terça-feira, fevereiro 28, 2012

O Último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler

Lisboa, 1506. Era Páscoa e reinava em Portugal D. Manuel I. Milhares de judeus e cristãos-novos eram levados para as fogueiras do Rossio pelos frades e população católica. O Tio de Berequias Zarco, o narrador, é assassinado no seu esconderijo e tudo parece estranho. Terá  Abraão Zarco sido vítima da ira dos católicos? Tudo indica que não, tudo cheira a traição. Abraão Zarco não só era a figura paterna de Berequias como uma das figuras mais respeitadas dentro do mundo judeu em Portugal. Era o que melhor conhecia a "cabala", a história filosófica judia, e o mestre de todos os que a queriam aprender. Toda a ação se centra na busca do traidor que matou Mestre Zarco, nos riscos que o jovem Berquias atravessa, numa Lisboa a cheirar a morte. Em toda a obra se questiona também a existência de um Deus que permite que tamanhas atrocidades se façam em nome d'Ele.

domingo, fevereiro 26, 2012

Fico perplexa

"Enquanto durmo, não penso, o que por si só é quase orgásmico".

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Fenómenos da Internet

Estava no Facebook e naquela irritante barra do lado direito onde aparece tudo o que os meus amigos fazem, comentam ou gostam, qual Big Brother, vi que uma amiga tinha gostado duma publicação do Markl - reparem como não escrevi o 1º nome, na tentativa de, quando ele "googlar" o nome dele para saber as "últimas" da sua pessoa  (não é uma crítica, acho que faz bem) eventualmente não venha aqui parar. Ou, se vier, aqui fica o recado: por favor não linke o meu blogue no Facebook, que eu cá não gosto muito de ser insultada e sou conhecida pelo meu mau feitio. Bom, continuando, fui ver do que se tratava - ando, claramente, com pouco que fazer - e basicamente há uma miúda (deve haver várias, mas fiquei a conhecer a primeira) que não gosta do Markl, ou que já gostou e não gosta, ou outra coisa qualquer que não interessa, e que publicou um artigo a explicar porque não gosta do senhor.
Claro que a publicação foi inundada de comentários, uns insultuosos, outros nem tanto. Fosse eu dessas coisas e haveria aqui muita "matéria" para analisar, mas não só não me apetece, como nem tenho grande jeito para a coisa.
Basicamente pus-me a imaginar o que seria se me inundassem o blogue com insultos (há um que, sem mais nem porquê, resolve chamá-la de "puta" qualquer coisa, outros que insinuam que a miúda tem é falta de sexo, outros que é mal amada, enfim, só coisas simpáticas). Bem sei que a maioria dos blogues são públicos e que quando se escrevem coisas que possam não ser consensuais a coisa pode dar para o torto. Lembro-me da autora de um livro que li e que publiquei aqui ter vindo comentar o meu "post". Inicialmente entrei em pânico - critiquei algumas coisas no livro - mas depois percebi que me estava a pôr a jeito. A senhora, graças a Deus, era educada e até concordou comigo, explicando o porquê daquilo que tinha criticado.  
Enfim, voltando à vaca fria, e não estou a chamar vaca à miúda (ao que parece ela terá dito que a mulher do M. tinha um "nariz de porco" e não quero ir por aí, que com sorte ainda me dizem que tenho nariz de galinha, ou qualquer coisa bem pior) no meio de dezenas de comentários desagradáveis a pequena lá vai respondendo, o M. mete-se ao barulho e, com a piada que tem e como escreve lindamente, lá me escangalhei a rir algumas vezes. Mas isto porque não era o meu blogue. Não percebo uma série de coisas - vou descobrindo, aliás, que quanto mais velha fico menos entendo as pessoas em geral - mas não entento por que raio o Markl se digna a uma publicação daquelas no FB; não entendo as pessoas que o vão defender acerrimamente como se tivessem insultado a mãe de cada um deles; em suma, não entendo estes fenómenos das redes sociais e da blogosfera.
Fica o desabafo.

Capitães da Areia, Jorge Amado

Crianças sem eira nem beira, marginais. São os Capitães da Areia. Pedro Bala, Professor, Gato, Sem Pernas, Pirulito, Querido de Deus. O Padre José Pedro, que os vai acompanhando e tentando "converter". Um grupo de rapazes (mais tarde passa a ser um grupo de rapazes e de uma rapariga, a amada Dora, mãe criança de todos os rapazes, noive de Pedro Bala) com noções de camaradagem, lealdade. Acima de tudo com a noção de sobrevivência.
A Bahia é o palco da história, o "trapiche" o lar de todas estas crianças. Amado denuncia a realidade duma sociedade altamente injusta, uma justiça cruel, uma juventude sem futuro. O eterno fosso entre os ricos e os pobres.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Thank you

Tenho tanta coisa para te contar. Que sinto a tua falta, apesar de nem sempre parecer. Que nunca, mesmo nunca imaginei ter a sorte de te ter sempre que preciso. Mesmo que aqui não estejas, mesmo que quase nunca estejas, sinto-te todos os dias. Abraço-te, encosto-me a ti e às vezes há silêncio, outras apenas uma gargalhada, entre lágrimas. Se não podia tudo ser mais simples. Se não podíamos viver este nosso mundo sempre, todos os dias das nossas vidas. A simplicidade deste amor que não exige nada para além da obrigação de sermos felizes. Porque merecemos, não apenas porque sim. "Tudo se há-de resolver" e a verdade é que sempre tudo se resolve. Acho que é por existirmos. E que simples que é.

Este "pedaço" é para muita gente. "Muita gente" pode apenas significar algumas pessoas. "Algumas pessoas" não são muitas, mas são aquelas que pertencem ao meu mundo, aquele que é só meu. O único que ninguém pode roubar. O que não podem destruir. Nunca.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

1Q84, Haruki Murakami




Um enredo de personagens solitárias e intrigantes. Duas histórias que parecem paralelas mas onde se vai vislumbrando um cruzamento.
Esbarramos também na literatura e cultura nipónicas, dentro do fascínio a que Murakami já nos habituou.
É o 1.º duma triologia, é um sofrimento enquanto o 2.º não é publicado.

domingo, janeiro 22, 2012

Canção para não voltar



Não me espere porque eu não volto logo
Não nade porque eu me afogo
Não voe porque eu caio do ar
Não sei flutuar nas núvens como você
Você não vai ententer
Que eu não sei voar, eu não sei mais nada.

Cenas

O mundo não colapsa quando temos direito a amigos e a abraços. Muitos abraços. Muito amor.

Não gosto de mundos sem sorrisos.

segunda-feira, janeiro 09, 2012




O livro foi escrito quando Saramago tinha 31 anos. Nota-se um estilo diferente, mas ainda assim único. Sentimo-nos na Clarabóia dum prédio lisboeta, onde toda a história se desenrola. De andar para andar, novos e velhos que lá vivem, as suas vidas e suas angústias. Década de 50 num país austero nos costumes e na forma de vida. Um sapateiro-filósofo; uma dona de casa, mãe e mulher infeliz; duas jovens filhas-sobrinhas; uma mulher que vive às custas do amante; uma menina que afinal já é moça; um hóspede invulgar.
Foi uma leitura dolorosa por não querer que chegasse ao fim.  


I am done with my graceless heart
So tonight I'm gonna cut it out and then restart
Cause I like to keep my issues drawn
It's always darkest before the dawn

segunda-feira, dezembro 26, 2011

O melhor presente de Natal

Sou "Madrinha" do Migalha. A trabalheira que isto vai dar...

quarta-feira, dezembro 21, 2011

sexta-feira, dezembro 16, 2011

quinta-feira, dezembro 15, 2011

sexta-feira, dezembro 09, 2011

À Mãe

Da mãe, os filhos só vêem o que é mãe. Só conhecem a mãe. A mãe é sopa e o cheiro dos refogados. A mãe é a mão que esfrega as costas no banho, que escova o cabelo enriçado, que seca o cabelo molhado, a mão que afaga, que estraga. A boca que sopra a sopa, que sopra a ferida. Os filhos são os parasitas da mãe. Comem-lhe o coração que cresce da noite para o dia para que nunca lhes falte o pão-coração. O que é que a mãe quer? A mãe não quer nada. Quem tem mãe, tem tudo, diz a quadra, e quem é tudo não precisa de nada. Então, o que há-de querer a mãe? Não é dela o coração que nos alimenta, que bombeia o amor que nos entra nas veias, que nos corre na casa? E quem é que quereria a mãe? Se a mãe ainda quer, se a mãe ainda sonha, se a mãe ainda crê, perde tempo. A mãe tem dois filhos. Nós somos tudo o que a mãe pode querer, tudo o que a mãe está autorizada a querer. Quando respira, é mãe. Quando passa a roupa, é mãe. Quando come, é mãe. Quando aquece o prato solitário no micro-ondas, quando, à noite, vê televisão em silêncio, quando adormece sozinha na cama, quando na cama acorda sozinha, quando o corpo se move nos sonhos e não toca ninguém, quando toma banho e a água escorre pelos veios do corpo e só a água visita certas sombras de corpo, é sempre mãe e mãe e mãe. A mãe não pode dizer nada. Não pode dizer que está farta desta merda e que quer desistir, que está cansada de ter uma vagina e um útero que só existem nas consultas de ginecologia, que só existem para as dores, os miomas, as hemorragias. A mãe não pode sofrer por ela, porque mãe é mãe, só há uma, mater dolorosa, pietà de filho morto nos braços; e a piedade que ela merece? Os braços que hão-de segurá-la? (...)


Comboio Nocturno para Lisboa, Pascal Mercier



Gregorius é o narrador e o personagem central. A acção começa em Berna, mas depois parte para Lisboa, Coimbra, Cabo Finisterra, Salamanca. É uma acção densa e filosófica, em busca do sentido da vida de Amadeu do Prado, o autor de um livro que Gregorius encontra por acaso. Quase toda a acção é passada em Portugal e vai constantemente para o passado, época Salazarista vivida por Amadeu do Prado, mulheres de sua vida, família e amigos. Gregorius tenta fazer o reconhecimento do espaço em que Amadeu viveu, por não poder recuar no tempo.



Tenho sempre algumas dúvidas relativamente a livros traduzidos: neste caso, parece-me que há falhas e nem sempre as ideias são claras, não sei se por responsabilidade do tradutor ou do autor, ou por responsabilidade própria de uma leitura que não foi fácil e muito menos rápida.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

quarta-feira, novembro 23, 2011

Não resisto a mais uma coisinha...

Já que você é uma pessoa prática e objetiva, que não tem poses nem afetações, é naturalmente atraída por homens que parecem cintilar em meio à sofisticação cultural e intelectual e que possuem altivez e verniz social. Em outras palavras, você objetiva em seus relacionamentos subir os degraus do sucesso e, embora possa não gostar ou até desdenhar das pessoas que considera "falsos brilhantes", reage como se estivesse enfeitiçada ao encontrar um diamante verdadeiro - um homem que possua classe e refinamento.

AHAHAHAHHAHA!
Não ligo puto a estas coisas, mas confesso que desta vez achei piada. Claro que quando vi que o meu ascendente era "Áries", tive de ir procurar no google a que signo correspondia isso, o que demonstra bem a minha ignorância relativamente a estes temas. O site http://www.astro.com/ fez a minha carta astral, bem como a sua análise "compacta" - para a análise "profunda" tem de se pagar, claro.

Sou Caranguejo (Sol), com Lua em Escorpião, Ascendente em Carneiro e Vénus em Gémeos. (parece que é o mais importante a retirar de todo o relambório de planetas e signos).
Saíram-me pérolas como:

Sua personalidade é irritável, podendo sujeitá-la a ataques de raiva (...) Você tem pendor por prazeres fortes e aventuras sexuais (...)
O segredo para uma melhor integração de sua personalidade está em dar menos destaque às paixões e expor-se a influências mais "normais", a fim de poder gozar a vida de uma forma mais realística e socialmente aceitável. Socialmente aceitável, pois.

O rumo geral de sua vida terá muitas mudanças e muitos altos e baixos, refletindo muito bem a natureza psicológica de seu temperamento. (...) Impulsiva, crítica e avessa a tudo que é dúbio e mesquinho, você criará muitos excelentes amigos, mas também importantes inimigos. (...)  
No sexo, você é rápida, agressiva e direta. Além disso, você é uma amante dos prazeres, dos quais desfruta com exuberância e abertura de caráter. Vou ser tão gozada!!!

O Sol está na Casa 4 no momento de seu nascimento. Isso indica que as questões ligadas à família, ao lar e ao nome terão extrema importância em sua vida. Isto hoje, logo hoje, faz um sentido do caraças (o grave é que faz mesmo).
(...) Porém aqui o que ele indica é que o sucesso não poderá chegar antes da maturidade. Definitivamente, estou tramada: maturidade?!?!?!?


Um amor emocionante pode acontecer bem cedo na vida. Cabe avisá-la, porém, que a menos que haja indicação em contrário derivada de interpretações mais detalhadas, o parceiro será uma pessoa inconstante. No comments!

 

segunda-feira, novembro 21, 2011

terça-feira, novembro 08, 2011

Quero voltar para casa dos pais

  • Arrumar roupa lavada e passada que está há uma semana no saco da IKEA
  • Arranjar uma solução para as botas de cano alto
  • Trazer o resto do serviço de jantar 
  • Ver quanto ando a gastar de luz
  • Ligar para as Águas de Coimbra para perceber porque raio é que não me enviam factura
  • Organizar o quarto de hóspedes/escritório
  • Arranjar uma garrafeira entre mil outras coisas que preciso

segunda-feira, novembro 07, 2011

Somos todos uns mansos

Está a aparecer no Facebook um movimento em que as pessoas dizem que vão trabalhar no dia 24 de Novembro, dia em que, pelo 2º ano consecutivo e de forma inédita, a CGTP e a UGT marcaram uma greve geral dos trabalhadores. Parece que há aqui dois lados da barricada: aqueles que em nome da “produtividade” pensam que temos é de trabalhar (como se o não fizéssemos, ou quiséssemos todos fazer) e os que encontram como forma de luta a greve. Acho que se defendem “causas” (ou lá o que isto é) sem se reflectir no que está aqui em causa. Não sou contra as greves – mal de mim! – mas penso que vivemos um momento em que não é a greve que vai resolver coisa alguma. O Movimento 12 de Março, que se espalhou entretanto por vários movimentos, o movimento 15 de Outubro levou milhares de “indignados” à rua contra a política, a crise financeira criada pela banca, os cortes dos salários e subsídios, o aumento dos impostos. Mas também surge – arrisco-me a dizer que surge principalmente – contra a precariedade, o desemprego, os tão célebres “falsos recibos verdes” e as condições gerais de quem trabalha ou quer trabalhar. É aqui que a questão da greve geral se coloca: para quê fazer uma greve geral quando há milhares e milhares de pessoas que a não podem fazer...?

Em boa verdade, há mais questões importantes, tais como para onde vai o dinheiro da “despesa” dos subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores do Estado, que políticas são estas que destroem todo o poder de compra e dignidade dos trabalhadores. Mas mais do que isso: será que estas pessoas que falam em “trabalho” e que “gostam” de um evento criado no Facebook com a Epígrafe “Trabalhar” e o seguinte texto: “Portugal está numa situação de emergência sobretudo provocada pelo anterior governo. Uma greve geral só vai prejudicar a economia e dar um sinal negativo para o exterior. No dia 24.11, eu irei trabalhar (bem como nos outros dias todos).” não percebem a manipulação? Ninguém discute que muito do que vivemos hoje é consequência do governo anterior, mas ainda não perceberam que esta história do “papão Sócrates” já enjoa? Terão noção de que tudo aquilo que correr mal neste Governo vai ter esse mesmo argumento durante 4 anos?

Somos todos uns mansos. Não são os feriados que interferem na produtividade (ou a interferir, não é significativo) nem as greves. Os trabalhadores portugueses andam desanimados: isso sim, interfere na produtividade. As pessoas andam angustiadas, preocupadas, sem esperança: isso sim, interfere com a produtividade.

Não farei greve no dia 24. Mas não o faço porque o mundo não gira à minha volta, porque acredito nos direitos daqueles que, ao contrário de mim (por enquanto) trabalham, respondem a uma hierarquia, têm horário de trabalho, têm todos os deveres de um trabalhador com contrato de trabalho e, no entanto, são “prestadores de serviços”. Não farei greve em nome daqueles que, por irresponsabilidade de alguns, por inércia de outros ou por inevitabilidade das condições económicas deste país não podem fazer greve porque estão desempregados. Mas não me lixem. Irei para a rua quantas vezes for preciso e nunca – mesmo nunca – em nome duma causa que não existe, da manipulação política deste “bem comum” que se tem apregoado.

sexta-feira, novembro 04, 2011

F#?&!*#

"(...) porque tu és a minha pessoa (...)"

ando a ficar vezes demais com as lágrimas nos olhos. E toda a gente sabe que eu não choro, não percebo isto :)

Amo-te "como amaria o irmão que não tenho". Mais ainda, não é? Haja o que houver. Ponto.

quarta-feira, novembro 02, 2011

Eu tentei, eu juro que tentei...


... mas não resisti!

Do amor

Um “adoro-te” via sms é quanto baste para me fazer sorrir o resto do dia. O resto da semana.


Às vezes não entendo o que há em nós, o que nos move. Às vezes não te compreendo, porque és tão maior do que muitas vezes pareces. Muitas vezes apetece-me bater-te, outras agarrar-me a ti e nunca mais te largar.

As saudades de dizer asneiras bem alto só porque sim. As gargalhadas depois de insultar e ser insultada. O ódio a quem te faz mal e o amor por quem te faz bem. É isso, tão simples: o ódio a quem te faz mal e o amor a quem te faz bem.

sexta-feira, outubro 28, 2011

“dêem-me o céu azul e o sol visível. Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim”.


Álvaro de Campos via uma ideia com defeito

quarta-feira, outubro 26, 2011

Lost in words

Veio calor de Praga, apesar do frio. As preocupações ficaram (voltaram) com o clima amargamente ameno. Nunca um Verão prolongado soube tanto a desencantamento. A tempestade adapta-se melhor ao estado de espírito. Não sou eu. É este país, esta Europa, este mundo. Um mundo que tem tantas coisas bonitas que fazem parecer que afinal vale a pena, mesmo quando tudo parece perdido.

Perdida. É isso.

segunda-feira, outubro 17, 2011

Inevitável é a tua Tia!

Sábado, 15 de Outubro de 2011. Várias cidades do mundo aderem ao protesto mundial do movimento dos “indignados”. Em Portugal, várias cidades para além de Lisboa e Porto organizam – como podem – o protesto. Em Coimbra, estava marcado para as 15 horas na Praça da República o início do protesto, e a Assembleia Popular para as 19 horas na Praça 8 de Maio. Passava pouco das 15 horas e lá fui eu. Porque acredito em movimentos apartidários – porque só com esses me identifico – e porque acho que, todos juntos, podemos fazer alguma coisa. Naturalmente que sou obrigada a reconhecer que estas últimas medidas “de austeridade” (um dia, se estiver para ai virada, escreverei sobre isso) serviram para ter a certeza do meu programa de sábado à tarde. Honestamente tinha coisas bem mais interessantes para fazer, mas achei que fazia sentido participar. Dizia eu que cheguei pouco depois das 15 horas, ainda poucas pessoas se viam na Praça, a maioria a pintar cartazes enquanto iam chegando mais alguns “indignados”. Não fiz uma análise profunda, mas fui fazendo a minha análise à medida que o tempo passava e ia falando ao telefone com alguns amigos (sempre ajuda a passar o tempo quando nos apercebemos que não conhecemos ninguém). Comecei por perceber que estavam muitos jovens estrangeiros: apercebi-me de um grupo de espanhóis, de alguns brasileiros, jovens que, suponho, estão a fazer Erasmus ou qualquer tipo de intercâmbio na UC. Jovens que perceberam a importância deste protesto e que, por não poderem participar no seu país, fizeram-no no país que os está a receber. Muitos outros, gerações mais velhas – talvez muitos deles da “geração de Abril” – pessoas da idade dos meus pais, pessoas que se preocupam (ainda que possamos referir que esses também tem a sua parte de responsabilidade no estado das coisas – não é isso que aqui interessa agora) e que fizeram questão de aparecer. Conhecia muitas pessoas de vista, algumas sabia quem eram, outras não sabia mas estavam ali. Eram muito poucas pessoas. À 5ª feira à noite vou à praça da República habitualmente beber um copo: nesta altura do ano, graças à praxe académica ou lá o que é aquilo, vejo mais gente na praça do que vi no sábado. Pergunto onde estão esses estudantes universitários que se lembram de andar a infernizar a vida de caloiros até às tantas da manhã, mas não se lembram que é o futuro deles que está em jogo neste mundo dito globalizado, virado para interesses económicos que em nada contribuem para o bem comum. Pergunto onde estavam os meus amigos de Coimbra, pergunto onde estavam todos aqueles que tantas vezes se insurgem e tão poucas vezes fazem alguma coisa para além de dizerem que estão “fartos”.

Fui como indignada, saí dali mais indignada ainda. Sem esperança. Com (ainda mais) vontade de ir embora.


Fotos retiradas de oblogouavida.blogspot.com

sexta-feira, outubro 14, 2011

Leituras

No momento em que caí das nuvens e tomei conhecimento da decisão de Joana de não continuar com a gravidez, e que até já apresentara a demissão ao patrão nessa mesma manhã, abati-me sobre os seus pés e, de cabeça tão baixa e humilde, que a mais não podia, como se ela fosse a deusa dos meus passos, supliquei que me deixasse ficar com a criança, que eu a educava sozinho, que seria um pai exemplar, que lhe prometia o que ela quisessem que lhe daria dinheiro para todas as despesas e mais alguma, que tinha algum dinheiro de parte para a educação e afins, que nunca revelaria a identidade da mãe. E era no corpo dela todos os meus sonhos. E o corpo dela desapareceu no nevoeiro das minhas retinas salientes, que pingavam copiosamente.
Regina Samagaio - "Entrevista de emprego"


Há porventura quem acredite que um burro não pensa. Engano seu. Os burros são como os homens. Em ambas as espécies, há alguns dados ao raciocínio.
Emílio Gouveia Miranda – "João, O Trovador"

Maria era uma puta triste porque não sabia o que era o amor. Maria era uma puta rodada, experiente, envelhecida e mal-amada. Gastara o seu corpo no uso dos homens, perdera o caminho das emoções, esvaziara-se de sentimentos à conta de tanto os fingir. Quando deu por si, sentiu-lhes a falta como à casinha de bonecas que tanto quis e nunca teve e amargurou na ausência de um coração que ainda pudesse ser trocado pelo amor.

Maria João Lourenço - “Maria”



sexta-feira, outubro 07, 2011

Um dia...

... quero ter metade da tua força. Metade bastava. Obrigada.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Dedicado ao RMM













Criado em Setembro pela minha singela pessoa aqui






segunda-feira, outubro 03, 2011

Uma Noite Não São Dias, Mário Zambujal


O autor diz do livro "é uma paródia". Mário Zambujal tem uma escrita simples e clara e este livro não é excepção. Passa-se tudo no "esquisito ano de 2044", e MZ conta uma história em que de alguma maneira caracteriza uma sociedade fria, diferente daquela de hoje temos mas que muito facilmente pode caminhar para o que é a sua visão do futuro. Mas não em tudo: 2044 não é, do meu ponto de vista, um tempo tão longínquo que possa conduzir a tantas mudanças. Mais: creio que no meio da narrativa MZ foi pouco cuidadoso nos pormenores que umas vezes referencia, outras vezes parece esquecer-se que o fez.
É uma leitura rápida e interessante, mas a obra-prima continua a ser a "Crónica dos Bons Malandros", definitivamente. 

Tubo de Ensaio parte III, João Quadros e Bruno Nogueira

É uma selecção de textos do Programa com o mesmo nome que passa diariamente na TSF. O próprio Bruno Nogueira diz com a ironia habitual, no prefácio do livro, que foi um exercício de copy-paste. É um conjunto de crónicas com grandes doses de humor, ironia e sarcasmo. Alguns textos são absolutamente brilhantes, e a imaginação e criatividade são constantes. A crítica que fiz à parte I, faço-a na parte III: Os textos não foram revistos, o livro contém demasiadas gralhas. É pena que não tenham aprendido à terceira, e que se verifique efectivamente que foi simplesmente copiar e colar.
Uma óptima escolha para leitura de praia.

Histórias Falsas, Gonçalo M Tavares




É uma recriação de histórias da filosofia. Gonçalo M Tavares fantasia acerca de histórias que conhecemos há séculos. "Não são histórias do género fantástico, mas um homem - de há três mil anos - pode nelas utilizar objectos que ainda não existiam." - palavras do autor. É uma leitura divertida, com grandes doses de humor e ironia. São nove, as "histórias falsas".

quarta-feira, setembro 21, 2011

Obriguei-me a sentir e a sofrer. Talvez residisse aí o grande problema, essa minha mania de me querer convencer que está tudo bem quando não está. Percebi que sou mais transparente do que um copo de vidro, e que “quando estou triste fico mais bonita” – há sempre alguém que me mostra o lado bom das coisas quando eu não o consigo vislumbrar. Há coisas que nos dizem que parecem simples, mas que dizem mais de nós do que somos capazes de aferir: “Estou a pedir-te opinião porque como és uma bruta, sei que vais dizer a verdade”. Eu digo quase sempre a verdade. Mas a verdade dita com o coração às vezes dá nisso. Não me arrependo.


Arrependo-me muito pouco do que faço. De alguma maneira aprendi – não sei onde, ou com quem, mas aprendi – que não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Como não vale a pena sofrer por antecipação.

Não antecipo problemas, como não antecipo soluções. Bem vistas as coisas, não sei se é a melhor maneira de lidar com os problemas, com a vida em geral. Mas nem sempre há outra maneira e, quando há, eu não a escolho.

A vida é feita de escolhas e temos de saber viver com elas. Escolhi sempre não me amedrontar, que é mais ou menos o mesmo que dizer não me acobardar.

Toda a vida odiei cobardes.

sexta-feira, setembro 09, 2011

segunda-feira, setembro 05, 2011

Já está

discernir
(latim discerno, -ere, separar, distinguir)



1. Distinguir.
2. Estabelecer conveniente diferença (entre coisas ou pessoas).
3. Discriminar.
4. Conhecer.
5. Julgar.
6. Apreciar.
7. Medir.
8. Avaliar bem.

via Priberam.pt






sexta-feira, agosto 12, 2011

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço

Porque eu mereço.

Again and again (não necessariamente por esta ordem)

Be random. Laugh at stupid jokes. Cry. Tell a jerk what you think. Laugh till your stomach hurts.

O Lugar Do Morto, José Eduardo Agualuza

Maravilhoso, lindo, brilhante. Agualuza encarna inúmeros escritores mortos e escreve na pele deles. Uma viagem pela história desses escritores, pontos de vista que se confundem - serão, certamente, os pontos de vista de JEA, mas certamente que teriam pelo menos algum consenso dos visados. Estão mortos mas comentam a actualidade, escrevem sobre os nossos dias e pessoas que nos são próximas: Mia Couto, Ana Moura, Chico Buarque...
É talvez o melhor livro de Agualuza, em breve farei algumas citações.

Obrigada M e AR. O livro apanhou um grande banho mas, ainda que encarquilhado, sobreviveu!

quinta-feira, agosto 11, 2011

quarta-feira, agosto 10, 2011

Estados

Música de filme



É pena quase não poder ficar
És quente quando a luz te traz
Quase te vi amor
Quase nasci sem ti
Quase morri
Dentro de mim

Ficas dentro de mim
Por dentro de mim
Estás dentro de mim

Silêncio.Lua.Casa.Chão
És sitio onde as mãos se dão
Quase larguei a dor
Quase perdi
Quase morri
Dentro de mim
(...)
Sempre só mais um homem
Mais humano
Mais um fraco..
Sempre..
Só mais um braço
Mais um corpo
Mais um grito
Sempre..

Dança em mim!
Mundo, vida e fim!
Dorme aqui
Dentro de mim..

É pena quase não poder ficar
No sítio onde as mãos se dão
Quase fugi amor
Quase não vi
Vamos embora daqui
Para dentro de mim

Resumo das férias

sexta-feira, julho 29, 2011

Farda Fardão Camisola de Dormir, Jorge Amado

Fábula para acender uma esperança

Amado, mais uma vez, romanceia no tempo do Estado Novo. Após a morte de António Bruno, poeta imortal da Academia de Letras Brasileira, surge a questão de quem deve ocupar o seu lugar. O coronel Sampaio Pereira, simpatizante do nazismo; o general Waldomiro Moreira, o rival possível por não se arranjar outro. Todo o romance se passa à volta desta eleição, dos meandros pouco honestos duma eleição em que muitas vezes os meios justificam os fins. Entre tudo isto, um pouco da história do brasil, da vida boémia do poeta António Bruno, da luta contra o fascismo, mulheres, sexo, amantes. 
Mais um livro genial e viciante de J.A. 
"A moral? Veja: em toda a parte, pelo mundo afora, são as trevas novamente, a guerra contra o povo, a prepotência. Mas, como se comprova nesta fábula, é sempre possível plantar uma semente, acender uma esperança".

Obrigada JG por (mais) esta maravilha! 

segunda-feira, julho 18, 2011

As simple as it is

Take a step back. Fucking look at yourself. You are human. You are beautiful. You are so beautiful. And you can be anything. You can be everything. Do not hate because someone broke your heart, or because your parents split up, your best friend betrayed you, your father hit you, the kid down the street called you fat, ugly, stupid, worthless. Do not concern yourself with things you cannot control. Cry when you need to, then let go when it’s time. Don’t hang onto painful memories just because you’re afraid to forget. Let go of things that are in the past. Forget things that aren’t worth remembering. Stop taking things for granted. Stop taking life for granted. Live for something. Live for yourself. Fall in love. Fall out love. Fall in love. Fall out love. Do this over and over until you know what it really is to love someone. Question things. Tell people how you really feel. Sleep under the stars. Create. Imagine. Inspire. Share something wonderful. Make something beautiful and then destroy it. Meet new people. Make someone’s day. Follow your dreams. Live your life to its full potential. Just live, dammit. Let go of all the horrible things in your life and just fucking live. And one day, when you’re old, look back with no regrets.

The other side of Africa

Muitas vezes nem sabemos como existimos. Como resistimos a essa existência às vezes tão estranha. Saem-me por vezes coisas das entranhas, do mais fundo do pior de mim mesma para dizer o que penso, o que sinto, o que quero para os outros. E para mim. E depois há dias em que nos tiram um peso de cima, depois de percebermos o que realmente significa a palavra angústia, o que é ter uma sombra a pairar sobre as nossas vidas. A existência, essa, fica mais ténue e não sei se sei explicar porquê. É como se a existência tivesse uma gradação e nestas alturas existíssemos menos.
Hoje acordei e existo. Ontem foi dia de pôr a conversa em dia e as coisas no lugar. Hoje existo graças a ti.


sexta-feira, julho 08, 2011

O Carderno 1 e 2, José Saramago

São conjuntos de textos escritos na "página infinita da internet", como diz o próprio autor. Depois da sua experiência de quase-morte, Saramago é convencido por Pilar e um amigo a escrever um blogue. É daí que surgem estas duas publicações. São textos pequenos, escritos quase diariamente, sobre tudo. Saramago tem ódios de estimação: Berlusconi, Bush e alguma Igreja. Faz elogios a amigos, a inidividualidades. Preocupa-se com o mundo e com a Humanidade. Não é optimista e critica sagazmente muito do que se passa no seu país - Portugal - no país onde vive - Espanha - e no mundo. É um homem pensante, que medita sobre muitos assuntos, que teme o retrocesso da Civilização.
São dois livros que se lêem duma assentada, onde o leitor se pode comover, rir e pensar.

Obrigada LG e HL pelo presente apesar de lido tardiamente.

sexta-feira, julho 01, 2011

Pensamento do dia

Light travels faster than sound. This is why some people appear bright until they speak.

segunda-feira, junho 27, 2011

Um verdadeiro 31. E que bom que é!

quarta-feira, junho 22, 2011

Acabei de perceber o mito do "cabo guy". Estive quase a convidá-lo para almoçar! ahahahahha!

quinta-feira, junho 16, 2011

segunda-feira, junho 13, 2011

quinta-feira, junho 02, 2011

Deixem Falar As Pedras, David Machado

Valdemar é um adolescente problemático e violento. O seu grande amor é uma adolescente anoréctica, O livro é sobre a vida de Nicolau Manuel, avô de Valdemar. Uma viagem pelo passado que não se passou. As verdades que não o são. Inimigos que nunca o foram. A transmissão de memórias, afinal, deixa muito a desejar. É um livro rasurado, que aguça a curiosidade de quem lê. Foi o primeiro que li do autor e gostei. Venham mais.

Eu queria escrever um livro sobre a memória e sobre o passado e também sobre um alfaiate, porque são tudo coisas que me fascinam há anos (enfim, façamos uma ressalva à alfaiataria, que é um interesse recente que se avolumou com a escrita deste livro). D.M.

terça-feira, maio 31, 2011

A mentira não é o pior inimigo da verdade. A dúvida é que é. É a incerteza que arruina tudo, criando buracos nos quais existe espaço para todas as verdades, possíveis e aparentes. É esta maldição da racional mente humana e da sua dita imaginação pródiga, capaz de promover todas as possibilidades para justificar um acontecimento, mesmo os maiores devaneios.

in Deixem falar as pedras, David Machado

Nota: Este post estava para ser escrito há dias. Hoje faz muito mais sentido (talvez não tenha sido por acaso que não tive tempo para o escrever. É o Deus-das-pequenas-coisas). Para ti: há muito espaço para muitos futuros. Que não reste a mínima dúvida.

sexta-feira, maio 27, 2011

Brilhante

Conheço muita gente que anda a trabalhar num romance. Eu, por exemplo, ando a trabalhar num romance, que é um pouco diferente de escrever um romance. Trabalhar num romance confunde-se com a actividade geral da existência. Bebo um café e estou, de algum modo, a trabalhar no romance. Sento-me no autocarro e estou a trabalhar no romance. Fico a olhar melancolicamente pela janela do escritório e estou, mesmo assim, a trabalhar no romance. O romance, esse, não avança, tanto é o trabalho com que o sobrecarrego. Permanece em estado de crisálida, eterna possibilidade onde cabe tudo e não entra nada. É então que encontro outros que, como eu, andam a trabalhar num romance. Resumem intrigas, esboçam personagens no ar, prevêem glórias futuras, prémios Saramago, comendas, capas do suplemento do Expresso. Da crítica esperam que seja justa; dos leitores, que sejam milhares (mulheres novas em idade fértil, sobretudo); dos pares, a invejazinha fatal. Quanto ao romance, há-de aparecer, um dia.

via http://circodalama.blogs.sapo.pt/

segunda-feira, maio 23, 2011

Sempre lidei mal com imensas coisas: despedidas, desilusões, elogios, infortúnio, desgraça alheia... Lido mal com o amor, às vezes. Lido mal com algumas vidas, com alguns problemas, com algumas esperanças. Mas lido muito bem com imensas outras coisas - valha-nos isso - e com boas notícias, ainda que às vezes não pareça.

Venham tantos quantos eu conseguir abraçar. A verde. Verde-esperança.

segunda-feira, maio 16, 2011

Pensamento do dia

"The future is no place to place your better days".

quarta-feira, maio 11, 2011

Recebido. Entendido. :)

mas para ti há sempre uma lareira. porque te adoro muito. assim muito mesmo, tanto que nem sei. é assim qualquer coisa que não se explica. podia haver uma razão muito forte para além das óbvias. mas não há. vamos ser sempre assim, até sermos velhinhos, não vamos...?

terça-feira, maio 10, 2011

Coisas que me fazem rir muito II

Luís Rainha, no Vias de Facto e a sua modesta "propôsta"para os senhores do OK-não-sei-quê (sobre o qual escrevi ontem)



Coisas que me fazem rir muito


segunda-feira, maio 09, 2011

Agora, as coisas sérias

Descobri através dum blogue que volta e meia visito que existe um site que promove a cidadania activa em vésperas de campanha eleitoral. Fui lá, só que me deparei com um "preenchimento de compromisso"em que devemos escolher todas ou algumas das afirmações que lá constam. A coisa até nem começa mal, mas sou desconfiada e antes de clicar no que quer que seja, resolvi ler tudo: pois não acabei a leitura. Coisas como "revogação da educação sexual obrigatória" ou "regovação da lei do casamento [entre aspas!!!!] entre pessoas do mesmo sexo" fazem-me antever que tipo de cidadania é esta. Ide-vos imolar com gasolina da cara e um isqueiro Dupont.

Fico perplexa

"Ando, aliás, numa tentativa insane de busca da normalidade pessoal."

Suspiro

Tem sido muito complicado tentar ser normal. Zangar-me quando é preciso, desaparecer porque é preciso. Vamos andando e vamos vendo.

terça-feira, maio 03, 2011

É isto



É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
(...)

Cada um de nós compõe a sua historia

Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Almir Salter

quinta-feira, abril 28, 2011

2.º andar, direito



(...)
é que não é só uma questão de idade

o amor não é o bilhete de identidade
é eu ou tu, seja quem for, ter vontade
de mudar e deixar mudar

Não fales, que o bebé ainda acorda
não grites, que o vizinho ainda acorda
e não me olhes, que o amor ainda acorda
deixa-o dormir o nosso amor, um bocadinho mais
deixa-o dormir, que viveu dias tão brutais
(...)

quarta-feira, abril 27, 2011

depois confessei-lhe, precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de companhia. este resto de vida, américo, que eu julguei já ser um excesso, uma aberração, deu-me estes amigos. e eu que nunca percebi a amizade, nunca esperei nada da solidariedade, apenas a contingência da coabitação, um certo ir obedecendo, ser carneiro. eu precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de amizade.

Valter Hugo Mãe, a máquina de fazer espanhóis

a máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe

Às vezes é um murro no estômago. Outras é duma sensibilidade e beleza impressionantes. Foi o primeiro livro que li de Valter Hugo Mãe e é humano (do meu ponto de vista o que melhor descreve este livro: humano). A personagem central - e narrador - é sr. silva (o de Portugal, porque também havia o da Europa) e a maior parte da acção é passada no lar feliz idade, para onde silva tem de ir após a morte da mulher. São várias viagens: a viagem interior do sr. silva, a viagem pelo Portugal "salazarento" (palavra minha), pelas vidas uns dos outros, os habitantes do feliz idade.
Tentei, o mais possível, ser fiel à escrita do autor. VHM não utiliza maiúsculas. Eu discordo do estilo, se me é permitido.
A ler, sem a mínima dúvida.

quarta-feira, abril 20, 2011

Just words

Hoje - nestes tempos - sou eu que te levo "um pouco do verde que me cerca, o cheiro de terra molhada". Sou muitas vezes implacável contigo, porque já se sabe que é assim que sou. Às vezes temos de sofrer para percebermos que há coisas que temos de mudar. Assusta-me vê-La de olhos molhados de preocupação. Assusta-me ver-te assim. Mas assusta-me mais que não sejas capaz de mudar isso. Desta vez não há ninguém que o possa fazer por ti. Devo-te muita coisa na vida. Quero-te mais-do-que-bem.

Curtas

4 anos de Tia (muito, mesmo muito babada). Duas tartarugas: a Casol e a Falol (não perguntem, também não percebi).
Mira, Lisboa (que inclui sempre um certo Bastard e uma certa Chica-Esperta: e é tão bom!!!)
Impropérios muito altos de vidro aberto só porque parece Verão e queríamos mesmo era abardinar a noite toda (fica para a próxima!). O mini-preço. A cena preta que não posso falar aqui.
Leituras, música, tudo o que me faz bem.
Amigos muito amigos que me enchem os dias e as noites e os sonhos.
Verdades tramadas. Ou que se tramam (non sense, eu sei).
Agora vem a chuva. E o cheiro de terra molhada. E outras muitas coisas... :)

quinta-feira, março 31, 2011

Pimbas!

Ex Skinhead mudou de sexo e candidatou-se ao Parlamento alemão.

Aqui está uma prova daquilo que eu penso (sim, generalizo): estes gajos da extrema-direita têm é medo do que realmente são. Mais do que o ódio pelos outros, acho que é um ódio pessoal, íntimo, por eles mesmos.

Más allá

Más allá de mis miedos,
más allá de mi inseguridad
quiero darte una respuesta
Aquí estoy para hacer tu voluntad,
Para que mi amor sea decirte si, hasta el final

segunda-feira, março 28, 2011

Os Subterrâneos da Liberdade III - A Luz no Túnel, Jorge Amado

É o mais violento da triologia. Continua a luta do Partido Comunista Brasileiro (PCB), a clandestinidade, o amor à Pátria e ao partido. O PCB treme com várias prisões cujo objectivo é irradicar os comunistas do Brasil. As torturas - detalhadamente descritas - generalizam-se e tornam este último livro o mais difícil de ler. Há em toda a triologia dois planos: os comunistas na clandestinidade e uma certa classe alta disposta a tudo para manter o seu poder. Há interesses, tramas, medo. Mas há também amor, lealdade e gratidão. Amado não é imparcial - suponho que não pretenda sê-lo - e enfatiza estes sentimentos, o que põe a pensar até que ponto devemos ser leais quando com isso prejudicamos quem nos é mais próximo. É isso o comunismo de Amado nesta triologia: tudo pelo partido, pelos camaradas, pelo país. Os limites são discutíveis, mas a ideia de que o bem comum se sobrepõe sempre ao bem individual não deixa de ser tentadora.

A Kiss With a Fist (is better than none)

quarta-feira, março 23, 2011

Homens das cavernas, podeis ficar descansados!

"Ficam assim excluídos do conceito de pessoa sem-abrigo:

· As pessoas a viverem em edifícios abandonados;
· As pessoas que, não tendo um alojamento que possa ser classificado de residência habitual, no momento censitário estavam presentes em alojamentos colectivos como hospitais, centros de acolhimento com valência residencial, casas de abrigo, etc…
· As pessoas que, apesar de não terem uma residência habitual, no momento censitário se encontravam em alojamentos de amigos ou familiares;
· As pessoas a viverem em abrigos naturais, por exemplo grutas."

via https://censos2011.ine.pt/ecensoswebaux/documentos/QuestConceitos.pdf

segunda-feira, março 21, 2011

Cenas que me passam pela cabeça só porque sim

Hoje é o dia "censitário" (aposto que foi um sociólogo, amante dos conceitos idiotas, que inventou esta), ou seja, o dia a que se devem referir as perguntas dos Censos. Perguntavam se eu dormiria em casa nesse dia. Tive de responder que não. Estou imensamente preocupada com o que os senhores dos Censos vão pensar de mim...

Adenda: reservo-me o direito de apagar qualquer comentário idiota a este post, já por si suficientemente idiota.

Da brutalidade

(...) Sabes, A. eu gostava de ti. Não era propriamente um amor insuportável, daquele que dói - há muito que não sinto esse amor. Era mais qualquer coisa que nos tornava íntimos, essa relação de cumplicidade. Eram verdadeiros todos aqueles sorrisos que lançávamos um ao outro. Tantas gargalhadas, tanta alegria quando nos juntávamos. Não era amor, se calhar não. Mas quem precisa de amor quando tem pessoas assim ao seu lado?
Sabes, A., contigo era tudo muito mais fácil. Talvez por isso - ou até por isso, não sei - não precisávamos de dizer muito. Nem muitas vezes. O tempo que tínhamos, muito ou pouco, era de qualidade. E isso bastava. 
Tenho saudades tuas, A. Cada dia que passa tenho mais. Vou aprendendo a viver com isso, como se não houvesse solução, ainda que saiba que há. Mas a solução que vislumbro não é um caminho, e portanto vou-me tentando habituar. Tenho dias em que tudo é mais simples, outros que de tão impossíveis parecem sonhos maus. E sabes bem o quanto eu detesto sonhos maus. Aqueles que não são bem pesadelos, tu sabes. (...) 

quinta-feira, março 17, 2011

é mais ou menos isto o que penso sobre esta "polémica"

A lata tem os dias contados, por Pedro Correia:

Tanto barulho para nada. Andam os espíritos muito alvoroçados porque um simpático duo intitulado Os Homens da Luta, composto pelos irmãos Jel e Falâncio, venceu o Festival RTP da Canção com um tema “revolucionário”. Que horror. As tias “socialistas” tremem de indignação: que mau aspecto, que falta de chá, a imagem portuguesa ficará manchada por estes nossos representantes no certame da Eurovisão, a realizar em Düsselforf.

Ver artigo completo aqui.

sexta-feira, março 11, 2011

Daniel Oliveira, a propósito da manifestação de amanhã. Importante ler o artigo todo.

Estou seguro que a esmagadora maioria dos que vão protestar sabe de que lado está na luta que se trava nestes tempos difíceis. Que não se esqueçam de o dizer. Se no dia seguinte todos aplaudirem a manifestação, saberá quem lá foi que falhou o seu objetivo. Só é consensual o que é inútil. Ou o que é reciclavel para todas as agendas.

Podem tentar deturpar os objectivos da Manifestação. Podem dizer que é a esquerda, a direita, o que quiserem. Os objectivos são claros. Amanhã, lá estarei.

quinta-feira, março 10, 2011

Um Grito de Amor Desde o Centro do Mundo, Kyoichi Katayama


É mesmo isso: um grito de amor. Katayama é, supostamente, o escritor japonês mais lido no mundo e este romance, o mais lido de todos os tempos. Duas personagens centrais que se conhecem na infância e vivem um amor efémero na adolescência: Aki e Sakutarô. O romance avança e recua no tempo, de uma forma bastante perceptível para o leitor. As descrições são muitas, mas não excessivas e sempre criativas. Há uma união entre a vida e a morte, há poesia na prosa. Não o posso considerar uma obra-prima, mas é, sem dúvida, um livro recomendável.

sexta-feira, março 04, 2011

Descobertas

Lido muito mal com pessoas desconfiadas...

...

... and then I realized how much I missed you...

quinta-feira, março 03, 2011

Actualidade

João Moreira de Sá (arcebisposarrafeiro) responde, no 31 da Sarrafada, a Mário Soares e ao seu artigo no DN. Eu (claro que) não faria melhor. Toma lá que já levaste. E para a próxima tenta ser um bocadinho menos arrogante e informa-te melhor junto de quem sabe, nomeadamente junto dos "anarquistas" ou lá o que é.

quarta-feira, março 02, 2011

Pensamento do dia

Se desconfiarmos de nós próprios, desconfiamos sempre dos outros. Tão simples quanto isso. Se rimasse, podia ser um provébio.

José Luís Peixoto

Livro, José Luís Peixoto

A genialidade de um autor, a obra. "Livro" é uma viagem aos anos 60 numa aldeia perto de Coimbra. Emigração, Paris, Portugal profundo. Divide-se em dois grandes capítulos, em tempos diferentes. O narrador envolve-se - a história é dele, pertence-lhe como a nós pertence a história de nossos pais. "A mãe pousou o livro nas mãos do filho" assim começa, mas continua numa aldeia de pessoas como as outras, de segredos e verdades como em todos os sítios. Várias partidas para França, as dificuldades e a miséria de quem a viveu, de quem teve de viver nos bairros pobres de Paris, de quem nunca esqueceu Portugal. A minha personagem: Josué. Pelo amor que tem e que dá.  

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

O que não é

Bravura não é enfrentar o mar, não é ir para longe, não é navegar.

Diálogos

- Em teoria é um género de que não gostaria muito. Mas gosto imenso dele.

- Em teoria sai-te sempre tudo ao lado, também.

Duas pessoas a rirem-se de mim à gargalhada. Vocês têm a mania que são chicos-espertos. Bastards.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Pensamento do dia

O importante não é a casa onde moramos, mas onde, em nós, a casa mora.

Mia Couto

Descobre-se que se tem de mudar de cor de pó quando...

para me identificarem dizem: "é aquela sua colega loira, muito bonita e de pele morena...". Está visto que o 53 não é uma boa cor.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Pensamento do dia

O meu umbigo é bastante mais pequeno que o meu mundo. O meu mundo é enorme.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

Oswaldo Montenegro (obrigada, I.!)

Palavras

Mar. Lareira. Filme. Chuva. Vento. Manta. Pinhas. Madeira. Estalido. Chá. Som. Só. Garagem. Lenha. Jazz. Ondas. Granizo. Botija. Frio. Cigarros. Vinho. Sorriso. Sonho. Calma. Livro. Quente.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

ai portugal, portugal...

(...)
No meu portugal há um Estado absolutista que me impõe regras que nem deviam ser legais. Que me obriga a passar recibos verdes online,. Que me obriga e entregar o IRS online. Mas que depois não é capaz de me deixar votar online, pois se nem ainda chegou à fase de conseguir condições técnicas de eu conseguir saber o meu novo número de eleitor online para poder votar! (porque no meu portugal eu sou obrigado a pagar um cartão de cidadão - a cidadania paga-se - e um novo número de eleitor mas o meu portugal não tem quaisquer obrigações para comigo, nem de me informar em devido tempo que novo número de eleitor Comprei).
(...)
O meu portugal revolta. Parece que revolta a todos mas de formas diferentes. A uns causa revolta a classe política, assim, por inteiro; a outros causa revolta viver num país em "que para ser escravo é preciso estudar"; ainda a outros causa maior revolta que uma música possa estar a espelhar essa revolta (ainda se fosse do Zeca...). Mas como é que se revolta uma "geração sem remuneração"? "Vão sem mim que eu vou lá ter" que agora estou aqui no conforto do sofá a ver a revolução no Egipto na Aljazeera porque hoje somos todos egípcios!

Somos todos egípcios o CARA...ças! Eu não sou! Não sou porque me recuso a, com a minha passividade, insultar um povo que agiu, em vez de calar em angustia a revolta; agiu, quando percebeu que não se chega a lado nenhum com cantigas, nem com palavras; agiu, quando em vez de escrever desabafos estéreis (assim como este), levantou o AlCú do al-sofah e decidiu fazer alguma coisa: pedir um Egipto para eles.

Nós temos lá tempo e paciência de exigir um Portugal com P maiúsculo (ou mesmo um Egipto com Pê) para nós! isso envolve manifs e assim. E nas manifs há muita gente. E depois não há lugar para estacionar o carro.


por arcebisposarrafeiro

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Jogo




Mais um dia em vão
No jogo em que ninguém ganhou
Dá mais cartas, baixa a luz
E vem esquecer o amor
És tu quem quer
Sou eu quem não quer ver
Que tudo é tão maior aqui
Está frio demais para apostar em mim
Vê que a noite pode ser
Tão pouco como nós
Neste quarto o tempo é medo
E o medo faz-nos sós

És tu quem quer mas eu só sei ver
Que o tempo já passou e eu fugi
Que aqui está frio demais p'ra me sentir
Mas queres ficar

Tudo o que é meu
É tudo o que eu não sei largar
Queres levar
Tudo o que é meu
É tudo o que eu não sei largar
Vem rasgar o escuro desta
Chuva que sujou
Vem, que a água vai
Lavar o que me dói
Vem, que nem o ultimo a cair
Vai perder

Milagrário Pessoal, José Eduardo Agualusa

São palavras originárias de várias línguas, é a busca dos neologismos, é a linguagem dos pássaros, é uma história de amor. Iara, jovem linguista, procura neologismos para serem incluídos nos dicionários. Para isso pede ajuda ao antigo professor - ex anarquista angolano - e cumprem-se viagens, estórias e conversas. Personagens hilariantes, lugares improváveis e o amor, o desejo.
Agualusa é um grande defensor do Acordo Ortográfico, eu ainda sou resistente, apesar de compreender os seus argumentos - provavelmente acabarei por me render.
Ainda sobre o livro, Bruno Vieira Amaral escreveu, entre outras coisas, que Palavras também são poder, política no sentido mais lato. Podem significar insubmissão, como no caso do timorense que declamava sonetos de Camões. Podem siginificar afirmação nacionalista, como no caso das elites brasileiras que passaram a utilizar apelidos de origem tupi. Podem significar subversão, como o colonizado que pretende colonizar a língua do colonizador para assim o dominar.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Rir é mesmo o melhor remédio...

No meio duma troca de e-mails, normalmente parvos com algumas coisas sérias à mistura (esta não é a parte séria!)

Vou comprar comida que aqui em África dizem que há fome!

Não percebo porquê!
É só ir ao supermercado.