terça-feira, março 27, 2012

É a primeira fotografia pessoal, realmente com pessoas, que aqui publico. Provavelmente será a última. Não vou estar na despedida, e ainda bem, porque sabes como as detesto. Como podes verificar, também, ultimamente tenho tido disso que chegue. Resta-me dizer-te que me vais fazer falta. E chega.
Esta fotografia remete-nos para a viagem mais tonta alguma vez feita. E das mais giras. Sevilha transformou-se em "frigideira" a 50 km - como é que se chamava aquela terra, mesmo? - em possibilidade de ficarmos apeados algures no meio da Andaluzia com o carro apreendido, em alergias e em muitos disparates.
Viva nós.

segunda-feira, março 19, 2012

Macau

Fui-me habituando a despedidas, apesar de continuar a não saber lidar com elas. Estive presente nos momentos mais importantes da tua vida, rimos muito (muito mais do que chorámos) juntos. Li a oração dos fiéis dedicada aos amigos no vosso casamento. Quando passaram a ser oficialmente dois, deram-me uma das maiores felicidades que os amigos podem dar. A maior demonstração de amizade e de confiança. Quando passaram a ser três, eu estava lá e tinha o papel mais importante do mundo. De repente passam a ser quatro, eu estava lá. Depois cinco, eu estava lá. Não há nada que me faça esquecer estes momentos.
Há dois dias despedimo-nos, apesar de eu ter tentado fugir sem o fazer. Chorámos. Foste embora e daqui a uns tempos levas contigo os restantes quatro. É caso para dizer uma grande asneira, de te insultar muito, apesar de ter apoiado a decisão. Vou-me habituando à ideia, por mais que custe. E por maior que seja a distância, tudo nos liga. E isso é que importa.

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

No drama. Life goes on.

(é incrível quando do pouco se diz muito e "em estrangeiro". eu de facto não sou deste mundo.)

terça-feira, fevereiro 28, 2012

O Último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler

Lisboa, 1506. Era Páscoa e reinava em Portugal D. Manuel I. Milhares de judeus e cristãos-novos eram levados para as fogueiras do Rossio pelos frades e população católica. O Tio de Berequias Zarco, o narrador, é assassinado no seu esconderijo e tudo parece estranho. Terá  Abraão Zarco sido vítima da ira dos católicos? Tudo indica que não, tudo cheira a traição. Abraão Zarco não só era a figura paterna de Berequias como uma das figuras mais respeitadas dentro do mundo judeu em Portugal. Era o que melhor conhecia a "cabala", a história filosófica judia, e o mestre de todos os que a queriam aprender. Toda a ação se centra na busca do traidor que matou Mestre Zarco, nos riscos que o jovem Berquias atravessa, numa Lisboa a cheirar a morte. Em toda a obra se questiona também a existência de um Deus que permite que tamanhas atrocidades se façam em nome d'Ele.

domingo, fevereiro 26, 2012

Fico perplexa

"Enquanto durmo, não penso, o que por si só é quase orgásmico".

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Fenómenos da Internet

Estava no Facebook e naquela irritante barra do lado direito onde aparece tudo o que os meus amigos fazem, comentam ou gostam, qual Big Brother, vi que uma amiga tinha gostado duma publicação do Markl - reparem como não escrevi o 1º nome, na tentativa de, quando ele "googlar" o nome dele para saber as "últimas" da sua pessoa  (não é uma crítica, acho que faz bem) eventualmente não venha aqui parar. Ou, se vier, aqui fica o recado: por favor não linke o meu blogue no Facebook, que eu cá não gosto muito de ser insultada e sou conhecida pelo meu mau feitio. Bom, continuando, fui ver do que se tratava - ando, claramente, com pouco que fazer - e basicamente há uma miúda (deve haver várias, mas fiquei a conhecer a primeira) que não gosta do Markl, ou que já gostou e não gosta, ou outra coisa qualquer que não interessa, e que publicou um artigo a explicar porque não gosta do senhor.
Claro que a publicação foi inundada de comentários, uns insultuosos, outros nem tanto. Fosse eu dessas coisas e haveria aqui muita "matéria" para analisar, mas não só não me apetece, como nem tenho grande jeito para a coisa.
Basicamente pus-me a imaginar o que seria se me inundassem o blogue com insultos (há um que, sem mais nem porquê, resolve chamá-la de "puta" qualquer coisa, outros que insinuam que a miúda tem é falta de sexo, outros que é mal amada, enfim, só coisas simpáticas). Bem sei que a maioria dos blogues são públicos e que quando se escrevem coisas que possam não ser consensuais a coisa pode dar para o torto. Lembro-me da autora de um livro que li e que publiquei aqui ter vindo comentar o meu "post". Inicialmente entrei em pânico - critiquei algumas coisas no livro - mas depois percebi que me estava a pôr a jeito. A senhora, graças a Deus, era educada e até concordou comigo, explicando o porquê daquilo que tinha criticado.  
Enfim, voltando à vaca fria, e não estou a chamar vaca à miúda (ao que parece ela terá dito que a mulher do M. tinha um "nariz de porco" e não quero ir por aí, que com sorte ainda me dizem que tenho nariz de galinha, ou qualquer coisa bem pior) no meio de dezenas de comentários desagradáveis a pequena lá vai respondendo, o M. mete-se ao barulho e, com a piada que tem e como escreve lindamente, lá me escangalhei a rir algumas vezes. Mas isto porque não era o meu blogue. Não percebo uma série de coisas - vou descobrindo, aliás, que quanto mais velha fico menos entendo as pessoas em geral - mas não entento por que raio o Markl se digna a uma publicação daquelas no FB; não entendo as pessoas que o vão defender acerrimamente como se tivessem insultado a mãe de cada um deles; em suma, não entendo estes fenómenos das redes sociais e da blogosfera.
Fica o desabafo.

Capitães da Areia, Jorge Amado

Crianças sem eira nem beira, marginais. São os Capitães da Areia. Pedro Bala, Professor, Gato, Sem Pernas, Pirulito, Querido de Deus. O Padre José Pedro, que os vai acompanhando e tentando "converter". Um grupo de rapazes (mais tarde passa a ser um grupo de rapazes e de uma rapariga, a amada Dora, mãe criança de todos os rapazes, noive de Pedro Bala) com noções de camaradagem, lealdade. Acima de tudo com a noção de sobrevivência.
A Bahia é o palco da história, o "trapiche" o lar de todas estas crianças. Amado denuncia a realidade duma sociedade altamente injusta, uma justiça cruel, uma juventude sem futuro. O eterno fosso entre os ricos e os pobres.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Thank you

Tenho tanta coisa para te contar. Que sinto a tua falta, apesar de nem sempre parecer. Que nunca, mesmo nunca imaginei ter a sorte de te ter sempre que preciso. Mesmo que aqui não estejas, mesmo que quase nunca estejas, sinto-te todos os dias. Abraço-te, encosto-me a ti e às vezes há silêncio, outras apenas uma gargalhada, entre lágrimas. Se não podia tudo ser mais simples. Se não podíamos viver este nosso mundo sempre, todos os dias das nossas vidas. A simplicidade deste amor que não exige nada para além da obrigação de sermos felizes. Porque merecemos, não apenas porque sim. "Tudo se há-de resolver" e a verdade é que sempre tudo se resolve. Acho que é por existirmos. E que simples que é.

Este "pedaço" é para muita gente. "Muita gente" pode apenas significar algumas pessoas. "Algumas pessoas" não são muitas, mas são aquelas que pertencem ao meu mundo, aquele que é só meu. O único que ninguém pode roubar. O que não podem destruir. Nunca.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

1Q84, Haruki Murakami




Um enredo de personagens solitárias e intrigantes. Duas histórias que parecem paralelas mas onde se vai vislumbrando um cruzamento.
Esbarramos também na literatura e cultura nipónicas, dentro do fascínio a que Murakami já nos habituou.
É o 1.º duma triologia, é um sofrimento enquanto o 2.º não é publicado.

domingo, janeiro 22, 2012

Canção para não voltar



Não me espere porque eu não volto logo
Não nade porque eu me afogo
Não voe porque eu caio do ar
Não sei flutuar nas núvens como você
Você não vai ententer
Que eu não sei voar, eu não sei mais nada.

Cenas

O mundo não colapsa quando temos direito a amigos e a abraços. Muitos abraços. Muito amor.

Não gosto de mundos sem sorrisos.

segunda-feira, janeiro 09, 2012




O livro foi escrito quando Saramago tinha 31 anos. Nota-se um estilo diferente, mas ainda assim único. Sentimo-nos na Clarabóia dum prédio lisboeta, onde toda a história se desenrola. De andar para andar, novos e velhos que lá vivem, as suas vidas e suas angústias. Década de 50 num país austero nos costumes e na forma de vida. Um sapateiro-filósofo; uma dona de casa, mãe e mulher infeliz; duas jovens filhas-sobrinhas; uma mulher que vive às custas do amante; uma menina que afinal já é moça; um hóspede invulgar.
Foi uma leitura dolorosa por não querer que chegasse ao fim.  


I am done with my graceless heart
So tonight I'm gonna cut it out and then restart
Cause I like to keep my issues drawn
It's always darkest before the dawn

segunda-feira, dezembro 26, 2011

O melhor presente de Natal

Sou "Madrinha" do Migalha. A trabalheira que isto vai dar...

quarta-feira, dezembro 21, 2011

sexta-feira, dezembro 16, 2011

quinta-feira, dezembro 15, 2011

sexta-feira, dezembro 09, 2011

À Mãe

Da mãe, os filhos só vêem o que é mãe. Só conhecem a mãe. A mãe é sopa e o cheiro dos refogados. A mãe é a mão que esfrega as costas no banho, que escova o cabelo enriçado, que seca o cabelo molhado, a mão que afaga, que estraga. A boca que sopra a sopa, que sopra a ferida. Os filhos são os parasitas da mãe. Comem-lhe o coração que cresce da noite para o dia para que nunca lhes falte o pão-coração. O que é que a mãe quer? A mãe não quer nada. Quem tem mãe, tem tudo, diz a quadra, e quem é tudo não precisa de nada. Então, o que há-de querer a mãe? Não é dela o coração que nos alimenta, que bombeia o amor que nos entra nas veias, que nos corre na casa? E quem é que quereria a mãe? Se a mãe ainda quer, se a mãe ainda sonha, se a mãe ainda crê, perde tempo. A mãe tem dois filhos. Nós somos tudo o que a mãe pode querer, tudo o que a mãe está autorizada a querer. Quando respira, é mãe. Quando passa a roupa, é mãe. Quando come, é mãe. Quando aquece o prato solitário no micro-ondas, quando, à noite, vê televisão em silêncio, quando adormece sozinha na cama, quando na cama acorda sozinha, quando o corpo se move nos sonhos e não toca ninguém, quando toma banho e a água escorre pelos veios do corpo e só a água visita certas sombras de corpo, é sempre mãe e mãe e mãe. A mãe não pode dizer nada. Não pode dizer que está farta desta merda e que quer desistir, que está cansada de ter uma vagina e um útero que só existem nas consultas de ginecologia, que só existem para as dores, os miomas, as hemorragias. A mãe não pode sofrer por ela, porque mãe é mãe, só há uma, mater dolorosa, pietà de filho morto nos braços; e a piedade que ela merece? Os braços que hão-de segurá-la? (...)