(a alteração que sabia que ia fazer. recepção à chegada de NYC; ortografia discutível, mas um emigrante tem sempre desculpa. principalmente por ser quem é.)
Este post foi alterado a 17 de Agosto.
Na vida real as aparências estão do outro lado do espelho. Na vida real não me assemelho à simulação das evidências (SG)
Mais uma vez a realidade une-se ao fantástico. Personagens conhecidas do universo de Murakami - é a continuação de "Em buca do Carneiro Selvagem", ou pelo menos o retomar duma história de amor. Mas há novas personagens: um actor desesperado, uma adolescente com visões (é aliás, a personagem que mais me marcou); uma fotógrafa de sucesso que é uma mãe ausente; um escritor sem sucesso que é pai ausente, um pintor sem um braço, polícias, prostitutas, actrizes... Mas a centralidade da narrativa que a crítica considera "quase kafkiana" está no narrador, nos sonhos que tem e a busca da mulher da orelhas perfeitas e na recepcionista do "Hotel Golfinho", outrora um banal hotel duma pequena cidade transformado num grande hotel. O Homem-Carneiro, a solidão, a vida e a morte (a segunda faz parte da primeira, como já escreveu o autor), o amor.
É uma compilação de textos do programa com o mesmo nome que passa na TSF de 2ª a 6ª. Uma óptima leitura para a praia. B.N. e J.Q. têm alguns "ódios de estimação": a Maya, o Camilo de Oliveira, a Simara, Florbela Queirós... enfim, tudo figuras públicas de "alto gabarito". Confesso que sou uma fã do "lado negro" deste programa - e do livro - em temas sensíveis como o célebre "Caso Maddie" ou o Joseph Fritzl, "o Monstro de Amstetten". Cada capítulo tem apenas 2 páginas, em regra (são apenas uns minutos de rádio) divididos em rubricas como Deu que falar; Curiosidades; Enviado banal; Projectos para o Futuro; Ponto de vista; Pouco Provável; Entrevista de tamanho M e Sugestões para o Fim-de-semana que passou.
Um retrato duma certa aristocracia europeia em estado degradante. Personagens simples (para não dizer simplórias) junto de outras de uma enorme densidade. Dostoiévski transforma um livro escrito no sec. XIX numa obra intemporal, quer no que respeita ao problema do jogo, quer na questão das mentalidades. É também uma crítica à cultura europeia, F.D analisa criticamente os "franceses", "alemães", os "russos" e os "ingleses" principalmente através da personagem central (e essencial) Alexei Ivanovich, o russo que desde cedo tem noção do "perigo" do jogo, mas que acaba por se perder nele.
Como restaurar ideais. Como voltar do exílio. A vida de 3 ex-exilados que aguardam Pedrito Nolasco para o último e derradeiro golpe depois do golpe militar falhado contra Pinochet. Três personagens velhas, quase caducas do ponto de vista uns dos outros. Pedro Nolasco, O Sombra, acaba por não chegar, o destino - e a fúria de uma mulher farta dos electrodomésticos com que o marido sempre se soube distrair sem nunca trabalhar - encarregou-se de o matar com um gira-discos na cabeça. Um romance de ideais, num Chile onde ainda se sonha com a justiça de um dia chegar àquilo por que tantos lutaram. A ler.
O segundo livro da triologia Milennium. Não deixa de ser a continuação do primeiro, mas com um enredo completamente diferente e novas personagens que se juntam à trama. Desta vez é Lisbeth Salander a personagem central (a mais complexa de todas, como acontecia no livro anterior): é a mulher que Odeia Homens que Odeiam as Mulheres. A máxima "Não há inocentes, há apenas diferentes graus de responsabilidade" é uma das coisas que carimba, definitivamente, este livro.
Quando se fala da obra de Kundera, não se pode dissocia-la da vida do autor. Exilado em França desde 1975, depois de ter sido expulso (pela 2ª vez) do Partido Comunista Checo e de uma intensa actividade política, Kundera acaba sempre por, na sua obra litarária, escrever sobre os temas da emigração, da política, da liberdade, da saudade.
Muito já se escreveu sobre o assunto. Digo "o assunto" propositadamente, porque muito pouco se disse do livro enquanto obra literária. Sobre o livro tenho a dizer que é brilhante, como todos os que li de Saramago. Literariamente brilhante. "Caim" não pretende ser - não pode pretender - literatura histórica, mas só pode ter sido escrito por alguém que conhece muito bem o Antigo Testamento. É verdade que Saramago se excede naquilo que considera ser a história de Caim - o livro refere, aliás, não só a vida de Caim, mas todo o Primeiro Livro do Génesis, uma vez que "descreve" aquilo que considera ser a história de Adão e Eva, Abel e Caim, Torre de Babel, Arca de Noé - tudo através da vida de Caim. E sim: é brilhante.