quinta-feira, julho 29, 2010

Adeus! (que é como quem diz, férias aqui vou eu.)



(a alteração que sabia que ia fazer. recepção à chegada de NYC; ortografia discutível, mas um emigrante tem sempre desculpa. principalmente por ser quem é.)

Este post foi alterado a 17 de Agosto.

quarta-feira, julho 28, 2010

Pensamento do(s) dia(s)

Que se lixe, aspiro à imperfeição. Ou, posto de outro modo, libertei-me da necessidade de perfeição. Isso permite-me viver feliz com base nas minhas escolhas.

Haruki Murakami, in "O Elefante evapora-se".

segunda-feira, julho 26, 2010

Chega o Verão, aproximam-se as férias e é isto...



I will go in this way
And find my own way out
I won't tell you to stay
But I'm coming to much more

sexta-feira, julho 23, 2010

Pensamento do dia (revisitado)

O coração tem mais portas que uma casa de putas.

Rodrigo Guedes de Carvalho

Lindo, Lindo, Lindo!

quinta-feira, julho 22, 2010

No mínimo curioso...

Reflexões de José Pacheco Pereira no Abrupto a propósito das comemorações do centenário da República:

(...) E a Primeira República foi manchada igualmente pelos assassinatos políticos, em particular a célebre "noite sangrenta", em que foram mortos António Granjo, Machado Santos, José Carlos da Maia, Freitas da Silva, Botelho de Vasconcelos, entre outros. Por contraste, o único assassinato político que merece ser classificado como tal no Estado Novo foi o de Humberto Delgado, embora haja ainda muitas obscuridades quanto ao que se passou. Houve gente morta pela PIDE, nos campos de concentração, nas cadeias, sob tortura, em confrontos de rua, mas não existem provas de que se tratava de assassinatos deliberados.(...)

Ou seja: no Estado Novo, como se assassinavam pessoas e não se faziam registos (quem diria...), não há provas de que foram "assassinatos deliberados", logo, pode afirmar-se que pode até ter sido um regime que não matou ninguém, ao contrário da I República. Gostava de saber se, não havendo registo dos inúmeros assassinatos de diferentes regimes ao longo dos séculos e pelo mundo fora, também ficamos sem saber se Hitler ou Estaline (só para dar dois exemplos de muitos que se poderiam dar) eram realmente assassinos.

Dança, Dança, Dança, Haruki Murakami

Mais uma vez a realidade une-se ao fantástico. Personagens conhecidas do universo de Murakami - é a continuação de "Em buca do Carneiro Selvagem", ou pelo menos o retomar duma história de amor. Mas há novas personagens: um actor desesperado, uma adolescente com visões (é aliás, a personagem que mais me marcou); uma fotógrafa de sucesso que é uma mãe ausente; um escritor sem sucesso que é pai ausente, um pintor sem um braço, polícias, prostitutas, actrizes... Mas a centralidade da narrativa que a crítica considera "quase kafkiana" está no narrador, nos sonhos que tem e a busca da mulher da orelhas perfeitas e na recepcionista do "Hotel Golfinho", outrora um banal hotel duma pequena cidade transformado num grande hotel. O Homem-Carneiro, a solidão, a vida e a morte (a segunda faz parte da primeira, como já escreveu o autor), o amor.
Foi uma leitura demorada, o que não significa que não tenha adorado o livro. O título é inspirado numa música dos Beach Boys, ao longo da estória, e como sempre neste "universo murakami", a música, os gatos, as mulheres, a culinária, as bebidas... estão lá.    

Estão para a troca!

Por Pedro Viana em Vias de Facto

Ouvi dizer que há quem ache, pelos lados da Direita, que a Constituição da República Portuguesa limita demasiado as políticas económico-sociais que um Governo pode implementar. Gostariam de eliminar algumas palavras, como "tendencialmente gratuito" no ponto 2 do artigo 64 (Saúde), e trocar "justa causa" por "razão atendível" no artigo 53 (Segurança no emprego"). Aceito. Se, e apenas se, em troca, me deixarem eliminar "mediante o pagamento de justa indemnização" e trocar "com base na lei" por "razão atendível", no ponto 2 do artigo 62 (Direito de propriedade privada). Ficava assim: "A requisição e a expropriação por utilidade pública só podem ser efectuadas por razão atendível." Que acham? Ficavamos com uma Constituição bem mais neutra, ou não?...

terça-feira, julho 20, 2010

Holy Ghost



I go to Church
I must be forgiven
Deep in my heart
I know I’m a sinner

I look for love
And for the Blessing of the Virgin
Could you care less
About my soul?

Lights & Darks

Podia insultar uma pessoa a quem entrego um envelope para entregar a outra que o abre e vê o que tem dentro. Podia.
Podia explicar que não se pousa um copo cheio de uma coisa parecida com "capuccino" em cima dos papéis que estão na minha secretária. Podia.
Podia mandar isto tudo às urtigas e ir embora. Podia.

Podia imensa coisa, mas entretanto trabalho ao som do novo álbum da Rita Red Shoes e ... não insulto, não explico, não mando.

sexta-feira, julho 16, 2010

Algum de Todo o Sentimento

(...)
Pretendo descobrir no último momento
O tempo que refaz o que desfez

(...)
Onde não diremos nada, nada aconteceu
Apenas seguirei como encantado ao lado teu
 
Chico Buarque de Holanda

SMS no momento oportuno

Gosto de ti, porra!

Lindo. Eu tenho amigos do caraças. Obrigada, muito obrigada.

quinta-feira, julho 15, 2010

E agora que já desabafei, a versão Libelinha (ou o melhor de mim)

O dia de S. João Baptista celebra-se no dia dos meus anos. Deve ser por isso que muitas vezes me divido entre a versão Joaninha e a versão Libelinha.
 
"Fiel a Deus e fiel a si próprio. Não por teimosia, mas por humildade. E por isso mesmo, soube encontrar o tempo justo e o lugar oportuno para ser motivo de consolação e de divisão. Só quem tem o centro da vida posto em Deus, pode viver desta liberdade. De facto este homem, para reagir assim, é porque devia estar com a cabeça perdida." por Nuno Branco, sj

Não tenho a veleidade de me achar parecida com ele. Tenho tão só a vontade de encontrar a liberdade de ser justa sempre que sou capaz.

Há coisas cujos títulos seriam no mínimo obscenos

Não. Não me peçam para aceitar o que não sou capaz sequer de compreender. Eu sei que vai contra tudo o que defendo, tudo em que acredito. Mas não vão por aí. O meu coração (que nem sei de que é feito às vezes) não pode aceitar que se recebam gestos de simpatia e cordialidade de quem nunca nos fez bem. Intolerante, sim. Mas de repente, porque alguém morre, passam todos a ser bestiais e tudo nos comove???
Disse-o no calor do momento, digo-o passado um dia, tenho dúvidas se alguma vez deixarei de pensar assim: "que metam os sentimentos... num sítio que todos sabemos" (foi na parte das reticências que a minha mãe ia desmaiando a imaginar o que pudesse sair da minha boca).
Há coisas que não me dizem respeito, mas na parte em que diz só tenho a constatar que há coisas que nunca vou ser capaz de perdoar (quem faz mal à minha família faz-me mal também). De repente somos todos amigos, não?
Eu acredito na tese do "bom selvagem". Mas com o tempo passei também a acreditar que há pessoas genuinamente más (independentemente de terem nascido boas) e que dificilmente deixarão de ser - ainda que se curem de tudo o resto. E, portanto, se sou defensora (porque continuo a ser) de que todos merecem mais do que uma oportunidade, de que todos devemos ter o dom do perdão (às vezes perdoar é mais difícil do que pedir desculpa) todas as regras têm excepção (no caso nem é excepção, porque pura e simplesmente não acredito em nada que venha dali).
Não sou capaz de esquecer que o facto de ter a felicidade de pertencer a uma família civilizada só trouxe amarguras e problemas (no caso concreto, obviamente). Acima de tudo não serei nunca capaz de esquecer que foi a prova de que de repente passo a defender aquilo contra o que lutei desde que sou gente. Pasmem-se: às vezes, a violência só se resolve com violênca. E tenho dito.

Vida [que não é]

quarta-feira, julho 14, 2010

O verdadeiro homem da luta

Isaltino garante que lutará "até ao fim"

E acho que faz bem, porque de recurso em recurso a pena vai sendo reduzida. Ainda assim pergunto se vai continuar a "comandar" os destinos de Oeiras na pildra, já que é condenado a 2 anos de prisão (aparentemente efectiva) por fraude fiscal e branqueamento de capitais - coisa pouco grave, nos tempos que correm - mas não perde o mandato. Onde é que está o sentido disto...?

terça-feira, julho 13, 2010

"Ah e tal" eu não acredito mas pelo sim pelo não... :) Lindo!



I don't believe in an interventionist God

But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms

Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's "is that true?"
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms

Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

And But I believe in Love
And I know that you do too
And I believe we can choose our path
And we can walk then, me and you
So keep those candles burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore

segunda-feira, julho 12, 2010

Por uma vida sem donos

Sou a estrela do mar

só a ele obedeço, só ele me conhece
só ele sabe quem sou no princípio e no fim
só a ele sou fiel e é ele quem me protege
quando alguém quer à força
ser dono de mim

Não sei se era maior o desejo ou o espanto
mas sei que por instantes deixei de pensar
uma chama invisível incendiou-me o peito
qualquer coisa impossível fez-me acreditar

Jorge Palma

sábado, julho 10, 2010

Hoje vou chorar-te, celebrar-te-ei para sempre

Eram 4. "Os 4 cavaleiros", "Os 4 da vidairada". De todos, eras o mais alegre, o menos sisudo, o que mais gostava da "boa vida". Não me lembro de te ter visto alguma vez maldisposto. Sei que não me querias ao pé de ti nos teus últimos dias, nenhum de vós é capaz de mostrar o espectáculo da vossa doença aos que consideram filhos. Nisso, são os 4 exactamente iguais. Combinámos "um leitão e uns copos" no final do mês e é isso que farei. No meio disto tudo posso ter varicela e tenho a certeza que estás a rir à gargalhada com a brincadeira [bem sei que não acreditavas, agora saberás que tinha razão].
Vou ter saudades de me estares sempre a chatear nos almoços de família porque tudo o que me vias comer "engorda"; de me encheres o copo de vinho e dos beliscões. Vou lembrar-me sempre da dentada enorme que um dia tinhas no braço, e depois de te perguntar o que era explicaste a rir que estavas a brincar aos leões com o Gui e ele levou a brincadeira demasiado a sério. Há pouco mais de um mês estivemos no alpendre a beber uma cerveja, a fumar um cigarro e a conversar enquanto não chegavam todos. Será sempre nas alturas de festa que te vou recordar, que te vou celebrar.

Hoje percebi que afinal nenhum de vós é imortal. Não há nada que me assuste mais.

quinta-feira, julho 08, 2010

Diálogos que não aconteceram mas aconteceram

Ele - "Eu e ela temos questões de fundo"
Ele (outro, no auge do sarcasmo) - "YOU ARE GAY".

Non-sense, eu sei. Mas não é. É e não é.

Porque rimos e choramos, e choramos a rir juntos. Amo-te como amaria o irmão que não tenho. Amo-te mais ainda, porque com um irmão haveria sempre a justificação do sangue. Às vezes irritas-me porque vives demais com o coração [o nosso coração às vezes tem tantos buracos como um queijo suíço] e não entendes que não pode ser (sempre) assim. O Trotskista que se lixe (com F) e o sistema também, que não há nada como poder falar e dizer o que nos apetece, e parecermos umas "velhas de bairro" e borrifarmo-nos para o que dizemos, como dizemos, porque sabemos que entre nós podemos dizer tudo o que nos apetece.

quarta-feira, julho 07, 2010

Pensamento do dia

Preciso de uma ordem de restrição para ser proibida de entrar na FNAC.

terça-feira, julho 06, 2010

Em Modo Joaninha ou AS COISAS QUE ME TIRAM DO SÉRIO

O Fisco, rais'parta o dito.
Pessoas que comem no posto de trabalho de boca aberta e fazem barulho
Pessoas que vêm de chinelos para o trabalho (eu fico doida, juro que fico)
Perguntas estúpidas, principalmente relacionadas com coisas que ninguém resolve porque não e depois se mostram muito interessadas em saber não sei muito bem o quê
O próprio umbigo ou os que só sabem olhar para ele (como se fosse muito bonito, ainda por cima).

Agora vou contar até 100, rir à gargalhada e continuar o meu dia que só pode melhorar!

Expliquem-me como se eu fosse (!) muito burra...

Duas cartas das Finanças no mesmo dia. (Aprendi com o meu Pai a ficar indisposta sempre que vejo uma carta das Finanças em meu nome - duas entro em pânico!).
A que julgo ser a 1ª (só porque reparei na "Nota" pequenina que dizia "a demonstração de compensação segue em envelope separado) diz: "Fica V. Ex.ª notificado(a) da liquidação de IRS relativa ao ano a que respeitam os rendimentos, conforme nota demonstrativa junta.
Poderá reclamar ou impugnar nos termos e prazos estabelecidos nos artigos 140.º do CIRS e 70.º do CPPT".

A suposta 2ª carta reza assim: "Fica V. Ex.ª notificado(a) que, conforme demonstração de compensação junta, não há lugar ao pagamento ou reembolso do saldo apurado, por ser inferior ao limite mínimpo previsto nos arts. 96º, nº 7 do CIRC, 95º do CIRS e 33º, nº 4 do CIS."

No meio disto tudo, depois do "estorno" que recebi do IRS, aparece o "Saldo Apurado": € -1,07.

Ora bem, fiquei sem perceber se este "acerto" que eu não entendo, e independentemente de ter percebido que no fim de contas ninguém deve nada a ninguém por ser uma quantia que o Fisco considera irrisória, se sou eu que devo ou é o Fisco que me deve. É que se sou eu faço questão de pagar. Se forem eles, faço alguma questão de receber, mas só para chatear.

Independentemente da questão, devia haver maneira do cidadão comum (onde me incluo, naturalmente) conseguir perceber à primeira o que estes senhores querem dizer. É que estou-me pouco borrifando para os artigos do CIRC, do CIRS, do CIS e do raio que os parta. Só não quero dever nada a ninguém, muito menos a estes senhores.  

segunda-feira, julho 05, 2010

A propósito da Paternidade-mais-esquisita-do-mundo-de-Cristiano-Ronaldo

Gostava de saber onde se meteram os defensores da "família tradicional" (seja lá o que isto quer dizer).

Eu também não (sei)

Uma coisa é o amor, outra é a relação. Não sei se, quando duas pessoas estão na cama, não estarão, de facto, quatro: as duas que estão mais as duas que um e outro imaginam.


António Lobo Antunes

sexta-feira, julho 02, 2010

Quando as boas músicas ainda por cima dizem tudo



("muito obrigadinha" por mais esta maravilha!)

It's hard, hard not to sit on your hands
And bury your head in the sand
Hard not to make other plans
and claim that you've done all you can all along
And life must go on

It's hard, hard to stand up for what's right
And bring home the bacon each night
Hard not to break down and cry
When every idea that you've tried has been wrong
But you must go carry on

It's hard but you know it's worth the fight
'cause you know you've got the truth on your side
When the accusations fly, hold tight
Don't be afraid of what they'll say
Who cares what cowards think, anyway
They will understand one day, one day

It's hard, hard when you're here all alone
And everyone else has gone home
Harder to know right from wrong
When all objectivity's gone
And it's gone
But you still carry on

'cause you, you are the only one left
And you've got to clean up this mess
You know you'll end up like the rest
Bitter and twisted, unless
You stay strong and you carry on

It's hard but you know it's worth the fight

'cause you know you've got the truth on your side
When the accusations fly, hold tight
And don't be afraid of what they'll say
Who cares what cowards think, anyway
They will understand one day, one day.

Pensamento do Dia

"A minha alma está armada e apontada para a cara do sossego".

E aguento-me à bronca, pois claro!

terça-feira, junho 29, 2010

Brilhante (II)

Via Mar Salgado por FNV

Dr. K.A. MORE (V):


" A minha filha não gosta de rapazes. Falou comigo no outro dia , mas eu já sabia, já desconfiava. Nunca a vi com um rapaz. Diz que está apaixonada por uma colega, mais velha, que já está em estágio. Estou de rastos, o meu marido está em choque. O meu mundo desabou".

Pois desabou e já não há nada a fazer. Acontece. Adiante. O que lhe parece o mundo novo? A sua filha respira sozinha, estuda e ri-se, não é? E, quando a vê, a senhora dá-lhe beijos, não dá?

O seu mundo novo é velho. É ter os filhos vivos, felizes ( enfim, nesta época ensinam-lhe essse disparate da felicidade, parece que vem nas revistas) e ao pé de nós. Faz-lhe impressão imaginar um almoço com a namorada da sua filha? Claro que faz, compreendo. Antes de elas chegarem, pense em todas as vezes que teve a sua filha nos braços, vá ao álbum buscar uma fotografia antiga. O que é que conta, do princípio ao fim dos tempos? Pois é.

Brilhante

via Mar Salgado, por FNV

Dr. K.A. MORE(I):


" O meu namorado pediu-me um tempo. Tenho a impressão de que quer romper. Por que faz ele as coisas desta maneira? O que hei-de fazer?"


Depende. Se você tem 20 anos, deixe-o ir. Se começa tão cedo a acreditar nestas balelas está perdida. Pedir um tempo é a forma masculina de misericórdia. Eles agoram usam hidratantes, mas o cérebro ainda vai precisar de 50.000 anos para mudar.

Se você tem 49 anos, está divorciada e o tipo é asseado, compre uma colecção da sua série favorita de TV e aguarde. Se ele não voltar a dizer nada, tente a faixa etária 65-75.

segunda-feira, junho 28, 2010

Dos nadas

É uma espécie de fado, o "fado triste, das vielas". Quando as palavras são frágeis, inquietas. "As palavras são pedras" que podemos arremessar, só não podemos viver sem elas - "somos obrigados a pensar com palavras, a sentir com palavras se queremos pelo menos que os outros sintam connosco". Gosto da "linguagem do silêncio" mas essa não tem dicionário e por isso nem sempre a entendemos. [cresci a aprender que nem sempre temos de estabelecer diálogos para nos sentirmos bem ao lado de alguém]
Porque me aborrecem os diálogos frágeis, aqueles que não ficam nem levam a lado nenhum. É nessa fragilidade que muitas vezes nos relacionamos e é essa fragilidade que não quero, porque é a solidão no seu estado mais profundo: não é medo, não é abandono, não é ausência - é simplesmente não ser. [é perceber que tens tudo e afinal não tens nada; é ter um medo terrível de que não te apercebas disso a tempo; é o pânico de não te poder agarrar].

"I came in praying for you"

Tubo de Ensaio, Bruno Nogueira e João Quadros

É uma compilação de textos do programa com o mesmo nome que passa na TSF de 2ª a 6ª. Uma óptima leitura para a praia. B.N. e J.Q. têm alguns "ódios de estimação": a Maya, o Camilo de Oliveira, a Simara, Florbela Queirós... enfim, tudo figuras públicas de "alto gabarito". Confesso que sou uma fã do "lado negro" deste programa - e do livro - em temas sensíveis como o célebre "Caso Maddie" ou o Joseph Fritzl, "o Monstro de Amstetten". Cada capítulo tem apenas 2 páginas, em regra (são apenas uns minutos de rádio) divididos em rubricas como Deu que falar; Curiosidades; Enviado banal; Projectos para o Futuro; Ponto de vista; Pouco Provável; Entrevista de tamanho M e Sugestões para o Fim-de-semana que passou.

Uma "Entrevista de tamanho M" é com Deus. Nogueira e Quadros criam um diálogo com Deus a propósito das catástrofes que acontecem... "se Deus quiser".

Na rubrica "Curiosidades", a propósito da LEGO, apresentam alguns factos importantes: "Sabia, que o primeiro boneco criado pela LEGO, em 1979, foi o do polícia? E que, dois meses mais tarde, nasceu a primeira minifugura mulher, a enfermeira? Parece que a ideia inicial era fazer um filme porno de animação. E sabia que, só em 2003, os bonecos da LEGO passaram a ter figuras de raça negra? Pode parecer estranho aparecerem só nesta altura porque a LEGO é quase tudo à base de construções... pois, lá vem a senhora da igualdade... desculpe. (...)"

Em "Pontos de Vista", sobre Moita Flores: "O Moita Flores é um bocado o MacGyver dos comentários. Safa-se sempre, seja qual for o assunto em que se meta: vai buscar um lugar comum aqui, uma estatística ali e um conhecimento superficial sobre o tema acolá, junta tudo num discurso e acaba por se safar a passar por especialista."

É um livro leve, cómico e que recomendo. Não posso deixar de dizer, no entanto, que foi muitíssimo mal revisto (está cheio de erros e gralhas, a pontuação e acentuação deixam muito a desejar) ainda que tenha a 1ª edição - não sei se entretanto reviram os textos.

sexta-feira, junho 25, 2010

30

3 Décadas/ 3X10/ 1+29/ 31-1.

Há coisas que se repetem, mas só porque fazem sentido.

Gracias a la vida porque me ha dado tanto!

quarta-feira, junho 23, 2010

Dos Balanços que não gosto

Eu quero letras, não quero contas nem balanços.  

Hoje sei que a vida é feita para viver, e não há nada mais simples do que isso. A estrada é feita para seguir, os caminhos são para percorrer: venha quem vier, doa a quem doer. É cru, inóspito, mas as coisas são como são. Não há nada melhor do que viver o perigo duma paixão, essa "fatalidade fácil", mas às vezes temos de apanhar os "cacos".

Sou, hoje - não sei como será amanhã - as minhas opções, as minhas escolhas (tantas vezes erradas!), os caminhos que fui escolhendo, umas vezes cheia de certezas, outras simplesmente por inércia (ou irresponsabilidade).  Nunca foi urgente chegar a lado algum.

Fui a música do Chico (Vida, minha vida/Olha o que é que eu fiz/Deixei a fatia/Mais doce da vida/Na mesa dos homens/De vida vazia/Mas, vida, ali/Quem sabe eu fui feliz ), fui Morna de Mim (Acredita, Lua/Se eu fosse uma mulher/Com companhia/Não seria tão tua), fui tantas outras músicas. Quero ser Bossa Nova, quero ser Jazz, quero ser Rock. Quero ser tudo, com tudo de bom e de mau que isso implica: como a preia-mar e baixa-mar. Desde que não seja tudo e coisa nenhuma.


E no meio disto tudo - hoje - sou Feliz!

segunda-feira, junho 21, 2010

Ode ao Verão

Sai de casa e vem comigo
Para a rua, vem
Que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde
Se não vens

Deolinda

sexta-feira, junho 18, 2010

Luto

Estava a inserir a imagem e perguntava-me o blogger em que posição a queria. À esquerda, sempre à esquerda.
Discordei muitas vezes do que disse, algumas do que escreveu. Não posso dissocia-lo do grande escritor que é (sem ter precisado dessa confirmação quando, em 1998, foi Nobel da Literatura).
Nasceu num país que o maltratou e que ele muitas vezes criticou ferozmente. Nem sempre, do meu ponto de vista, foi coerente.
Escrevi sobre dois livros dele aqui e aqui.
Serei uma eterna leitora do que escreve, pela genialidade, pelo domínio profundo da língua portuguesa.
Estou triste e não me apetece escrever mais.
Eu sei que ele não acreditava, mas espero que agora me dê razão! :)
Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro. J.S.

Das coisas que me tiram do sério

As iluminadas deputadas socialistas Teresa Venda e Rosário Carneiro apresentaram uma proposta (que recebeu consenso no PS) de eliminar quatro feriados - 2 católicos e 2 civis - e acabar com as pontes em nome da "produtividade". E eu acho graça (só mesmo porque há coisas de que nos devemos rir, sob pena de terminarmos o nosso dia agarrados à almofada e a chorar desalmadamente porque estamos entregues aos bichos), afinal parece-me que faz todo o sentido festejar o 25 de Abril a 27 ou o Dia de Todos os Santos a 3 de Novembro só porque sim.  É mais ou menos como fazer anos a 26 de Junho quando na realidade já os fizemos há uns dias.

Temos, em Portugal, 5 feriados civis:
Dia da Liberdade - pasmemo-nos, celebrar um dia como o 25 de Abril! -
Dia do Trabalhador - que disparate, se é dia do trabalhador devíamos todos trabalhar, ora!
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades - podia fazer a piada do "zarolho", mas não faço  
Implantação da República - como este ano se celebram 100 anos até podemos acabar com ela, que já está velhinha, coitada
Restauração da Independência - eu até acho que aquela "quase lenga-lenga" que aprendíamos na escola do "1143, quem não sabe esta data não é bom Português" é um disparate, e até se ouve tanta gente a dizer que devíamos era ser espanhóis...

Os feriados católicos são 8, que não vou enumerar, apenas dizer que para mim, todos fazem sentido. Mas isso é para mim.

E depois ponho-me a pensar - coisa que faço cada vez menos e começo a achar que não devia fazer de todo - que não tenho memória de ter visto nenhuma manifestação destas duas senhoras na tolerância dada aos portugueses em geral (e depois a outros em particular) aquando da visita do Papa. Ou até quando o nosso Primeiro-Ministro nos dá, amavelmente, tolerância na tarde que precede a 6ª feira Santa ou na véspera do dia de Natal. Mas isto são pormenores: na verdade, o que interessa aqui, é que o MEU Natal celebrar-se-á sempre a 25 de Dezembro, o MEU dia da Liberdade será sempre o 25 de Abril. Venha quem vier. Porque as "pontes" que devem acabar em nome duma "produtividade" que ninguém entende - porque quem faz "ponte" tira férias, logo tem direito a ela; porque o (falso) problema da produtividade não se resolve com medidas ridículas como esta.

Avancem lá com estas medidazinhas sem sentido, em vez de se preocuparem com o que realmente altera a nossa vida. Venham lá com as "medidas de austeridade" que nós aguentamos, principalmente quando lemos notícias destas:

"O Governo já pagou o empréstimo de 450 milhões de euros que seis bancos portugueses concederam ao Banco Privado Português (BPP), com aval do Estado."

"A dívida pública portuguesa irá aumentar em vários milhões de euros devido à incorporação da RTP na esfera de contabilização das administrações públicas. Esta é uma decisão que o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgará para a semana, no âmbito de uma revisão metodológica da contabilidade nacional. "

quarta-feira, junho 16, 2010

Mais pontos de vista, desta vez Cuba

É um texto extenso, que não tive tempo para ler na totalidade. Mostra aquilo que defendo há anos (política à parte) no que respeita à imprensa e aos "opinion makers": temos de ter muito cuidado com o que lemos. Penso que haverá algumas imprecisões históricas, eventualmente factuais (afinal, também aqui se aplica o "cuidado") mas está brilhante. A ler aqui.

segunda-feira, junho 14, 2010

Pontos de vista de que gosto

"(...) A antiga prostituta, muito carinhosa, enchia-lhe a vida. Amava-o como sabem amar as mulheres que venderam o seu corpo a multidões de homens. Essas mulheres são as requintadas do amor. As mestras do carinho. Conceição adivinhava-lhe os desejos. Dava-lhe essas felicidades quotidianas que os homens equilibrados conseguem e os outros tanto procuram."

Jorge Amado in "O país do Carnaval"

O País do Carnaval, Jorge Amado

É o primeiro romance de Jorge Amado, escrito quando tinha apenas 18 anos. Um relato da intelectualidade da época, num país que "maltrata" aqueles que nasceram para pensar, escrever, ser. A personagem central é Paulo Rigger, mas todos (um grupo de "pensadores") têm a sua intensidade. É um grito, uma crítica feroz ao país (foi escrito antes da revolução de 1930 no Brasil). A eterna busca da felicidade, as vidas inúteis, a desistência. Amado começa o livro com uma "Explicação": "Diante da grandiosidade da natureza, o brasileiro pensou que isto fosse um circo. E virou palhaço..." e continua: "Este livro é como o Brasil de hoje. Sem um princípio filosófico, sem se bater por um partido. Nem comunista, nem fascista. Nem materialista, nem espiritualista. [...] Eu quisera intinular este romance de «Os homens que era infelizes sem saber porquê», mas a gente tem vergonha de certas confissões. E fica-se vivendo a tragédia de fazer ironias."
Tenho dúvidas que hoje, no Brasil, este "início" não continuasse a fazer sentido. Em Portugal faz.

quarta-feira, junho 02, 2010

Isto não tem nada a ver com Dostoiévski

Não sei jogar. Não estou certa se desaprendi ou se nunca soube, mas o meu pragmatismo não me permite, hoje, jogar. Um jogo, por mais sério que seja, é sempre uma espécie de brincadeira. Eu gosto da simplicidade do "ou sim, ou sopas", "ou vai, ou racha", "ou coiso ou sai de cima". Gosto, acima de tudo, de viver com optimismo, com sorrisos e brincadeiras, mas com a seriedade que a vida merece por ter tanto valor.
Isto não pode ser uma espécie de roleta, sob pena de se tornar uma roleta russa (volto a reler o título do post e como sempre acho que não ando boa da cabeça). E há riscos que não se devem correr. Prefiro fazer a pensar como seria se tivesse feito. Executar, como um ficheiro no computador que com um simples clique se aplica (apesar do sacana do anti-vírus nem sempre funcionar). Porque nunca estamos protegidos, e ele há vírus que se apanham sem sabermos muito bem como.

terça-feira, junho 01, 2010

O Jogador, Fiódor Dostoiévski

Um retrato duma certa aristocracia europeia em estado degradante. Personagens simples (para não dizer simplórias) junto de outras de uma enorme densidade. Dostoiévski transforma um livro escrito no sec. XIX numa obra intemporal, quer no que respeita ao problema do jogo, quer na questão das mentalidades. É também uma crítica à cultura europeia, F.D analisa criticamente os "franceses", "alemães", os "russos" e os "ingleses" principalmente através da personagem central (e essencial) Alexei Ivanovich, o russo que desde cedo tem noção do "perigo" do jogo, mas que acaba por se perder nele.
A ler.

(...)

via Postsecret

sábado, maio 29, 2010

O Post da redenção

Eu, pecadora, me confesso. Fomos ao um concerto do "Jazz ao Centro" no Mosteiro de Santa-Clara-a-Velha. Convenci a Malta (uns mais facilmente que outros!). Eh pá, desculpem. Na minha ignorância achei que um trompetista a solo não podia inventar muito, por muito alternativo que fosse. O cenário previa-o brutal (aí, a minha previsão não falhou) mas tudo o resto foi um fiasco. Peter Evans foi péssimo. Os intelectuais da cidade lá estavam, alguns sem reacção, outros a bater o pé ao ritmo não sei muito bem de quê. O tipo inventou, inventou... e aquilo não teve explicação. Valeu-nos o jantar e o resto da noite (eu fui a resistente que só ia jantar e depois ia para casa, acabei por me deitar de dia, que detesto).

Ainda o Jazz ao Centro: mal organizado, muito na onda da malta que é "cool" e que até nem se importa de ver um concerto de pé. Não se vendem bilhetes a mais do que cadeiras, digo eu. Ou então avisam-se as pessoas. Como também não se diz que os bilhetes estão à venda em tal sítio e depois não estão. Os senhores com o "dístico" da organização ao peito deviam ter tido vergonha e levantar o rabinho para quem comprou bilhetes se sentar (mesmo assim os lugares não chegavam). Nós entretanto levantámos o dito (rabinho) e deixamos 3 lugares vagos (embora fossemos 5) porque de facto não há paciência.

O Mosteiro: Vale a pena visitar, o bar e a esplanada valem a pena (embora só tenha tomado um café) e é mais um sítio agradável em Coimbra para ir.

Aos meus amigos que aturam o meu entusiasmo com coisas que se passam em Coimbra: desculpem lá...

quinta-feira, maio 27, 2010

Estados

Em modo de arquivo.
E de contemplação do nada.

domingo, maio 23, 2010

Hoje...

... recebi os 7 Dons do Espírito Santo:
Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus.

Não podia estar mais grata.

sábado, maio 22, 2010

quinta-feira, maio 20, 2010

O Deus das pequenas (!) coisas

Desaparecer por uns dias, só porque sim. A praia e o mar de manhã. Gargalhadas, disparates, o meu novo leitor de Mp3. Chegar de noite, às escuras, e ter o jardim inundado de pirilampos. Parar e apreciar o cenário, rir sozinha dos tempos em que os guardava em frascos e no dia a seguir estavam mortos. Chegar a casa de madrugada, após 3 dias de ausência, e ver a felicidade estampada nos pulos do Cupi (cada vez mais penso que, se há animais que são fiéis até ao fim, também deve haver pessoas assim).
Diálogos:
"- Tenho-me lembrado de ti. Apetecia-me finos, dizer mal da vida."  Meu querido Bastard do meu coração, em breve é isso que faremos, prometo. Tenho saudades mas assim fico a morrer delas! :)

quarta-feira, maio 19, 2010

Auto-Retrato de um Escritor enquanto corredor de fundo; Haruki Murakami


É um elogio à corrida. Murakami descreve a sua vida desde o momento em que decidiu largar o bar de Jazz para se dedicar à escrita, ao mesmo tempo que começa a correr. Faz várias maratonas (inclusivamente a verdadeira entre Atenas e a cidade de Maratona - descobri, entretanto, que para se fazerem exactamente os 42,195 Km é necessário fazer um pequeno desvio) e durante vários anos treina quer para a maratona, quer para o triatlo. É durante estes anos que se dedica também à escrita (e em que escreve, do meu ponto de vista, verdadeiras obras primas). É um livro que fala da inevitável decadência física de quem tem a "sorte" de não morrer cedo. Fala do envelhecimento com o fatalismo de quem não lhe foge, mas que tudo tenta para o adiar, ainda que sem angústias.
É dos livros mais pequenos de Murakami e o que mais demorei a ler (ainda me falta um para concluir tudo o que está escrito e traduzido em português) o que reitera a ideia de que os livros não devem ser "contabilizados a metro" e de que deve haver um determinado estado de espírito para ler certos livros.

quinta-feira, maio 13, 2010

segunda-feira, maio 10, 2010

Dúvidas

(...) Nem porque razão a tal depressão começa finalmente a desvanercer-se. Dúvidas, tenho muitas; explicações, nem uma. Direi apenas o seguinte: é a vida. Só nos resta aceitar a situação tal como ela se nos apresenta, sem fazermos questão de conhecer as razões que podem explicar tudo e mais alguma coisa. Como acontece com os impostos, o movimento das marés, a morte de John Lennon, os erros de arbitragem nos jogos do Campeonato do Mundo de Futebol.
(...)
Tal como eu tenho o meu papel a desempenhar, também o tempo tem o seu. E, é bom que se diga, o tempo cumpre o seu papel muito mais fielmente e com mais precisão do que eu alguma vez poderia fazê-lo. Desde que o tempo é tempo, lembrem-se (a propósito, quando foi isso, pergunto eu?), moveu-se sempre para a frente, sem um momento de descanso. E um dos privilégios concedidos àqueles que lograram uma morte precoce é precisamente o direito à velhice. Espera-os a honra da decadência física em toda a sua glória, e é bom que comecem a habituar-se à realidade.

Haruki Murakami, "Auto-Retrato do escritor enquanto corredor de fundo"

quarta-feira, maio 05, 2010

Eu às vezes penso, logo desespero

Confunde-se simpatia com educação. Confunde-se "dar confiança" com cordialidade. Neste espaço e neste tempo - nos tempos de hoje - confunde-se muita coisa. Não se pensa, só se julga. Não ter poses de "dótôra" e ser educada e cordial  é inversamente proporcional a permitir abusos de confiança  por pessoas por quem quem passo todos os dias mas que nada me são - mas a quem devo o respeito de serem cidadãos do mundo como eu.
Irra, que é preciso explicar tudo!!!!

terça-feira, maio 04, 2010

I'm still holding my cold heart
In your hands
Or in your wings

Rita Red Shoes

Das coisas que nos saem das entranhas, das verdades que não podem deixar de ser.

"Tens apenas de me fazer continuar a acreditar que na vida o melhor está sempre para vir: se reparares bem, aplica-se hoje na tua vida, como se aplicou há uns anos e tem de continuar a aplicar-se. É só isso que te peço.
Acredito na felicidade, acredito no Amor, na Amizade – essa estranha forma de Amor.
Acredito na Família e acredito em Deus que me deu a Graça de te ter tido estes anos todos na minha vida, e que hoje nos deu a testemunhar um dos momentos mais importantes das vossas vidas. Acredito na família que estão hoje a iniciar, e só posso acreditar que vão ser muito, mesmo muito felizes.

Vou desenhar esperanças, escrever danças, pintar os dias.
Cá te espero, sempre. Para sempre."

:)

sexta-feira, abril 23, 2010

Sobre o envelhecimento

Nos tempos que correm, vivo neste mundo «inimaginável». Isso confere-me um enorme sentimento de estranheza, e não sei ao certo se me considero um homem feliz. Se calhar, a questão também não importa assim tanto quanto isso. Envelhecer representa para mim - e, provavelmente, para toda a gente - uma experiência pioneira, e as emoções que me invadem são, também elas, novas. Se estivéssemos a falar de uma coisa que eu tivesse experimentado antes, estaria em condições de compreender melhor a situação, mas como é a primeira vez, nada a fazer. Por agora, deixarei para mais tarde a capacidade de exercer todo e qualquer juízo concreto e, por isso, resta-me aceitar a vida como ela é. (...)

Haruki Murakami "Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo"

quarta-feira, abril 21, 2010

Um bocadinho mais de coerência, sff...

Estive fora e deparei-me hoje com a quantidade de alarvidades que se vão dizendo por aí a propósito da tolerância na altura da visita do Papa. Quando soube da notícia, insurgi-me contra a medida: eu, pecadora, me confesso. Pasmem-se: uma católica assumida, (equiparada a) funcionária pública (ou pelo menos com alguns dos seus direitos) contra a tolerância durante a visita do Santo Padre a Portugal.

O argumento da laicidade do Estado, para mim, é válido.  Mais: o Estado é laico e deve continuar a sê-lo (não, não vou morrer na fogueira, nem estou a dizer nenhuma heresia).

Mas custa-me. Custa-me que dirigentes sindicais que estão constantemente a apregoar que a produtividade não pode ser argumento para tudo, que as empresas não podem ser produtivas a qualquer custo, me apareçam com o argumento da produtividade para demonstrarem a sua opinião. Custa-me que de repente os argumentos para aquilo que defendo sejam tão básicos, quase baixos.

Sim, considero que se quiser assistir à missa em Fátima, ou em Lisboa, ou no Porto (porque até isso eu não entendo, por alma de quem é que só tenho tolerância no dia 13 por trabalhar em Cantanhede) devo meter férias. Mas de repente aparecem meia dúzia de fundamentalistas, uns que querem distribuir preservativos à porta da Missa (eh pá, distribuam lá o que quiserem, se pensam que ganham alguma coisa com isso) outros que acham escandaloso que o Presidente da República queira acompanhar o Papa - como se não tivesse esse direito, como cidadão e como representante dum país de maioria católica.

Combatam livremente, mas com consciência. Sejam coerentes. Tolerância, meus senhores. Chama-se tolerância.

Norwegian Wood, Haruki Murakami

A perda, a morte, as lembranças. Watanabe é um jovem estudante que vai viver para Tóquio numa altura em que a luta estudantil fervilhava um pouco por todo o mundo na década de 60. Solitário, como todas as personagens de Murakami, narra a sua história cheia de solidão e sexualidade - não querendo parecer pudica, é um lado talvez demasiado erótico deste livro - o amor e a perda, sempre a perda.
Terá sido dos primeiros livros que Murakami escreveu, e por isso não será dos meus preferidos, mas é de facto um livro sentido, profundo, melancólico - aqui sim, muito ao seu estilo.
As personagens são sempre densas, sempre estranhas, quase incompreensíveis.
Aqui se fala da morte e do suicídio com alguma naturalidade, aqui se narra uma história triste, de caminhos que se cruzam e se separam, de escolhas que se fazem.

terça-feira, abril 20, 2010

Sobre a morte

Aprendera algo com a morte do Kisuki e acreditara que transformara esse facto numa parte de mim sob a forma de uma filosofia: "A morte existe, não como o contrário da vida mas como parte dela".
Nutrimos a morte enquanto vivemos as nossas vidas. Por mais verdadeiro que isto fosse, era apenas uma das verdades que tínhamos de aprender. Foi isto que aprendi com a morte da Naoko: nenhuma verdade consegue curar a tristeza que sentimos com a perda de um ente amado. Nenhuma verdade, nenhuma sinceridade, nenhuma força, nenhuma generosidade consegue curar essa mágoa. Tudo o que podemos fazer, é suportar essa tristeza que se abate sobre nós sem prévio aviso. Concentrava-me nesses pensamentos dia após dia, ouvindo as ondas à noite e escutando o som do vento.  

Haruki Murakami "Norwegian Wood"

quarta-feira, abril 14, 2010

Na Pública, a 11 de Abril

Reportagem "Eles são católicos, homossexuais e praticam" - uma série de testemunhos de homossexuais católicos

Que espera então desta Igreja que é a sua, mas não o aceita na prática?
Tem de voltar às suas origens, à pessoa de Jesus Cristo. Tem de deixar de ser a Igreja da moral para ser a Igreja do amor. Uma Igreja que está agarrada ao supérfluo e não ao essencial não pode ajudar o ser humano. Está tão centrada na norma que se esquece das pessoas. Jesus olhou para cada um como um caminho a ser construído. A perfeição está no amor e não na moral. A perfeição não é uma família heterossexual com filhos. Quando há amor, uma relação hetero é boa e uma relação homo é boa.


Fala-se de sentimentos, aceitação, solidão. Testemunha-se o sofrimento de quem não é aceite, apesar da Fé.

(Não penso que seja uma reportagem extraodinária, mas vale a pena ler. Apenas uma ressalva: a Igreja "propõe" o celibato a todos os que não são casados, não apenas aos homossexuais por o serem.)

segunda-feira, abril 12, 2010

Se cuidas de mim, Tiago Bettencourt e Mantha





Se cuidas de mim eu…
eu cuido de ti também
Dentro da minha mão
eu guardo-te bem

Se amarmos do principio
se perdermos tudo outra vez
vou marcar-te bem
como um sonho vão
dentro da minha mão

Se cuidas de mim
eu cuido de ti também
Se vens em paz
eu venho por bem

Se formos bebendo o chão deste caminho
vou guardar-te bem
agora que sei
que não vou sozinho.
por isso vem…

Há uma praia depois sombra
uma clareira para iluminar
Há um abrigo no meio das ondas
tudo é caminho para iluminar
Por isso vem.

sexta-feira, abril 09, 2010

Sobre a (óbvia) Constitucionalidade do Casamento Homossexual

Estes apelos inúteis [referendar a lei] são os últimos cartuchos de uma resistência à igualdade. Sempre assim foi quando ela foi conseguida. Também os houve quando as mulheres ganharam o direito ao voto ou os negros conquistaram, nos Estados Unidos, os direitos cívicos que lhes estavam negados. Também eles prometeram o fim do Mundo e a decadência da civilização. E cá estamos.

 
Um dia a homofobia será vista com o mesmo desprezo com que a maioria hoje olha para o racismo. E só nesse dia pagaremos a dívida de séculos que temos para com os homossexuais. Nenhuma ditadura os poupou, quase nenhuma Igreja os tolerou, poucas democracias lhes fizeram justiça. Foram mortos, perseguidos, desprezados, apontados a dedo. O sofrimento que lhes causámos e que lhes continuamos a causar é de tal forma brutal, quotidiano e, por isso, banal, que demorará gerações a ser esquecido.
 Hoje começámos, como sociedade, a pedir-lhes desculpa. Um dia isto será apenas história. E olharemos para estes grupos que se mobilizam para impedir a felicidade alheia como grotescas memórias de um passado indigno. Aí sim, teremos acabado o que só agora começámos.

Daniel Oliveira, Texto na íntegra em expresso online (Negrito feito por mim)

quinta-feira, abril 08, 2010

Humor do caraças

Devias cultivar-te mais ler umas coisitas, não é livros grossos nem daquelas gaijas que são sobrinhas de um gaijo que queria ser socialista no "chilie" e no dia 11 de setembro de 1973 levou umas ameixas no bucho de um "sinhor" PInochet ( uma jóia de moço ) que pôs aquele país a andar
devias ler a Bola , o Record, a Maria , Novelas, Gina , etc., coisas q te cultivem...

By J.G.

Eu até nem ia escrever nada sobre o assunto...

... mas de facto não aguento. Definitivamente não é da minha natureza. Os jornais, os “opinion makers” deste tão belo país “à beira-mar plantado” já disseram muita coisa. Uns a favor, outros contra. Estou a falar dos prémios que António Mexia vai receber na EDP. Acho que anda tudo louco. Não, não sou fundamentalista. Sim, acho que os bons trabalhadores devem ser bem pagos. Sim, o mérito deve ser reconhecido. O problema é que não é nada disso que está em causa. A questão não é o facto de os prémios serem relativos a outros anos que não 2009 ou 2010 (até porque, se bem se lembram, a tão apregoada crise que serve de argumento para tudo, começou, na realidade, antes). A questão – ai, tão simples que é esta questão! – é que a EDP, ainda que seja uma empresa privada, é-o com capitais públicos: o Estado (todos nós?) é o maior accionista. O mesmo Estado que pede “sacrifícios” aos portugueses que, em média, ganham 10 vezes menos do que esse senhor. Esse senhor, em boa verdade, nem sequer tem legitimidade para abrir a boca em sua defesa: Terão que se assumir sacrifícios no curto prazo por forma a obter vantagens no médio prazo, devendo esta geração evitar carregar inutilmente as próximas. (in http://www.compromissoportugal.pt/).

Defendi que não devia haver aumentos nas circunstâncias em que estamos (correndo o risco de estar a ser profundamente injusta, aliás, sabendo eu que a minha circunstância não é necessariamente a circunstância do comum dos mortais). Defendi que devemos fazer sacrifícios - correndo o risco de ser acusada de demagógica porque efectivamente (sem complexos) faço muito poucos sacrifícios, ou pelo menos não preciso de fazer tantos. Defendo e defenderei sempre (assim o espero) que não há justiça social sem que haja o sacrifício maior de alguns - sendo certo que esses "alguns" não serão concerteza os que já são "sacrificados" por natureza.

Pois bem, não me calarei. Não aceito que uma empresa que detém o monopólio da electricidade em Portugal (e não me venham com a história de que já há concorrência, porque a mim ninguém me deu a escolher entre a EDP e outra empresa qualquer, espanhola ou chinesa) pratique dos preços mais altos da Europa. Não aceito - não aceitarei nunca! - que um "bom gestor", seja lá o que isso quer dizer, que apregoa constantemente que o Estado devia ser menos intervencionista, viva às custas dessa mesma (já pouca)intervenção.
Vão-se lixar com a conversa de que esse senhor pôs a EDP a ser cotada em Wall Street, que é um excelente gestor, que lailailailailai. Chegou lá como todos chegam e até nem é isso que é importante, porque não me interessa saber sequer o curriculum dele. Ontem ouvia um "opinion maker" dizer que Portugal "sofre" de inveja, não pode ver ninguém bem, isto a propósito do mesmo assunto e por considerar que se exagerou na "adjectivação" da situação. Pois bem, a invejosa, aqui, diz: OBSCENO, PORNOGRÁFICO, NOJENTO, INACEITÁVEL. E chamem-me invejosa quantas vezes quiserem.

segunda-feira, abril 05, 2010

A Ilha Debaixo do Mar, Isabel Allende





Zarité, uma escrava que sonha com a Liberdade. Um romance passado entre os séculos XVIII e XIX, onde tudo vai acontecendo à volta da família Valmorain. Zarité é a narradora, a personagem mais complexa e mais intensa do romance. São vários os espaços onde decorre a acção, desde a inevitável África, a “fonte” dos escravos, à Europa, Saint-Domingue, Cuba e EUA. A fraqueza humana, a bondade de uns no meio da crueldade generalizada. Bastardos, tragédias e, no meio do caos, muito amor que consegue ultrapassar tudo, mesmo aquilo que achamos ser impossível ultrapassar: a morte de um filho.

segunda-feira, março 29, 2010

Das verdades que nunca serão mentira

Porque tens a obrigação de ser feliz. Porque eu dependo da felicidade das pessoas que a merecem mais do que niguém para continuar a acreditar. Um dia ensinar-me-ás a chorar (porque às vezes preciso tanto e não consigo) e sabes que terás sempre um caminho quando nada bater certo: A1 - Coimbra Norte (para que nunca o percas) ou Coimbra-Sul (conforme o estado de espírito). E cá estarei, para dizermos asneiras e chamarmos nomes à vida.

quinta-feira, março 25, 2010

Sono ligeiro (II)

Há tanto tempo que não sei de ti [e nem sempre me lembro, nem sempre sinto].
Dos caminhos que nos ensinámos  [ensinaste-me o mais difícil, mais intransitável, sem sombra, apesar - por causa - do sol] acabaste por ter mais êxito, porque não sei de ti e sei - tenho a certeza - que eu segui o melhor caminho, o mais certo, aquele que te devia ter mostrado e não consegui [juro que tentei, tentei muito, juro].

Há tanto tempo que não sei de ti [foi a (tua? minha?) escolha (des)necessária, talvez inevitável - somos sempre responsáveis pelas nossas decisões].
Tenho medo. Medo da tua solidão, dos teus passos sem destino, da tua vida sem sentido [nunca o encontraste (porqu)e eu eu nunca o consegui mostrar] para a qual apontavas sem perceber que não podia nunca ser por aí.

Há tanto tempo que não sei de ti [não sinto remorsos, só qualquer coisa com um intenso sabor a derrota].
Não quero saber, e não é só por medo. É por imaginar que posso não te conseguir perdoar desta vez [nunca fui capaz de não te perdoar] e aí perceberia o quanto mudei [e mudei tanto, tanto!].

quarta-feira, março 24, 2010

Sono ligeiro

Coisas ligeiras. Quase levitantes. Tudo no ar, como que a planar contra o vento [quando se fica exactamente no mesmo lugar]. Não faço sentido, não quero fazer [não interessa, hoje].

A bestialidade - a que vem de "besta", no sentido mais depreciativo possível - de uns quantos que me é completamente indiferente [e nunca foi, o que é preocupante] e não é por falta de força, apesar do cansaço.

[Não quero, não posso] deixar de lutar, porque [parece que] há lutas perdidas. Tornar sonhos possíveis [como se isso fosse possível] e concretizar desejos [impossíveis].

A narrativa [que nunca o foi] termina [sem nunca ter começado] sem enganos [nem desenganos] na fragilidade de um castelo de cartas [antes fosse a fortaleza de outrora].

segunda-feira, março 08, 2010

Cuba Libre, Tânia Ganho


Dez anos da vida de Clara Camacho, uma madeirense que foge do casamento, relembra uma viagem a Cuba e parece não ter bem definida a sexualidade. Uma viagem a Cuba, ainda jovem, começa a desenhar-se como o "móbil" das dúvidas que passará a ter até passarem dez anos, quando viaja até Paris. O livro "salta" do passado para o presente, volta ao passado, retorna ao presente vezes sem conta. Clara é uma mulher como muitas outras, num mundo cosmopolita q.b. com relações que a perseguem e outras que abandona porque sim, porque não é isso que procura. Até ao final é nítido, aliás, que não sabe bem o que procura - é também aí que reside a semelhança com tantas outras mulheres na nossa sociedade. Li a 1ª edição, não sei se já há outras mas há, indiscutivelmente, necessidade de revisão. É uma escrita simples, um livro leve (sem ser, em grande parte, "light").  

Obrigada L.G.

quarta-feira, março 03, 2010

Das coisas Lixadas com F

"Sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa."

Fausto Bordalo Dias

Não me podes tentar agarrar sempre que fujo do mar. Deixaste de ter força.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Das coisas que me assustam :)

E no entanto, pela primeira vez na vida, assumi um compromisso. Comprei uma casa e endividei-me até à terceira idade. Serei uma velha quando acabar de pagar o empréstimo ao banco. (existirá uma versão de mim com setenta anos? Não sou capaz de imaginar.) Estou no meu apartamento novo, de paredes cor de baunilha e cozinha de encastrados e roupeiros com luz interior. É tudo tão novo e polido e reluzente, que me assusta. Não é propriamente a dívida, é a ordem. [...]
Olho para as paredes e sinto que elas me oprimem, pressionadas por um futuro de quarenta anos de prestações mensais e um presente sempre igual, insonso e estagnado. Uma vez na vida, tive coragem de dizer não, mas depois disso foi um sem-fim de silêncios que todos interpretam à luz do provérbio "quem cala, consente". Vejo que escolhi a via do comodismo e agora olho para mim e vejo-me encalhada. Não propriamente no sentido brejeiro da mulher sem marido nem prole, mas na acepção literal de embarcação que deu em seco, que está imobilizada, incapaz de continuar. Se soubesse usar um astrolábio, aonde me levaria ele? (...)

Tânia Ganho, "Cuba Libre".

terça-feira, fevereiro 23, 2010

A sombra do que fomos, Luis Sepúlveda

Como restaurar ideais. Como voltar do exílio. A vida de 3 ex-exilados que aguardam Pedrito Nolasco para o último e derradeiro golpe depois do golpe militar falhado contra Pinochet. Três personagens velhas, quase caducas do ponto de vista uns dos outros. Pedro Nolasco, O Sombra, acaba por não chegar, o destino - e a fúria de uma mulher farta dos electrodomésticos com que o marido sempre se soube distrair sem nunca trabalhar - encarregou-se de o matar com um gira-discos na cabeça. Um romance de ideais, num Chile onde ainda se sonha com a justiça de um dia chegar àquilo por que tantos lutaram.                                                            A ler.

Eu sei que às vezes mais vale estar calada

... mas não consigo!

Ainda não pesquisei sobre o que se diz hoje do novo programa de Miguel Sousa Tavares na Sic.

Tive o "prazer" de ver um bocado do programa, até à parte em que me irritei e me fui embora - e até nem foi uma das minhas fúrias contra o "digníssimo" convidado que MST teve a "honra" de entrevistar. Nos últimos dias li e ouvi algumas opiniões de MST relativamente ao Processo Face Oculta, mais precisamente acerca daquilo que ele considera ser "mau jornalismo" e do facto de no dia em que é interposta a Providência Cautelar para que o Jornal "Sol" não fosse posto à venda, ter dito que era qualquer coisa como "escandaloso" não se cumprir uma Providência Cautelar (não sei se entretanto percebeu que a dita nunca chegou às mãos das pessoas a quem era destinada).

Manifestou-se contra a publicação das escutas por considerar que um bom jornalista deveria investigar primeiro, independentemente de ter acesso privilegiado às escutas, e depois sim, com informação mais sólida, publicar aquilo que sabe. E eu até concordo. Daquilo que discordo é que a maioria do tempo da entrevista a José Sócrates, MST se tenha esquecido que se tinha manifestado contra a publicação das escutas, não parando de falar nelas e de interrogar o Sr. Primeiro Ministro acerca delas, dando-lhe espaço para dizer o óbvio: ELE (PM) NUNCA TEVE CONVERSA NENHUMA SOBRE NENHUM DOS ASSUNTOS PUBLICADOS NO SEMANÁRIO SOL, E NÃO PODE FALAR DAS CONVERSAS PRIVADAS QUE OUTROS TIVERAM, PORQUE NÃO TEM CONHECIMENTO DE NADA. (alegadamente)

Não entendo. Mas a sério que gostava de entender. Acima de tudo gostava de perceber se MST não considera que deu "um tiro no pé" - não querendo com isto dizer que tinha como objectivo "deitar abaixo" o PM, mas não teria concerteza o objectivo de o ajudar. E ajudou.


segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Frases

Sou a sombra do que fomos e enquanto houver luz existiremos

Quis responder que do exílio não se regressa, que qualquer intenção de o fazer é um engano, uma tentativa absurda de habitar um país guardado na memória. Tudo é belo no país da memória, não há percalços no país da memória, não há tremores e até a chuva é grata no país da memória. O país de Peter Pan é o país da memória.

in "A Sombra do que fomos", Luis Sepúlveda

sábado, fevereiro 20, 2010

Em busca do Carneiro Selvagem,Haruki Murakami

Gatos, Mulheres, Cigarros, Whisky, Cerveja, Jazz... Dominam claramente o universo de Murakami. Em busca do Carneiro Selvagem não foge a essa "normalidade". Ou antes, poderá ter começado assim, uma vez que é dos romances mais antigos do escritor: talvez por isso não seja um dos meus preferidos, o que só demonstra que há, de facto, evolução no que escreve Murakami. Paisagens muito perto do bucólico, um Japão quase desconhecido, personagens "normais" e outras muito dentro da normalidade do autor - quase fantásticas. A busca de um carneiro com uma estrela no lombo, uma mulher com as mais bonitas orelhas, o reencontro com o passado. A eterna luta entre o bem e o mal.
Não descansarei enquanto não ler toda a bibliografia de H.M. Já faltou mais!

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Mandela

Na vida apercebemo-nos que há determinados momentos em que, por muito que os anos passem, sabemos exactamente onde estávamos. Há 20 anos, eu estava em casa da Ana e do Gonçalo. Muito provavelmente a torturar o desgraçado do Sting, o cão que volta e meia tratávamos como se fosse um bébé.
Lembro-me perfeitamente de, na sala (julgo que durante a tarde, pelo menos é essa a imagem que tenho) o Fernando nos ter chamado a atenção para o que estava a acontecer. Qualquer coisa como "Vejam isto. É um momento histórico, que vai ser recordado para sempre". Lembro-me que não percebi porque dizia aquilo, mas sei que parei para ver, já que estava a assisitir a um "momento histórico".
Não tinha consciência política, ainda (e ainda bem!). Não sabia porquê, mas parecia-me muito injusto que um senhor já velhinho e sorridente tivesse estado 27 anos na cadeia.

20 anos depois recordo aquele momento que não compreendi na altura. Hoje, já com a (possível) consciência política formada (ou deformada, depende da perspectiva!) penso que há coisas que vão muito para além da política. Mandela esteve 27 anos encarcerado, privado de liberdade por ter defendido a liberdade. 27 anos a viver num cubículo onde certamente o comum dos mortais teria dado em doido. Mandela passou a defender aquilo que a Humanidade ainda não compreendeu que pode ser muito bem a solução para tudo. Defendeu aquilo que tantas vezes insistimos em não fazer, ou que tantas vezes tentamos e não conseguimos. Mandela defendeu o Perdão, "o maior poder de todos".

Hoje agradeço a felicidade de me lembrar daquele momento (obrigada, Fernando!). Hoje que o compreendo, resta-me apenas prestar uma pequena homenagem a este grande homem. No filme "Invictus", de Clint Eastwood, baseado no livro de John Carlin, recentemente estreado em Portugal, conta-se parte da história. Uma das frases que Mandela diz (na figura de Morgan Freeman) é "Forgiveness liberates de soul. It removes fear. That is why it is such a powerful weapon". Invictus é também o nome de um poema de William E. Henley que inspirou Mandela e que termina com estes dois versos duma "brutalidade" impressionante:

I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.


quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Será hoje...

... que vou dar (mais) um desgosto de morte à minha Santa Mãe? Que vai acontecer, vai. Só não sei se é hoje, dada a minha relutância no que respeita a agulhas...

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Dos antagonismos...

Podemos muito bem, se for esse o nosso desejo, vaguear sem destino pelo vasto mundo do acaso. Que é como quem diz, sem raízes, exactamente da mesma maneira que a semente alada de certas plantas esvoaça ao sabor da brisa primaveril.
E, contudo, não faltará ao mesmo tempo quem negue a existência daquilo a que se convencionou chamar destino. O que está feito, feito está, o que tem de ser tem muita força e por aí fora. Por outras palavras, quer queiramos quer não, a nossa existência resume-se a uma sucessão de instantes passageiros aprisionados entre o «tudo» que ficou para trás e o «nada» que temos pela frente. Decididamente, neste mundo não há lugar para as coincidências nem para as probabilidades.
Na verdade, porém, não se pode dizer que entre esses dois pontos de vista exista uma grande diferença. O que se passa – como, de resto, em qualquer confronto de opiniões – é o mesmo que sucede com certos pratos culinários: são conhecidos por nomes diferentes mas, na prática, o resultado não varia.

Haruki Murakami, "Em busca do Carneiro Selvagem"

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Pensamento do dia

"Isto às vezes é tremendo porque a gente quer exprimir sentimentos em relação a pessoas e as palavras são gastas e poucas. E depois aquilo que a gente sente é tão mais forte que as palavras..."


António Lobo Antunes

Dedicado à LG. Por continuar a ter paciência para me ouvir. Por me ensinar a "serenar", por me dizer (muitas vezes) as palavras certas no momento certo. Por me ter deixado ir para casa, naquele dia, a sorrir quando tudo faria prever o contrário.  

1 ano

Faz hoje um ano que me sentia o mais infeliz dos seres. Faz hoje um ano que mudei de emprego, um ano em que durante semanas (longa, muito longas semanas) ia trabalhar de lágrimas nos olhos, sem vontade, sem ânimo. Sabia que ia passar, tudo passa. Sabia também que era eu que tinha de me esforçar. Só dependia de mim. Um ano passado tudo (isso) passou. Aprendi muita coisa. Insurgi-me algumas vezes contra aquilo que não me parecia correcto (como sempre, não tantas vezes como me apeteceu). Um ano passado almoço com as ex-companheiras de trabalho e percebemos que um ano passou. E ainda ali estamos. Ganhei novos amigos (nada, mesmo nada vale mais do que isso), mantive outros. Um ano passa a correr. Um ano depois aqui estou. Para o ano... veremos.

A Rainha no Palácio das Correntes de Ar, Stieg Larsson

Fenomenal. Talvez o melhor da triologia Millennium do escritor que os leitores deste blogue já conhecem. Personagens conhecidas, outras nem tanto, e mais uma vez a maioria com uma densidade que não se adivinharia num texto corrido, cheio de descrições mas ainda assim simples e objectivo. Lisbeth, a estranha rapariga que surge logo no primeiro livro da saga, é nesta obra a personagem central: é à volta e a partir dela que surgem as restantes personagens surgem, inclusivamente o jornalista Mikael Blomkvist que se vê enrolado, mais uma vez, em toda a trama, por um lado por pura coincidência e por outro porque há, desde "Os homens que odeiam as mulheres" uma relação ainda que estranha, ainda que confusa, com Lisbeth, a quem deve a vida. Desta vez é toda a história da infância e juventude de Lisbeth que explicam o seu feitio pouco sociável, o seu ódio tantas vezes descrito pelas instituições suecas, depois de "todo o mal" ter acontecido na sua infância. É aqui que tudo se explica, e onde Lisbeth percebe que afinal tem mais pessoas em quem pode confiar, onde percebe que deve a sua vida - a sua liberdade - em quem nunca depositou confiança alguma. "A vingança é uma força poderosa".

segunda-feira, janeiro 25, 2010

As coisas que aprendemos com (algum)as pessoas

Aquilo que não compreendemos não podemos perdoar.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Esta história dos pacotes de açúcar dizerem as verdades...

"Um dia saio da zona de conforto e... arrisco."

Obrigada, Maria Caxuxa!

quinta-feira, janeiro 07, 2010

A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo, Stieg Larsson

O segundo livro da triologia Milennium. Não deixa de ser a continuação do primeiro, mas com um enredo completamente diferente e novas personagens que se juntam à trama. Desta vez é Lisbeth Salander a personagem central (a mais complexa de todas, como acontecia no livro anterior): é a mulher que Odeia Homens que Odeiam as Mulheres. A máxima "Não há inocentes, há apenas diferentes graus de responsabilidade" é uma das coisas que carimba, definitivamente, este livro.
Tudo começa em dois planos totalmente diferentes, mas a determinada altura acabam por se fundir para a solução de 3 homicídios brutais de que Salander é acusada.
O autor tem a capacidade de prender os leitores, pela escrita corrida mas não corriqueira.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

O 2º de 2010 que devia ter sido o 1º

Ele ilustrou-lhe um livro com duas vidas desenhadas. Ela folheou. No fim, a pergunta. No (re)início ela disse que Sim.

Esta não é uma história qualquer. Esta é a história de duas pessoas que têm de ser muito, mas mesmo muito felizes! Parabéns, J e K.

terça-feira, janeiro 05, 2010

O 1º de 2010

Porque nem sempre me apetece escrever. Porque às vezes mais vale estarmos calados/quietos. Porque queria actualizar o Blogue e havia tanta coisa a dizer mas prefiro não o fazer. Porque começou um novo ano e quase nada mudou, ou mudou tanta coisa que ainda não digeri.

Vamos em frente. De peito aberto.

terça-feira, dezembro 29, 2009

Não gosto de balanços

Nunca gostei, acabo sempre por considerar importante o que no final acaba por ser supérfluo. Supostamente não gosto de anos ímpares, e normalmente são os que trazem mudanças - e eu gosto de mudanças. Não gosto do espírito "foi mais um ano que passou", como se fossem todos iguais, mais ou menos equivalente ao "vai-se andando" ou ao "menos mal" que me irritam profundamente (há coisas que, por mais que os anos passem, não mudam em mim).
Gosto de recomeços, ainda que por vezes seja tão difícil pôr pontos finais. A pontuação é, de facto, um dos maiores problemas da minha vida (ok, esta nem eu entendo muito bem, mas no fundo faz sentido). Tenho muita dificuldade em fazer parágrafos ou mudar de capítulo, por isso não há promessas de recomeços, de finais, de coisas definitivas. Não sei se foi este ano, mas se não foi ajudou muito: aprendi que nada é para sempre e isto vale para o bom e para o mau - apesar de tudo, mais para o mau do que para o bom, o que é óptimo. Se faço sentido? Provavelmente não, mas estou-me nas tintas! Deixo os entendimentos para o ano que vem e não é adiar muito, como tantas vezes faço.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Sim, sou optimista

mas não tenho de ser sempre. Não tenho de aceitar de sorriso nos lábios o que não compreendo. Na vida somos o que somos. Ponto.
Todos temos maus momentos, eu tenho (muitas vezes) os meus. Não têm de me aturar, se o fazem é porque querem, porque talvez me compreendam melhor do que eu mesma. O que eu não compreendo não tenho de aturar. Não compreendo quem apregoa felicidade sabendo que não é feliz. Não compreendo como é que se pode ter uma visão dum mundo que não existe: e nada disto tem a ver com teorias políticas ou ideológicas, tem a ver com a vida como ela é.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Em jeito de sms

Bati-te à porta e não estavas.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

A Ignorância, Milan Kundera

Quando se fala da obra de Kundera, não se pode dissocia-la da vida do autor. Exilado em França desde 1975, depois de ter sido expulso (pela 2ª vez) do Partido Comunista Checo e de uma intensa actividade política, Kundera acaba sempre por, na sua obra litarária, escrever sobre os temas da emigração, da política, da liberdade, da saudade.
"A Ignorância", publicado em 2000, tempos depois da Queda do Muro e do Comunismo na actual República Checa, não foge à regra, mas desta vez aborda o "sentido" de voltar à terra natal. E objectivamente não lhe dá grande sentido, uma vez que as lembranças têm uma espécie de validade e os laços não são eternos.  Faz constante referência à "Odisseia" de Homero, em que Ulisses volta ao lar depois da Guerra de Tróia e pouco se identifica com a realidade que o rodeia (fez-me recordar também o inferno das Traduções de Latim para Português nos meus tempos de Liceu).

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Caim, José Saramago

Muito já se escreveu sobre o assunto. Digo "o assunto" propositadamente, porque muito pouco se disse do livro enquanto obra literária. Sobre o livro tenho a dizer que é brilhante, como todos os que li de Saramago. Literariamente brilhante. "Caim" não pretende ser - não pode pretender - literatura histórica, mas só pode ter sido escrito por alguém que conhece muito bem o Antigo Testamento. É verdade que Saramago se excede naquilo que considera ser a história de Caim - o livro refere, aliás, não só a vida de Caim, mas todo o Primeiro Livro do Génesis, uma vez que "descreve" aquilo que considera ser a história de Adão e Eva, Abel e Caim, Torre de Babel, Arca de Noé - tudo através da vida de Caim. E sim: é brilhante.
Não posso, no entanto, deixar de dizer o que penso sobre a polémica lançada pelo autor. Saramago excedeu-se no que disse e sublinho "disse" porque penso que relativamente ao que escreve, por muito pouco que se goste, é uma questão de "livre arbítrio" e de uma interpretação que, ainda que não concordando com ela, lhe reconheço o direito de ter. Ainda assim não posso reconhecer o livro como uma "verdade histórica" uma vez que o 1º Livro do Génesis não é histórico, mas uma interpretação histórica da situação humana, uma interpretação teológica e só pode ser lido desta maneira.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Budapeste

Aeroporto da Portela, 4 da madrugada. Avião-Escala-Avião (faz-me pensar que já pisei quatro vezes solo Alemão e nunca fui à Alemanha - registo para próxima viagem).
Budapeste:
Viagem até ao Hotel: o susto. Prédios devolutos, verdadeiros monumentos em ruínas.
Passeio, apesar do sono, da "quase-directa", caminhar por Peste. O centro, a cidade junto ao Danúbio. O Parlamento visto por fora, a cidade mais cuidada, mais cosmopolita. Comprar bilhetes na Ópera para um espectáculo de Jazz, Dança, Tec (que se revelou surpreendentemente bom). Por mero acaso, a feira de Natal que já tínhamos programado visitar, embora não naquele dia. Gente e mais gente. Vinho quente, cheiro a doces e a comida, muito artesanato, muita pele. Uma visão geral de Peste que nos serviu de muito para o resto da estada.
Dia 2: Visita ao "Memento Park" onde "jazem" as estátuas da altura da Guerra Fria, em que a Hungria "foi passada" para os Soviéticos. As botas de Estaline, estátuas imponentes que revelam bem os anos de regime soviético que a Hungria viveu. Curiosamente, nenhum húngaro a quem perguntámos se sabia como se ia para lá pareceu conhecer tal Parque.
Visita ao lado Buda, um almoço primordial (a cozinha húngara, é, aliás, muito boa) para dar forças para subir já de noite até à Citadella, com uma vista linda sobre o Danúbio e sobre Peste.
Dia 3: Visita à zona de "Castle Hill" do lado Buda, com zonas fantásticas, casas cuidadas, Igrejas belíssimas e, mais uma vez, uma vista sobre Peste que não dá para esquecer. De volta a Peste, mais um passeio, a Basílica de Santo Estevão, o mercado Húngaro, um bocadinho de descanso para o espectáculo na Ópera com amigos que se encontram no aeroporto e com quem se passam momentos tão agradáveis como inimagináveis. Jantar mais uma vez melhor que bem e em boa companhia.
Os Húngaros parecem um povo triste, por vezes antipático (salvaguardanto, no entanto, muitas das pessoas com quem nos cruzámos em restaurante e sítios tipicamente turísticos que foram sempre de uma simpatia e educação extremas - quase sempre, vá!).

Obrigada M. pela companhia e por sermos parecidas em tanta coisa no que respeita ao espírito do viajante!

Pensamento do Dia

Nasci para viajar, para ser cidadã do mundo.
Lá chegarei.