém). Comecei por perceber que estavam muitos jovens estrangeiros: apercebi-me de um grupo de espanhóis, de alguns brasileiros, jovens que, suponho, estão a fazer Erasmus ou qualquer tipo de intercâmbio na UC. Jovens que perceberam a importância deste protesto e que, por não poderem participar no seu país, fizeram-no no país que os está a receber. Muitos outros, gerações mais velhas – talvez muitos deles da “geração de Abril” – pessoas da idade dos meus pais, pessoas que se preocupam (ainda que possamos referir que esses também tem a sua parte de responsabilidade no estado das coisas – não é isso que aqui interessa agora) e que fizeram questão de aparecer. Conhecia muitas pessoas de vista, algumas sabia quem eram, outras não sabia mas estavam ali. Eram muito poucas pessoas. À 5ª feira à noite vou à praça da República habitualmente beber um copo: nesta altura do ano, graças à praxe académica ou lá o que é aquilo, vejo mais gente na praça do que vi no sábado. Pergunto onde estão esses estudantes universitários que se lembram de andar a infernizar a vida de caloiros até às tantas da manhã, mas não se lembram que é o futuro deles que está em jogo neste mundo dito globalizado, virado para interesses económicos que em nada contribuem para o bem comum. Pergunto onde estavam os meus amigos de Coimbra, pergunto onde estavam todos aqueles que tantas vezes se insurgem e tão poucas vezes fazem alguma coisa para além de dizerem que estão “fartos”. Fui como indignada, saí dali mais indignada ainda. Sem esperança. Com (ainda mais) vontade de ir embora.
Fotos retiradas de oblogouavida.blogspot.com
sexta-feira, outubro 14, 2011
Leituras
No momento em que caí das nuvens e tomei conhecimento da decisão de Joana de não continuar com a gravidez, e que até já apresentara a demissão ao patrão nessa mesma manhã, abati-me sobre os seus pés e, de cabeça tão baixa e humilde, que a mais não podia, como se ela fosse a deusa dos meus passos, supliquei que me deixasse ficar com a criança, que eu a educava sozinho, que seria um pai exemplar, que lhe prometia o que ela quisessem que lhe daria dinheiro para todas as despesas e mais alguma, que tinha algum dinheiro de parte para a educação e afins, que nunca revelaria a identidade da mãe. E era no corpo dela todos os meus sonhos. E o corpo dela desapareceu no nevoeiro das minhas retinas salientes, que pingavam copiosamente.
Regina Samagaio - "Entrevista de emprego"Há porventura quem acredite que um burro não pensa. Engano seu. Os burros são como os homens. Em ambas as espécies, há alguns dados ao raciocínio.
Emílio Gouveia Miranda – "João, O Trovador"
Maria era uma puta triste porque não sabia o que era o amor. Maria era uma puta rodada, experiente, envelhecida e mal-amada. Gastara o seu corpo no uso dos homens, perdera o caminho das emoções, esvaziara-se de sentimentos à conta de tanto os fingir. Quando deu por si, sentiu-lhes a falta como à casinha de bonecas que tanto quis e nunca teve e amargurou na ausência de um coração que ainda pudesse ser trocado pelo amor.
Maria João Lourenço - “Maria”
sexta-feira, outubro 07, 2011
quinta-feira, outubro 06, 2011
segunda-feira, outubro 03, 2011
Uma Noite Não São Dias, Mário Zambujal
O autor diz do livro "é uma paródia". Mário Zambujal tem uma escrita simples e clara e este livro não é excepção. Passa-se tudo no "esquisito ano de 2044", e MZ conta uma história em que de alguma maneira caracteriza uma sociedade fria, diferente daquela de hoje temos mas que muito facilmente pode caminhar para o que é a sua visão do futuro. Mas não em tudo: 2044 não é, do meu ponto de vista, um tempo tão longínquo que possa conduzir a tantas mudanças. Mais: creio que no meio da narrativa MZ foi pouco cuidadoso nos pormenores que umas vezes referencia, outras vezes parece esquecer-se que o fez.
O autor diz do livro "é uma paródia". Mário Zambujal tem uma escrita simples e clara e este livro não é excepção. Passa-se tudo no "esquisito ano de 2044", e MZ conta uma história em que de alguma maneira caracteriza uma sociedade fria, diferente daquela de hoje temos mas que muito facilmente pode caminhar para o que é a sua visão do futuro. Mas não em tudo: 2044 não é, do meu ponto de vista, um tempo tão longínquo que possa conduzir a tantas mudanças. Mais: creio que no meio da narrativa MZ foi pouco cuidadoso nos pormenores que umas vezes referencia, outras vezes parece esquecer-se que o fez.
É uma leitura rápida e interessante, mas a obra-prima continua a ser a "Crónica dos Bons Malandros", definitivamente.
Tubo de Ensaio parte III, João Quadros e Bruno Nogueira
É uma selecção de textos do Programa com o mesmo nome que passa diariamente na TSF. O próprio Bruno Nogueira diz com a ironia habitual, no prefácio do livro, que foi um exercício de copy-paste. É um conjunto de crónicas com grandes doses de humor, ironia e sarcasmo. Alguns textos são absolutamente brilhantes, e a imaginação e criatividade são constantes. A crítica que fiz à parte I, faço-a na parte III: Os textos não foram revistos, o livro contém demasiadas gralhas. É pena que não tenham aprendido à terceira, e que se verifique efectivamente que foi simplesmente copiar e colar.
Uma óptima escolha para leitura de praia.
Histórias Falsas, Gonçalo M Tavares
É uma recriação de histórias da filosofia. Gonçalo M Tavares fantasia acerca de histórias que conhecemos há séculos. "Não são histórias do género fantástico, mas um homem - de há três mil anos - pode nelas utilizar objectos que ainda não existiam." - palavras do autor. É uma leitura divertida, com grandes doses de humor e ironia. São nove, as "histórias falsas".
quarta-feira, setembro 21, 2011
Obriguei-me a sentir e a sofrer. Talvez residisse aí o grande problema, essa minha mania de me querer convencer que está tudo bem quando não está. Percebi que sou mais transparente do que um copo de vidro, e que “quando estou triste fico mais bonita” – há sempre alguém que me mostra o lado bom das coisas quando eu não o consigo vislumbrar. Há coisas que nos dizem que parecem simples, mas que dizem mais de nós do que somos capazes de aferir: “Estou a pedir-te opinião porque como és uma bruta, sei que vais dizer a verdade”. Eu digo quase sempre a verdade. Mas a verdade dita com o coração às vezes dá nisso. Não me arrependo.
Arrependo-me muito pouco do que faço. De alguma maneira aprendi – não sei onde, ou com quem, mas aprendi – que não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Como não vale a pena sofrer por antecipação.
Não antecipo problemas, como não antecipo soluções. Bem vistas as coisas, não sei se é a melhor maneira de lidar com os problemas, com a vida em geral. Mas nem sempre há outra maneira e, quando há, eu não a escolho.
A vida é feita de escolhas e temos de saber viver com elas. Escolhi sempre não me amedrontar, que é mais ou menos o mesmo que dizer não me acobardar.
Toda a vida odiei cobardes.
Arrependo-me muito pouco do que faço. De alguma maneira aprendi – não sei onde, ou com quem, mas aprendi – que não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Como não vale a pena sofrer por antecipação.
Não antecipo problemas, como não antecipo soluções. Bem vistas as coisas, não sei se é a melhor maneira de lidar com os problemas, com a vida em geral. Mas nem sempre há outra maneira e, quando há, eu não a escolho.
A vida é feita de escolhas e temos de saber viver com elas. Escolhi sempre não me amedrontar, que é mais ou menos o mesmo que dizer não me acobardar.
Toda a vida odiei cobardes.
sexta-feira, setembro 09, 2011
segunda-feira, setembro 05, 2011
Já está
discernir
(latim discerno, -ere, separar, distinguir)
1. Distinguir.
2. Estabelecer conveniente diferença (entre coisas ou pessoas).
3. Discriminar.
4. Conhecer.
5. Julgar.
6. Apreciar.
7. Medir.
8. Avaliar bem.
via Priberam.pt
(latim discerno, -ere, separar, distinguir)
1. Distinguir.
2. Estabelecer conveniente diferença (entre coisas ou pessoas).
3. Discriminar.
4. Conhecer.
5. Julgar.
6. Apreciar.
7. Medir.
8. Avaliar bem.
via Priberam.pt
sexta-feira, agosto 12, 2011
Again and again (não necessariamente por esta ordem)
Be random. Laugh at stupid jokes. Cry. Tell a jerk what you think. Laugh till your stomach hurts.
O Lugar Do Morto, José Eduardo Agualuza
Maravilhoso, lindo, brilhante. Agualuza encarna inúmeros escritores mortos e escreve na pele deles. Uma viagem pela história desses escritores, pontos de vista que se confundem - serão, certamente, os pontos de vista de JEA, mas certamente que teriam pelo menos algum consenso dos visados. Estão mortos mas comentam a actualidade, escrevem sobre os nossos dias e pessoas que nos são próximas: Mia Couto, Ana Moura, Chico Buarque... É talvez o melhor livro de Agualuza, em breve farei algumas citações.
quinta-feira, agosto 11, 2011
quarta-feira, agosto 10, 2011
Música de filme
É pena quase não poder ficar
És quente quando a luz te traz
Quase te vi amor
Quase nasci sem ti
Quase morri
Dentro de mim
Ficas dentro de mim
Por dentro de mim
Estás dentro de mim
Silêncio.Lua.Casa.Chão
És sitio onde as mãos se dão
Quase larguei a dor
Quase perdi
Quase morri
Dentro de mim
(...)
Sempre só mais um homem
Mais humano
Mais um fraco..
Sempre..
Só mais um braço
Mais um corpo
Mais um grito
Sempre..
Dança em mim!
Mundo, vida e fim!
Dorme aqui
Dentro de mim..
É pena quase não poder ficar
No sítio onde as mãos se dão
Quase fugi amor
Quase não vi
Vamos embora daqui
Para dentro de mim
sexta-feira, julho 29, 2011
Farda Fardão Camisola de Dormir, Jorge Amado
Fábula para acender uma esperança
Amado, mais uma vez, romanceia no tempo do Estado Novo. Após a morte de António Bruno, poeta imortal da Academia de Letras Brasileira, surge a questão de quem deve ocupar o seu lugar. O coronel Sampaio Pereira, simpatizante do nazismo; o general Waldomiro Moreira, o rival possível por não se arranjar outro. Todo o romance se passa à volta desta eleição, dos meandros pouco honestos duma eleição em que muitas vezes os meios justificam os fins. Entre tudo isto, um pouco da história do brasil, da vida boémia do poeta António Bruno, da luta contra o fascismo, mulheres, sexo, amantes.
Mais um livro genial e viciante de J.A.
"A moral? Veja: em toda a parte, pelo mundo afora, são as trevas novamente, a guerra contra o povo, a prepotência. Mas, como se comprova nesta fábula, é sempre possível plantar uma semente, acender uma esperança".
Obrigada JG por (mais) esta maravilha!
segunda-feira, julho 18, 2011
As simple as it is
Take a step back. Fucking look at yourself. You are human. You are beautiful. You are so beautiful. And you can be anything. You can be everything. Do not hate because someone broke your heart, or because your parents split up, your best friend betrayed you, your father hit you, the kid down the street called you fat, ugly, stupid, worthless. Do not concern yourself with things you cannot control. Cry when you need to, then let go when it’s time. Don’t hang onto painful memories just because you’re afraid to forget. Let go of things that are in the past. Forget things that aren’t worth remembering. Stop taking things for granted. Stop taking life for granted. Live for something. Live for yourself. Fall in love. Fall out love. Fall in love. Fall out love. Do this over and over until you know what it really is to love someone. Question things. Tell people how you really feel. Sleep under the stars. Create. Imagine. Inspire. Share something wonderful. Make something beautiful and then destroy it. Meet new people. Make someone’s day. Follow your dreams. Live your life to its full potential. Just live, dammit. Let go of all the horrible things in your life and just fucking live. And one day, when you’re old, look back with no regrets.
The other side of Africa
Muitas vezes nem sabemos como existimos. Como resistimos a essa existência às vezes tão estranha. Saem-me por vezes coisas das entranhas, do mais fundo do pior de mim mesma para dizer o que penso, o que sinto, o que quero para os outros. E para mim. E depois há dias em que nos tiram um peso de cima, depois de percebermos o que realmente significa a palavra angústia, o que é ter uma sombra a pairar sobre as nossas vidas. A existência, essa, fica mais ténue e não sei se sei explicar porquê. É como se a existência tivesse uma gradação e nestas alturas existíssemos menos.
Hoje acordei e existo. Ontem foi dia de pôr a conversa em dia e as coisas no lugar. Hoje existo graças a ti.
sexta-feira, julho 08, 2011
O Carderno 1 e 2, José Saramago
São dois livros que se lêem duma assentada, onde o leitor se pode comover, rir e pensar.
Obrigada LG e HL pelo presente apesar de lido tardiamente.
sexta-feira, julho 01, 2011
Pensamento do dia
Light travels faster than sound. This is why some people appear bright until they speak.
segunda-feira, junho 27, 2011
quarta-feira, junho 22, 2011
quinta-feira, junho 16, 2011
segunda-feira, junho 13, 2011
quinta-feira, junho 02, 2011
Deixem Falar As Pedras, David Machado
Valdemar é um adolescente problemático e violento. O seu grande amor é uma adolescente anoréctica, O livro é sobre a vida de Nicolau Manuel, avô de Valdemar. Uma viagem pelo passado que não se passou. As verdades que não o são. Inimigos que nunca o foram. A transmissão de memórias, afinal, deixa muito a desejar. É um livro rasurado, que aguça a curiosidade de quem lê. Foi o primeiro que li do autor e gostei. Venham mais. Eu queria escrever um livro sobre a memória e sobre o passado e também sobre um alfaiate, porque são tudo coisas que me fascinam há anos (enfim, façamos uma ressalva à alfaiataria, que é um interesse recente que se avolumou com a escrita deste livro). D.M.
terça-feira, maio 31, 2011
A mentira não é o pior inimigo da verdade. A dúvida é que é. É a incerteza que arruina tudo, criando buracos nos quais existe espaço para todas as verdades, possíveis e aparentes. É esta maldição da racional mente humana e da sua dita imaginação pródiga, capaz de promover todas as possibilidades para justificar um acontecimento, mesmo os maiores devaneios.
in Deixem falar as pedras, David Machado
Nota: Este post estava para ser escrito há dias. Hoje faz muito mais sentido (talvez não tenha sido por acaso que não tive tempo para o escrever. É o Deus-das-pequenas-coisas). Para ti: há muito espaço para muitos futuros. Que não reste a mínima dúvida.
sexta-feira, maio 27, 2011
Brilhante
Conheço muita gente que anda a trabalhar num romance. Eu, por exemplo, ando a trabalhar num romance, que é um pouco diferente de escrever um romance. Trabalhar num romance confunde-se com a actividade geral da existência. Bebo um café e estou, de algum modo, a trabalhar no romance. Sento-me no autocarro e estou a trabalhar no romance. Fico a olhar melancolicamente pela janela do escritório e estou, mesmo assim, a trabalhar no romance. O romance, esse, não avança, tanto é o trabalho com que o sobrecarrego. Permanece em estado de crisálida, eterna possibilidade onde cabe tudo e não entra nada. É então que encontro outros que, como eu, andam a trabalhar num romance. Resumem intrigas, esboçam personagens no ar, prevêem glórias futuras, prémios Saramago, comendas, capas do suplemento do Expresso. Da crítica esperam que seja justa; dos leitores, que sejam milhares (mulheres novas em idade fértil, sobretudo); dos pares, a invejazinha fatal. Quanto ao romance, há-de aparecer, um dia.
via http://circodalama.blogs.sapo.pt/
segunda-feira, maio 23, 2011
Sempre lidei mal com imensas coisas: despedidas, desilusões, elogios, infortúnio, desgraça alheia... Lido mal com o amor, às vezes. Lido mal com algumas vidas, com alguns problemas, com algumas esperanças. Mas lido muito bem com imensas outras coisas - valha-nos isso - e com boas notícias, ainda que às vezes não pareça.
Venham tantos quantos eu conseguir abraçar. A verde. Verde-esperança.
segunda-feira, maio 16, 2011
quarta-feira, maio 11, 2011
Recebido. Entendido. :)
mas para ti há sempre uma lareira. porque te adoro muito. assim muito mesmo, tanto que nem sei. é assim qualquer coisa que não se explica. podia haver uma razão muito forte para além das óbvias. mas não há. vamos ser sempre assim, até sermos velhinhos, não vamos...?
terça-feira, maio 10, 2011
Coisas que me fazem rir muito II
Luís Rainha, no Vias de Facto e a sua modesta "propôsta"para os senhores do OK-não-sei-quê (sobre o qual escrevi ontem)
segunda-feira, maio 09, 2011
Agora, as coisas sérias
Descobri através dum blogue que volta e meia visito que existe um site que promove a cidadania activa em vésperas de campanha eleitoral. Fui lá, só que me deparei com um "preenchimento de compromisso"em que devemos escolher todas ou algumas das afirmações que lá constam. A coisa até nem começa mal, mas sou desconfiada e antes de clicar no que quer que seja, resolvi ler tudo: pois não acabei a leitura. Coisas como "revogação da educação sexual obrigatória" ou "regovação da lei do casamento [entre aspas!!!!] entre pessoas do mesmo sexo" fazem-me antever que tipo de cidadania é esta. Ide-vos imolar com gasolina da cara e um isqueiro Dupont.
Suspiro
Tem sido muito complicado tentar ser normal. Zangar-me quando é preciso, desaparecer porque é preciso. Vamos andando e vamos vendo.
terça-feira, maio 03, 2011
É isto
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
(...)
Cada um de nós compõe a sua historia
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
Almir Salter
quinta-feira, abril 28, 2011
2.º andar, direito
(...)
é que não é só uma questão de idade
o amor não é o bilhete de identidade
é eu ou tu, seja quem for, ter vontade
de mudar e deixar mudar
Não fales, que o bebé ainda acorda
não grites, que o vizinho ainda acorda
e não me olhes, que o amor ainda acorda
deixa-o dormir o nosso amor, um bocadinho mais
deixa-o dormir, que viveu dias tão brutais
(...)
quarta-feira, abril 27, 2011
depois confessei-lhe, precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de companhia. este resto de vida, américo, que eu julguei já ser um excesso, uma aberração, deu-me estes amigos. e eu que nunca percebi a amizade, nunca esperei nada da solidariedade, apenas a contingência da coabitação, um certo ir obedecendo, ser carneiro. eu precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de amizade.
Valter Hugo Mãe, a máquina de fazer espanhóis
a máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe
Às vezes é um murro no estômago. Outras é duma sensibilidade e beleza impressionantes. Foi o primeiro livro que li de Valter Hugo Mãe e é humano (do meu ponto de vista o que melhor descreve este livro: humano). A personagem central - e narrador - é sr. silva (o de Portugal, porque também havia o da Europa) e a maior parte da acção é passada no lar feliz idade, para onde silva tem de ir após a morte da mulher. São várias viagens: a viagem interior do sr. silva, a viagem pelo Portugal "salazarento" (palavra minha), pelas vidas uns dos outros, os habitantes do feliz idade.
Tentei, o mais possível, ser fiel à escrita do autor. VHM não utiliza maiúsculas. Eu discordo do estilo, se me é permitido.
A ler, sem a mínima dúvida.
quarta-feira, abril 20, 2011
Just words
Hoje - nestes tempos - sou eu que te levo "um pouco do verde que me cerca, o cheiro de terra molhada". Sou muitas vezes implacável contigo, porque já se sabe que é assim que sou. Às vezes temos de sofrer para percebermos que há coisas que temos de mudar. Assusta-me vê-La de olhos molhados de preocupação. Assusta-me ver-te assim. Mas assusta-me mais que não sejas capaz de mudar isso. Desta vez não há ninguém que o possa fazer por ti. Devo-te muita coisa na vida. Quero-te mais-do-que-bem.
Curtas
4 anos de Tia (muito, mesmo muito babada). Duas tartarugas: a Casol e a Falol (não perguntem, também não percebi).
Mira, Lisboa (que inclui sempre um certo Bastard e uma certa Chica-Esperta: e é tão bom!!!)
Impropérios muito altos de vidro aberto só porque parece Verão e queríamos mesmo era abardinar a noite toda (fica para a próxima!). O mini-preço. A cena preta que não posso falar aqui.
Leituras, música, tudo o que me faz bem.
Amigos muito amigos que me enchem os dias e as noites e os sonhos.
Verdades tramadas. Ou que se tramam (non sense, eu sei).
Agora vem a chuva. E o cheiro de terra molhada. E outras muitas coisas... :)
Mira, Lisboa (que inclui sempre um certo Bastard e uma certa Chica-Esperta: e é tão bom!!!)
Impropérios muito altos de vidro aberto só porque parece Verão e queríamos mesmo era abardinar a noite toda (fica para a próxima!). O mini-preço. A cena preta que não posso falar aqui.
Leituras, música, tudo o que me faz bem.
Amigos muito amigos que me enchem os dias e as noites e os sonhos.
Verdades tramadas. Ou que se tramam (non sense, eu sei).
Agora vem a chuva. E o cheiro de terra molhada. E outras muitas coisas... :)
quinta-feira, março 31, 2011
Pimbas!
Ex Skinhead mudou de sexo e candidatou-se ao Parlamento alemão.
Aqui está uma prova daquilo que eu penso (sim, generalizo): estes gajos da extrema-direita têm é medo do que realmente são. Mais do que o ódio pelos outros, acho que é um ódio pessoal, íntimo, por eles mesmos.
Aqui está uma prova daquilo que eu penso (sim, generalizo): estes gajos da extrema-direita têm é medo do que realmente são. Mais do que o ódio pelos outros, acho que é um ódio pessoal, íntimo, por eles mesmos.
Más allá
Más allá de mis miedos,
más allá de mi inseguridad
quiero darte una respuesta
Aquí estoy para hacer tu voluntad,
Para que mi amor sea decirte si, hasta el final
más allá de mi inseguridad
quiero darte una respuesta
Aquí estoy para hacer tu voluntad,
Para que mi amor sea decirte si, hasta el final
segunda-feira, março 28, 2011
Os Subterrâneos da Liberdade III - A Luz no Túnel, Jorge Amado
É o mais violento da triologia. Continua a luta do Partido Comunista Brasileiro (PCB), a clandestinidade, o amor à Pátria e ao partido. O PCB treme com várias prisões cujo objectivo é irradicar os comunistas do Brasil. As torturas - detalhadamente descritas - generalizam-se e tornam este último livro o mais difícil de ler. Há em toda a triologia dois planos: os comunistas na clandestinidade e uma certa classe alta disposta a tudo para manter o seu poder. Há interesses, tramas, medo. Mas há também amor, lealdade e gratidão. Amado não é imparcial - suponho que não pretenda sê-lo - e enfatiza estes sentimentos, o que põe a pensar até que ponto devemos ser leais quando com isso prejudicamos quem nos é mais próximo. É isso o comunismo de Amado nesta triologia: tudo pelo partido, pelos camaradas, pelo país. Os limites são discutíveis, mas a ideia de que o bem comum se sobrepõe sempre ao bem individual não deixa de ser tentadora. quarta-feira, março 23, 2011
Homens das cavernas, podeis ficar descansados!
"Ficam assim excluídos do conceito de pessoa sem-abrigo:
· As pessoas a viverem em edifícios abandonados;
· As pessoas que, não tendo um alojamento que possa ser classificado de residência habitual, no momento censitário estavam presentes em alojamentos colectivos como hospitais, centros de acolhimento com valência residencial, casas de abrigo, etc…
· As pessoas que, apesar de não terem uma residência habitual, no momento censitário se encontravam em alojamentos de amigos ou familiares;
· As pessoas a viverem em abrigos naturais, por exemplo grutas."
via https://censos2011.ine.pt/ecensoswebaux/documentos/QuestConceitos.pdf
· As pessoas a viverem em edifícios abandonados;
· As pessoas que, não tendo um alojamento que possa ser classificado de residência habitual, no momento censitário estavam presentes em alojamentos colectivos como hospitais, centros de acolhimento com valência residencial, casas de abrigo, etc…
· As pessoas que, apesar de não terem uma residência habitual, no momento censitário se encontravam em alojamentos de amigos ou familiares;
· As pessoas a viverem em abrigos naturais, por exemplo grutas."
via https://censos2011.ine.pt/ecensoswebaux/documentos/QuestConceitos.pdf
segunda-feira, março 21, 2011
Cenas que me passam pela cabeça só porque sim
Hoje é o dia "censitário" (aposto que foi um sociólogo, amante dos conceitos idiotas, que inventou esta), ou seja, o dia a que se devem referir as perguntas dos Censos. Perguntavam se eu dormiria em casa nesse dia. Tive de responder que não. Estou imensamente preocupada com o que os senhores dos Censos vão pensar de mim...
Adenda: reservo-me o direito de apagar qualquer comentário idiota a este post, já por si suficientemente idiota.
Da brutalidade
(...) Sabes, A. eu gostava de ti. Não era propriamente um amor insuportável, daquele que dói - há muito que não sinto esse amor. Era mais qualquer coisa que nos tornava íntimos, essa relação de cumplicidade. Eram verdadeiros todos aqueles sorrisos que lançávamos um ao outro. Tantas gargalhadas, tanta alegria quando nos juntávamos. Não era amor, se calhar não. Mas quem precisa de amor quando tem pessoas assim ao seu lado?
Sabes, A., contigo era tudo muito mais fácil. Talvez por isso - ou até por isso, não sei - não precisávamos de dizer muito. Nem muitas vezes. O tempo que tínhamos, muito ou pouco, era de qualidade. E isso bastava.
Tenho saudades tuas, A. Cada dia que passa tenho mais. Vou aprendendo a viver com isso, como se não houvesse solução, ainda que saiba que há. Mas a solução que vislumbro não é um caminho, e portanto vou-me tentando habituar. Tenho dias em que tudo é mais simples, outros que de tão impossíveis parecem sonhos maus. E sabes bem o quanto eu detesto sonhos maus. Aqueles que não são bem pesadelos, tu sabes. (...)
sexta-feira, março 18, 2011
quinta-feira, março 17, 2011
é mais ou menos isto o que penso sobre esta "polémica"
A lata tem os dias contados, por Pedro Correia:
Ver artigo completo aqui.
Tanto barulho para nada. Andam os espíritos muito alvoroçados porque um simpático duo intitulado Os Homens da Luta, composto pelos irmãos Jel e Falâncio, venceu o Festival RTP da Canção com um tema “revolucionário”. Que horror. As tias “socialistas” tremem de indignação: que mau aspecto, que falta de chá, a imagem portuguesa ficará manchada por estes nossos representantes no certame da Eurovisão, a realizar em Düsselforf.
Ver artigo completo aqui.
sexta-feira, março 11, 2011
Daniel Oliveira, a propósito da manifestação de amanhã. Importante ler o artigo todo.
Estou seguro que a esmagadora maioria dos que vão protestar sabe de que lado está na luta que se trava nestes tempos difíceis. Que não se esqueçam de o dizer. Se no dia seguinte todos aplaudirem a manifestação, saberá quem lá foi que falhou o seu objetivo. Só é consensual o que é inútil. Ou o que é reciclavel para todas as agendas.
Podem tentar deturpar os objectivos da Manifestação. Podem dizer que é a esquerda, a direita, o que quiserem. Os objectivos são claros. Amanhã, lá estarei.
quinta-feira, março 10, 2011
Um Grito de Amor Desde o Centro do Mundo, Kyoichi Katayama
É mesmo isso: um grito de amor. Katayama é, supostamente, o escritor japonês mais lido no mundo e este romance, o mais lido de todos os tempos. Duas personagens centrais que se conhecem na infância e vivem um amor efémero na adolescência: Aki e Sakutarô. O romance avança e recua no tempo, de uma forma bastante perceptível para o leitor. As descrições são muitas, mas não excessivas e sempre criativas. Há uma união entre a vida e a morte, há poesia na prosa. Não o posso considerar uma obra-prima, mas é, sem dúvida, um livro recomendável.
sexta-feira, março 04, 2011
quinta-feira, março 03, 2011
Actualidade
João Moreira de Sá (arcebisposarrafeiro) responde, no 31 da Sarrafada, a Mário Soares e ao seu artigo no DN. Eu (claro que) não faria melhor. Toma lá que já levaste. E para a próxima tenta ser um bocadinho menos arrogante e informa-te melhor junto de quem sabe, nomeadamente junto dos "anarquistas" ou lá o que é.
quarta-feira, março 02, 2011
Pensamento do dia
Se desconfiarmos de nós próprios, desconfiamos sempre dos outros. Tão simples quanto isso. Se rimasse, podia ser um provébio.
José Luís Peixoto
José Luís Peixoto
Livro, José Luís Peixoto
A genialidade de um autor, a obra. "Livro" é uma viagem aos anos 60 numa aldeia perto de Coimbra. Emigração, Paris, Portugal profundo. Divide-se em dois grandes capítulos, em tempos diferentes. O narrador envolve-se - a história é dele, pertence-lhe como a nós pertence a história de nossos pais. "A mãe pousou o livro nas mãos do filho" assim começa, mas continua numa aldeia de pessoas como as outras, de segredos e verdades como em todos os sítios. Várias partidas para França, as dificuldades e a miséria de quem a viveu, de quem teve de viver nos bairros pobres de Paris, de quem nunca esqueceu Portugal. A minha personagem: Josué. Pelo amor que tem e que dá.
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Diálogos
- Em teoria é um género de que não gostaria muito. Mas gosto imenso dele.
- Em teoria sai-te sempre tudo ao lado, também.
Duas pessoas a rirem-se de mim à gargalhada. Vocês têm a mania que são chicos-espertos. Bastards.
- Em teoria sai-te sempre tudo ao lado, também.
Duas pessoas a rirem-se de mim à gargalhada. Vocês têm a mania que são chicos-espertos. Bastards.
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
Descobre-se que se tem de mudar de cor de pó quando...
para me identificarem dizem: "é aquela sua colega loira, muito bonita e de pele morena...". Está visto que o 53 não é uma boa cor.
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
Metade
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...
Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.
Oswaldo Montenegro (obrigada, I.!)
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...
Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.
Oswaldo Montenegro (obrigada, I.!)
Palavras
Mar. Lareira. Filme. Chuva. Vento. Manta. Pinhas. Madeira. Estalido. Chá. Som. Só. Garagem. Lenha. Jazz. Ondas. Granizo. Botija. Frio. Cigarros. Vinho. Sorriso. Sonho. Calma. Livro. Quente.
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
ai portugal, portugal...
(...)
No meu portugal há um Estado absolutista que me impõe regras que nem deviam ser legais. Que me obriga a passar recibos verdes online,. Que me obriga e entregar o IRS online. Mas que depois não é capaz de me deixar votar online, pois se nem ainda chegou à fase de conseguir condições técnicas de eu conseguir saber o meu novo número de eleitor online para poder votar! (porque no meu portugal eu sou obrigado a pagar um cartão de cidadão - a cidadania paga-se - e um novo número de eleitor mas o meu portugal não tem quaisquer obrigações para comigo, nem de me informar em devido tempo que novo número de eleitor Comprei).
por arcebisposarrafeiro
No meu portugal há um Estado absolutista que me impõe regras que nem deviam ser legais. Que me obriga a passar recibos verdes online,. Que me obriga e entregar o IRS online. Mas que depois não é capaz de me deixar votar online, pois se nem ainda chegou à fase de conseguir condições técnicas de eu conseguir saber o meu novo número de eleitor online para poder votar! (porque no meu portugal eu sou obrigado a pagar um cartão de cidadão - a cidadania paga-se - e um novo número de eleitor mas o meu portugal não tem quaisquer obrigações para comigo, nem de me informar em devido tempo que novo número de eleitor Comprei).
(...)
O meu portugal revolta. Parece que revolta a todos mas de formas diferentes. A uns causa revolta a classe política, assim, por inteiro; a outros causa revolta viver num país em "que para ser escravo é preciso estudar"; ainda a outros causa maior revolta que uma música possa estar a espelhar essa revolta (ainda se fosse do Zeca...). Mas como é que se revolta uma "geração sem remuneração"? "Vão sem mim que eu vou lá ter" que agora estou aqui no conforto do sofá a ver a revolução no Egipto na Aljazeera porque hoje somos todos egípcios!
Somos todos egípcios o CARA...ças! Eu não sou! Não sou porque me recuso a, com a minha passividade, insultar um povo que agiu, em vez de calar em angustia a revolta; agiu, quando percebeu que não se chega a lado nenhum com cantigas, nem com palavras; agiu, quando em vez de escrever desabafos estéreis (assim como este), levantou o AlCú do al-sofah e decidiu fazer alguma coisa: pedir um Egipto para eles.
Nós temos lá tempo e paciência de exigir um Portugal com P maiúsculo (ou mesmo um Egipto com Pê) para nós! isso envolve manifs e assim. E nas manifs há muita gente. E depois não há lugar para estacionar o carro.
por arcebisposarrafeiro
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Jogo
Mais um dia em vão
No jogo em que ninguém ganhou
Dá mais cartas, baixa a luz
E vem esquecer o amor
És tu quem quer
Sou eu quem não quer ver
Que tudo é tão maior aqui
Está frio demais para apostar em mim
Vê que a noite pode ser
Tão pouco como nós
Neste quarto o tempo é medo
E o medo faz-nos sós
És tu quem quer mas eu só sei ver
Que o tempo já passou e eu fugi
Que aqui está frio demais p'ra me sentir
Mas queres ficar
Tudo o que é meu
É tudo o que eu não sei largar
Queres levar
Tudo o que é meu
É tudo o que eu não sei largar
Vem rasgar o escuro desta
Chuva que sujou
Vem, que a água vai
Lavar o que me dói
Vem, que nem o ultimo a cair
Vai perder
Milagrário Pessoal, José Eduardo Agualusa
Agualusa é um grande defensor do Acordo Ortográfico, eu ainda sou resistente, apesar de compreender os seus argumentos - provavelmente acabarei por me render.
Ainda sobre o livro, Bruno Vieira Amaral escreveu, entre outras coisas, que Palavras também são poder, política no sentido mais lato. Podem significar insubmissão, como no caso do timorense que declamava sonetos de Camões. Podem siginificar afirmação nacionalista, como no caso das elites brasileiras que passaram a utilizar apelidos de origem tupi. Podem significar subversão, como o colonizado que pretende colonizar a língua do colonizador para assim o dominar.
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
Rir é mesmo o melhor remédio...
No meio duma troca de e-mails, normalmente parvos com algumas coisas sérias à mistura (esta não é a parte séria!)
Vou comprar comida que aqui em África dizem que há fome!
Não percebo porquê!
É só ir ao supermercado.
Vou comprar comida que aqui em África dizem que há fome!
Não percebo porquê!
É só ir ao supermercado.
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Brilhante
Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Agora, o humor
Passo o fim-de-semana sozinha em casa, como tantas vezes acontece (e ainda bem) apenas com a companhia do meu fiel canídeo. Toca o telefone fixo:
(Pessoa) - É da casa do ****? (não vale a pena escrever o nome do Papi, mas era por ele que procuravam).
(Eu) - É sim, mas ele não está.
(Pessoa)- Quem está a falar? É a filha que já tem meninos?
(Eu) - Não, é a irmã.
(Pessoa) - Ah... Daqui é a ****, então tu ainda és solteira? (o negrito e sublinhado pretendem demonstrar o tom entre o incrédulo e o crítico, não tive a capacidade de discernir).
(Eu, depois de um ligeiro ataque de riso) - Sou, sou. Mas de qualquer maneira se quiser falar com o Pai pode ligar no Domingo à noite.
Contei aos meus pais o maravilhoso telefonema, fui gozada mais ou menos durante meia hora. É bom rir em família.
(Pessoa) - É da casa do ****? (não vale a pena escrever o nome do Papi, mas era por ele que procuravam).
(Eu) - É sim, mas ele não está.
(Pessoa)- Quem está a falar? É a filha que já tem meninos?
(Eu) - Não, é a irmã.
(Pessoa) - Ah... Daqui é a ****, então tu ainda és solteira? (o negrito e sublinhado pretendem demonstrar o tom entre o incrédulo e o crítico, não tive a capacidade de discernir).
(Eu, depois de um ligeiro ataque de riso) - Sou, sou. Mas de qualquer maneira se quiser falar com o Pai pode ligar no Domingo à noite.
Contei aos meus pais o maravilhoso telefonema, fui gozada mais ou menos durante meia hora. É bom rir em família.
Vá-se lá entender
Dou por mim a escrever na plataforma onde insiro a informação dos diagnósticos que faço às pessoas, informação essa que ninguém lê mas tem de estar lá, que como todos os Adultos nesta situação, o facto de virem a ter formação durante o dia impede-os de trabalhar na agricultura, fonte de subsistência independentemente do facto de receberem Rendimento Social de Inserção, uma vez que este valor não lhes permitiria subsistir sem os alimentos que conseguem tirar da terra. Apesar disso, a Adulta em questão tem motivação, pelo menos no que respeita à possibilidade do reconhecimento de competências, ainda que parcial, por ser um percurso mais flexível e que lhe permitiria conjugar o seu trabalho doméstico com a possibilidade de aumentar as suas qualificações.
Este trabalho às vezes é tramado.
quarta-feira, janeiro 26, 2011
...
Ele - Precisas duma causa, é isso. Andas sempre à procura de qualquer coisa para defender, mesmo que seja a que te pareça menos importante.
Ela - Vai gozar. Até parece que ando para aí de bandeira em riste a lutar por qualquer coisa.
Ele - Andas. E sabes bem que andas. Não sabes fazer outra coisa, só que te está de tal maneira no sangue que nem te apercebes. As bandeiras estão no coração, sabes disso, não sabes?
Ela - Porco. Vai-te lixar, que eu vou dormir com uma bandeira enfiada na cabeça.
Ela - Vai gozar. Até parece que ando para aí de bandeira em riste a lutar por qualquer coisa.
Ele - Andas. E sabes bem que andas. Não sabes fazer outra coisa, só que te está de tal maneira no sangue que nem te apercebes. As bandeiras estão no coração, sabes disso, não sabes?
Ela - Porco. Vai-te lixar, que eu vou dormir com uma bandeira enfiada na cabeça.
Os Subterrâneos da Liberdade II - A Agonia da Noite, Jorge Amado
É o segundo da Triologia que versa sobre os tempos da ditadura de Vargas no Brasil. É, como o primeiro volume, uma incursão histórica que ajuda a perceber uma parte fulcral da história do Brasil. Amado cria mais um romance através da história, mostra dois mundos (pelo menos) que à época se degladiavam - os que lutavam pelos direitos da classe operária e a burguesia que aspirava poder e dinheiro a qualquer custo. Não será um livro imparcial, nem pretenderá sê-lo.
Muitas das personagens se mantêm, outras aparecem. Doroteu, o negro estivador do porto que casa com Inácia, uma mulata que acaba por ser "a bandeira" da greve (o adjectivo bandeira não foi escolhido ao acaso). Ambos se unem pelo amor e por uma causa, Inácia morre a defender a causa.
Mariana e Manuela são duas peças centrais de ambos os lados da barricada: a primeira, comunista assumida e que vive para o partido. Manuela, que priva com esse lado burguês da sociedade brasileira (apesar das origens humildes) e que acaba por ser vítima da hipocrisia e mau carácter dos que a rodeiam.
Há também elementos dentro do Partido Comunista que traem, há greves, há mortes, prisões, repressão. Há uma enorme vontade de alguns para mudar esse Estado Novo, que presta vassalagem a Hitler e a Franco, que abre as portas aos americanos e que reprime o seu povo. Há, acima de tudo, uma causa.
quarta-feira, janeiro 19, 2011
Quotidiano
Fazes-me 50 perguntas por dia, 25 das quais eu não quero responder e as outras 25 são a repetição, com variações, das primeiras 25 às quais não quero responder. Fazes perguntas de resposta óbvia, e voltas a perguntar até ouvires a resposta que queres ouvir - coisa que quase nunca acontece. Tenho dias em que isso me tira do sério, outros em que resolvo rir-me. Em breve tudo será mais simples.
terça-feira, janeiro 18, 2011
Viragem
Resolvi que ia deixar de ser tudo o que odeio e que tenho sido: centrada e mim, nos meus problemas, no que me provoca náuseas e às vezes desespero. Fui, por alguns dias - muitos! - tudo o que desprezo. Os problemas não são únicos, mas são os meus: a casa, o empréstimo, as dúvidas, os amigos que não foram (e que pelos vistos não são), a família, o trabalho, o Inverno - a merda do Inverno. Estive virada para dentro, no meu mundinho idiota em que tudo está ao contrário menos eu. Evitei escrever. Hesitei em falar (eu, logo eu...). Ausentei-me de mim, na verdade. Não me perdoaria nunca se assim fosse durante mais tempo. Estou de volta.
PS - este post é o primeiro a que não dou permissão para comentários. Porque contra factos não há argumentos.
terça-feira, janeiro 11, 2011
Tão simples, por Bruno Vieira Amaral
via A Douta Ignorância
O que seria de nós sem os comentários esclarecidos nos sites da imprensa? O homicídio…não, homicídio tem uma carga demasiado negativa, o acto de justiça que se abateu sobre Carlos Castro é de uma transparência cristalina. A “vítima” era uma bichona, um velho nojento, praticamente um pedófilo, que se aproveitou da inocência depilada de um rapazinho (tão bonito que ele é, e gosta de mulheres, tinha resmas delas), uma ingénua criatura de Cantanhede (em Cantanhede não há paneleiros, ora essa), um anjinho de Deus que vendeu a alma ao Diabo em forma de um sexagenário gordo e feio. O porco seduziu a pobre criança cujo único pecado era ter um sonho e lá foi ela atrás do sonho agarrada às calças do maricas. Estava mesmo a pedi-las. Estão todos a pedi-las. Andam para aí a meter-se com rapazinhos exemplares que até praticam desporto e sorriem aos concidadãos e estão à espera do quê? E nem se sabe se não foi a “vítima” a provocar a situação ou até mesmo a pedir para que o jovem lhe fizesse aquelas coisas, porque homens daqueles são uns pervertidos. Quem nos garante que a “vítima” não tentou coagir o rapazinho, que não tentou obrigá-lo a fazer coisas que este não queria e que o rapazinho, ferido no seu orgulho heterossexual, apenas se defendeu, espancando o verdadeiro agressor durante uma hora, enfiando-lhe um saca-rolhas no olho e cortando-lhe os tomates? Seria muito diferente se em vez de um paneleiro velho, estivéssemos a falar de um septuagenário heterossexual que andasse com uma “dançarina” brasileira (puta, claro está, porque estas são muito sabidas e querem é subir na vida porque lá na terra delas passam fome). Já se sabe que estas atrevidas só andam atrás deles pelo dinheiro e que eles aproveitam (quem é que, podendo, não aproveitaria?) para ferrar o dente em carne fresca, e fazem eles muito bem, provando a macheza do garanhão lusitano que nem no leito de morte perde a tusa. É tudo tão simples: a culpa é sempre dos maricas e das putas.
segunda-feira, janeiro 10, 2011
A Chama Pura de William Blake, Tracy Chevalier
Autora de "A rapariga do brinco de pérola", Tracy Chevalier descreve Londres do sec. XVIII enquanto narra uma história fascinante duma famíla de província que se muda para a capital. Personagens improváveis, o Circo, a vizinhança... e William Blake. Numa altura em que as notícias da Tomada da Bastilha percorriam toda a Europa, começa a sentir-se na vida londrina um certo temor das autoridades relativamente a um possível contágio em Inglaterra dessa "terrível aliança contra o Rei". Há pessoas perseguidas, o medo está instalado. No meio disto, a família Kellaway e a história do tempo em que estiveram imigrados em Londres. William Blake, poeta simpatizante da Revolução Francesa, é vizinho dos Kellaway e acaba por ajudar e ser ajudado pelos quatro membros da família. William Blake existiu realmente: foi tipógrafo, poeta e pintor. Oferece a Jem e Maggie - a minha personagem, porque eu tenho sempre uma! - as "Canções de Inocência" e "Canções de Experiência", editados em conjunto em Portugal pela Assíro & Alvim.
sexta-feira, janeiro 07, 2011
Preocupação
Ando cansada. Não vejo televisão, a política deixa cada vez mais de me interessar. Ando, como penso que a maioria dos portugueses, farta. Parece que anda tudo a precisar duma revolta, queremos todos mudanças e não há mudança à vista. O Presidente ou Candidato (fiquei na dúvida, mas uma vez que são uma e a mesa pessoa, não sei qual é a questão) Cavaco vetou a lei que simplifica para os transexuais a mudança de nome próprio no registo civil. Preocupa-me, mais do que o veto - porque sei bem que o senhor esteve pelo menos uma semana com azia com a promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo - que isto não me preocupe. Ando virada demais para o meu umbigo, deve ser isso. Alegre anda a pisar terreno escorregadio e temo que vá levar uma bela duma abada nestas eleições - confesso que no meu íntimo ainda acho que é capaz de levar Cavaco à segunda volta e que muito provavelmente não será com a minha ajuda.
Dos outros nem falo: Defensor de Moura, nunca o ouvi e nem me apetece; Nobre já me irrita; F. Lopes se lhe ouvi uma frase foi muito; o Coelho da Madeira só me faz rir. Politicamente, é assim: vácuo.
quarta-feira, janeiro 05, 2011
A propósito dos defensores das touradas e afins
Que fique bem claro: não sou e nunca serei vegetariana. Gosto de quase todo o tipo de carne e por alguma razão existe Roda dos Alimentos. Portanto não me venham os defensores das touradas e de outros espectáculos degradantes (mais para o homem do que propriamente para os animais) com o discurso do que se come, e que se mata para comer. É que é uma questão, para mim, do mais simples que há.
Não aceito que se usem animais - e principalmente o seu sofrimento - para um espectáculo bárbaro (sim, aqui sou tudo menos tolerante), onde nem há o espírito de jogo em que ou se ganha ou se perde. Na tourada, perde sempre o mesmo, ainda que de vez em quando o "lado mais forte" saia um bocadinho humilhado. Não é uma relação justa, não há duas partes com poderes semelhantes. E portanto não há justiça. Há argumentos que me recuso a discutir, como "o touro não sofre" ou "a carne é aproveitada" porque de tão idiotas que são, far-me-ia uma pessoa igualmente idiota tentar deitá-los abaixo.
Abaixo as touradas, pois. Sim, eu como caça (e que bem que me sabe) e até aceito a caça como um desporto com um objectivo: comer o que se caça. Não é verdadeiro o caçador que mata para ter o maior número de peças e depois as deita - ou parte delas - fora. Primeiro, porque há fome neste mundo. Neste país. Aqui ao lado, mesmo. Depois porque se assim for, a caça per si deixa de fazer sentido.
Sim, adoro arroz de cabidela, adoro tordos, perdizes e pombos. Adoro coelhinho, adoro entrecosto. Desde que não se faça da morte dos bichos um espectáculo e se provoque o seu sofrimento para nosso bel' prazer.
terça-feira, janeiro 04, 2011
Da amizade
A propósito duma visita à minha pessoa no fim-de-semana:
"Queria tanto usar o meu carro novo... e ver-te tb, mas menos."
Obrigada pelo ataque de riso que me provocaste :)
"Queria tanto usar o meu carro novo... e ver-te tb, mas menos."
Obrigada pelo ataque de riso que me provocaste :)
sexta-feira, dezembro 31, 2010
Ano Novo
Não ligo nenhuma, apesar de acabar sempre por (tentar) deixar a casa arrumada. Amanhã é só amanhã. Não deixo de fazer projectos - como quase todos os dias - nem deixo de guardar esperanças. Venha daí 2011, estou de peito aberto! (sempre que digo/escrevo isto soa-me um bocado mal - também não podia deixar de abardinar um bocado...)
quarta-feira, dezembro 29, 2010
O poder dos blogues
Não se fala de outra coisa (fala, mas eu gosto de exagerar) na blogosfera: a Ensitel, a liberdade de expressão, Maria João Nogueira e telemóveis, reclamações, enfim, toda uma panóplia de notícias e comentários que, em primeiro lugar, me deram alguns ataques de riso e, em segundo lugar, me fazem crer que ou isto anda tudo doido ou então não sei (de facto há muita coisa que não sei). Resumindo, a "famigerada" co-autora dum blogue que vou seguindo com mais ou menos atenção, publica em 2009 e depois, sempre que se justificou, uma história quase anedótica dum (já célebre) telemóvel que foi adquirido já com defeito. Depois de reclamações, Tribunal Arbitral - e um personagem que identifico, não por conhecer aquele especificamente, até porque a autora não diz o nome do Ilustre Magistrado, mas por reconhecer-lhe tantas semelhanças com tanto do que penso e vejo na Justiça e nos tribunais - enfim, depois de uma autêntica telenovela, foi "intimada" pelos advogados da empresa a APAGAR o que escreveu nos seus blogues acerca da Ensitel. Entretanto fui espreitar os comentários no blogue, e se aquilo não é de chorar a rir, não sei.
Primeiro são os que concordam, que lhe dizem para ir "para a frente com esta luta" como se de um caso de vida ou morte se tratasse. Depois são os funcionários da Ensitel que não sabem escrever - é com cada "calinada" que até magoa - e que não são muito entendidos nestas coisas que vão para lá insultar a senhora sem se lembrarem que os autores do blogue podem - se quiserem - ter acesso aos IP's de quem os visita, tendo a autora verificado que se tratava dum IP da Ensitel. Não contentes, uma das supostas funcionárias da empresa escreve via e-mail à autora (e-mail esse que a mesma faz questão de publicar) a insultá-la do pior que há.
Nestes últimos tempos tenho tido o azar (ou algumas empresas tiveram o azar de me apanhar à frente, não sei) de ter de fazer algumas reclamações - já fui "comida por parva" tantas vezes que houve um dia que disse "basta" e reclamo sempre que acho que tenho razão (sim, reconheço que é quase sempre - depois auto-flagelo-me porque sou arrogante, agora não me apetece). Desde que o comecei a fazer que percebi que as reclamações - pelo menos em algumas empresas - resolvem muitos problemas (os meus, até ver, têm sido resolvidos).
A notícia já chegou aos jornais, ao Facebook e ao Twitter. Acho que andamos todos com vontade de bater em alguém, a Ensitel teve azar, mas de facto em vez de dar uma porcaria dum telemóvel novo à senhora, optou por pagar a advogados para a ameaçarem. Está a correr-lhes mal, e eu não tenho pena.
terça-feira, dezembro 28, 2010
Da amizade
Manda-me uma carta em correio azul
para eu guardar no castanho dos armários
no meio de testemunhos vários
escritos por letras tão distantes
murmúrios amantes
que a vida me oferece
só por muito amar
Sérgio Godinho
Hoje mandei-te uma carta em Correio Azul. Mais um dos meus presentes no mínimo... improváveis.
para eu guardar no castanho dos armários
no meio de testemunhos vários
escritos por letras tão distantes
murmúrios amantes
que a vida me oferece
só por muito amar
Sérgio Godinho
Hoje mandei-te uma carta em Correio Azul. Mais um dos meus presentes no mínimo... improváveis.
1%
Segundo o parecer do Tribunal de Contas sobre a Conta Geral do Estado desse ano, ontem divulgado[dia 22 de Dezembro], 61 por cento dos 2,2 mil milhões de euros foram para a banca, 36 por cento para as empresas e um por cento para o apoio ao emprego.
in Público a 23/12/2010
Vou abster-me de qualquer tipo de comentário: isto é 1% do que poderia dizer.
segunda-feira, dezembro 27, 2010
Foi o primeiro Natal sem ti. Todos te lembrámos, pouco se falou dessas lembranças - há coisas que ainda custam muito a engolir. Todos os anos vivo o Natal à minha maneira, uma maneira diferente de todos. Para eles, é Família (e não há nada mais cristão que isso). Eu não vivo mais nem menos, só penso de maneira diferente. Este ano, mais do que celebrar o nascimento do Menino (que se fez um grande homem) acabámos por te celebrar, na tua ausência, mas em silêncio entre conversas e gargalhadas. É o Natal dos simples, duma ausência que não se cura mas que se vive como se pode.
quarta-feira, dezembro 22, 2010
Os Subterrânos da Liberdade I - Os ásperos tempos, Jorge Amado
Uma crítica feroz ao regime ditatorial Brasileiro, o também chamado "Estado Novo" sob a égide de Getúlio Vargas. Jorge Amado descreve dois lados duma sociedade em ebulição: de um lado o poder (e a noção de que as grandes decisões são tomadas longe do ditador) e de outro a oposição, comunistas convictos que dedicam a vida à causa que acham justa. O romance começa antes do golpe de 1937 com alguns acontecimentos que marcaram o Brasil nesta época - expectativas de uns, receios de outros e termina ainda com Vargas no poder. São inúmeras as personagens, divididas por dois "lados da barricada", algumas altamente superficiais e outras com uma densidade quase estonteante - curiosamente das personagens femininas do romance.
A minha personagem: o Velho Orestes, um ex-anarca, italiano (que pragueja, como pragueja!!!) homem de enorme coração e paternal. Morre pela sua causa e não há morte mais poética do que esta.
Há muita ideologia (e conflito ideológico) nesta obra, não tanto no que respeita ao óbvio - pela ou contra a Ditadura - mas também (e provavelmente principalmente) dentro da luta operária, comunistas convictos que por vezes põem em causa os meios e outras (menos) vezes os fins.
É o primeiro da triologia que a D. Quixote lança juntamente com toda a obra revista de Jorge Amado.
sexta-feira, dezembro 17, 2010
Eu, completamente eu!
Eu às vezes não sei o que hei-de dizer
sou refém da palavra que me quer fugir
prendo o salto no verbo que deve ser
ou tropeço no nome a seguir
(desato a rir
não lembro de mais nada
eu desato a rir
o fio escapa à meada
eu desato a rir
e sim, e coisa e tal
eu sei lá)
Tiago Torres Silva
sou refém da palavra que me quer fugir
prendo o salto no verbo que deve ser
ou tropeço no nome a seguir
(desato a rir
não lembro de mais nada
eu desato a rir
o fio escapa à meada
eu desato a rir
e sim, e coisa e tal
eu sei lá)
Tiago Torres Silva
quinta-feira, dezembro 16, 2010
ADEUS TRISTEZA, ATÉ DEPOIS
Já dizia o poeta que "é melhor ser alegre que ser triste", mas isso não faz com que seja fácil ser Alegre. Não é fácil ser Alegre.
Um alegre candidato tem que calar a opinião de um alegre deputado o que choca com um alegre poeta que ninguém cala. Ora quando quem cala o alegre poeta - e o alegre deputado, e o alegre socialista, e o alegre dono do anti-fascismo - é ele próprio, perde-se a alegria e a coisa faz curto-circuito.
Um alegre livre pensador de esquerda, defensor dos direitos dos trabalhadores, que de forma louçãnica se revoltou contra a política do Sr. José precisa agora do apoio do Sr. José e dos amigos do Eng.º José, mas não pode concordar com as políticas do Sr. José, mas também não pode dizer que não concorda... nem dizer que concorda... e a coisa faz curto-circuito.
Uma alegre personificação da luta anti-fascista pela liberdade não pode pactuar com quem aprove em segredo voos da CIA, o que é uma chatice quando é a quem o apoia que se atribuem essas práticas menos transparentes... e é quem também o apoia mas mais em bloco quem condena estas práticas menos transparentes... e o eu alegre que ninguém cala não pode dizer ai... nem ui... e a coisa faz curto-circuito.
Não é fácil ser alguém que ninguém cala e não poder dizer o que quer que seja. Fica-se meio encavacado...
via http://31dasarrafada.blogs.sapo.pt/ por arcebisposarrafeiro
Pois é. Estou a ficar com sérios problemas...
Já dizia o poeta que "é melhor ser alegre que ser triste", mas isso não faz com que seja fácil ser Alegre. Não é fácil ser Alegre.
Um alegre candidato tem que calar a opinião de um alegre deputado o que choca com um alegre poeta que ninguém cala. Ora quando quem cala o alegre poeta - e o alegre deputado, e o alegre socialista, e o alegre dono do anti-fascismo - é ele próprio, perde-se a alegria e a coisa faz curto-circuito.
Um alegre livre pensador de esquerda, defensor dos direitos dos trabalhadores, que de forma louçãnica se revoltou contra a política do Sr. José precisa agora do apoio do Sr. José e dos amigos do Eng.º José, mas não pode concordar com as políticas do Sr. José, mas também não pode dizer que não concorda... nem dizer que concorda... e a coisa faz curto-circuito.
Uma alegre personificação da luta anti-fascista pela liberdade não pode pactuar com quem aprove em segredo voos da CIA, o que é uma chatice quando é a quem o apoia que se atribuem essas práticas menos transparentes... e é quem também o apoia mas mais em bloco quem condena estas práticas menos transparentes... e o eu alegre que ninguém cala não pode dizer ai... nem ui... e a coisa faz curto-circuito.
Não é fácil ser alguém que ninguém cala e não poder dizer o que quer que seja. Fica-se meio encavacado...
via http://31dasarrafada.blogs.sapo.pt/ por arcebisposarrafeiro
Pois é. Estou a ficar com sérios problemas...
terça-feira, dezembro 14, 2010
Simplicity
Dizem-me para não me preocupar, que tudo volta ao seu lugar. Não entendem - nem sei se entenderão algum dia - que eu não quero que volte tudo ao mesmo sítio. É andar em círculos, é estúpido. Sim, é estúpido.
Talvez não seja preciso explicar mais nada. Não me darei a esse trabalho, hoje.
Talvez não seja preciso explicar mais nada. Não me darei a esse trabalho, hoje.
segunda-feira, dezembro 13, 2010
Voos
Passei a guardar expectativas na cave do meu cérebro e percebo que não há nada melhor do que não esperar nada de ninguém. Há coisas que sabemos que podemos esperar das pessoas de quem gostamos, outras que, com a dose de incerteza que sempre há nas relações humanas devemos deixar acontecer. E percebo que sou muito mais feliz assim. Mais vale um voo inesperado do que uma queda sem razão.
Tenho dito.
Os dias
Dias com amigos, dias em família, estrada, muita estrada. Sabe bem voltar, tão bem como soube ir.
"Brunch" de "despedida" no norte - que saudades! - visita aos Sobrinhos-mais-lindos-do-mundo.
As novas do Migalhinha, para além do célebre "Eu xou muito mau" agora tem um cão de brincar que se chama "Meu Filho". O Vasquinho "bom garfo" que explica à Tia (e para grande orgulho dela): "Sabes, tia, a minha cor preferida é o vermelho. E vermelho é o mesmo que encarnado". No meio do ataque de riso respondi-lhe que o avô Ni não ia gostar muito daquela afirmação (o avô Ni bem tenta que os netos não sejam alfacinhas, mas acho que é uma batalha perdida).
É estar com amigos de sempre de quem tenho saudades e cujo encontro sabe sempre a muito pouco. É descansar dos pais (que preciso que era!) e acabar por ter saudades. É estar um dia inteiro com a Mana nas compras e fazer disparates e a rir à gargalhada, é a felicidade de nos vermos iguais a nós mesmas - apesar de eu não ter crescido e de seres mãe de família - e de eu continuar a fazer disparates e figuras tristes e de pôr toda a gente a olhar para nós, uns a rir, outros a pensar que sou maluquinha!
É Lisboa, essa cidade que eu adoro só porque sim.
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Histórias da (minha) vida
Quantas vezes julgas alguém
por julgar ter mais do que tem e não ter a noção de si,
tu não tens a noção de ti.
Quantas vezes queres e não tens,
tantas vezes tens e nem tens a noção do que tens aí.
Deolinda
por julgar ter mais do que tem e não ter a noção de si,
tu não tens a noção de ti.
Quantas vezes queres e não tens,
tantas vezes tens e nem tens a noção do que tens aí.
Deolinda
quinta-feira, dezembro 02, 2010
Isto podia ter muitos títulos. Mais tolerante é impossível. Brilhante.
(...)
Zé Maria Brito, sj
Nesta como noutras discussões, temos que partir do princípio que quem critica a Igreja não o faz a partir da ignorância. Temos muitas vezes essa tentação. Esta questão tem sido fruto de discussão, ao longo de muito tempo, no interior da própria Igreja. É normal que gere polémica, mas devemos reconhecer que há muitas pessoas que criticam alguns aspectos do pensamento da Igreja (a começar por Católicos muito empenhados) com enorme honestidade intelectual. Os que o fazem desde dentro fazem-no, muitas vezes, com amor a um corpo a que sabem pertencer e no desejo de acertar com a vontade de Deus. Os que não pertencem à Igreja, ao serem ouvidos com todo o respeito, estão também chamados a criticar com respeito. Das inquietações de uns e outros resultam desafios concretos de Deus.
E, quando houver ignorância, depende também de nós desfazer mal entendidos e contribuir para que ela diminua.
Zé Maria Brito, sj
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