quarta-feira, dezembro 28, 2005

Vou partir de novo... Acabei por não fazer o que queria, mas fiz a maior parte das coisas. Talvez as menos importantes. Apetecia-me ficar, mas talvez seja melhor ir. Apetecia-me fugir, mas talvez seja melhor ir para um sítio que conheço, onde me sinto bem, onde posso estar sozinha junto à lareira a pensar no "como seria se..." Parto com vontade de voltar daqui a uns dias, o que é óptimo. De coração mais leve, com novos projectos na cabeça e mais vontade para continuar. Foi um ano bom, apesar de tudo. Objectivos cumpridos, todos, pela primeira vez na minha vida (também pela primeira vez não fui demasiado ambiciosa...). Muitos obstáculos também, uns ultrapassados, outros nem por isso. Será um dos desejos para o ano que está quase quase a chegar. Escolher o caminho certo.... E que seja um bom ano!!
Quem dentro de mim é mais eu que eu mesma...?


Não te zangues comigo. Posso suportar tudo, menos ter pessoas zangadas comigo... Muito menos tu.

Percebem agora porque gosto tanto de lá estar....?
Ao X.
Obrigada por te preocupares comigo. Obrigada por leres o meu blogue. Obrigada por me teres ligado para saber se estava tudo bem... Está, sim. Obrigada mesmo. E sim, é óptimo termos amigos assim:)

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Começa a azáfama. Último jantar de Natal, velhos amigos com novos rumos que se encontram uma vez por ano. Amanhã parto para a minha Mira, lá me esperam a família, a lareira, o musgo que vou buscar à tarde com o Papi (este ano não queremos pinheiro, houve muitos que arderam) e quando chegarmos a casa vai cheirar a rabanadas que a Mãe e a Mana estarão de certeza a fazer. O Cupi não me vai largar enquanto estiver a fazer o Presépio. Desembrulhar cada um dos personagens no papel de jornal do ano passado: desde a mais pequena ovelha ao Menino Jesus. Montar a cabana que há anos fiz com o meu Pai e que ainda hoje consegue manter-se inteira. Última peça do presépio: O Anjo do presépio antigo de casa dos avós, que vela pelo Menino que acaba de nascer. Sentir o cheiro doce da canela e preparar a mesa para o jantar. As mensagens dos amigos. Os presentes bem escondidos porque a Mana ainda gosta de ir bisbilhotar, apesar da fúria da Mãe. Ir trocar de roupa porque estou cheia de terra e musgo. Limpar todo o lixo que fizémos antes que a Mãe apareça. Sentar no sofá e esperar o resto da família. Viver cada momento como se nunca tivesse sido Natal. Pensar que podia ser todos os dias...
Roí as minhas unhas todas...
Sinal que algo se passa...
Muito estranho...



"A minha Alma está armada e apontada para a cara do sossego..."

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Casa Pré-Fabricada

Abre os teus armários.
Eu estou a te esperar para ver deitar o sol sobre os teus braços castos.
Cobre a culpa vã ... até amanhã eu vou ficar e fazer do teu sorriso um abrigo.

Canta que é no canto que eu vou chegar.
Canta o teu encanto que é pra me encantar. Canta para mim, qualquer coisa
assim sobre você.Que explique a minha paz. Tristeza nunca mais.

Vale o meu pranto que esse canto em solidão.
Nessa espera o mundo gira em linhas tortas.
Abre essa janela, a primavera quer entrar pra fazer da nossa voz uma só nota.

Canto que é de canto que eu vou chegar.
Canto e toco um tanto que é pra te encantar.
Canto para mim qualquer coisa assim sobre você que explique a minha paz.
Tristeza nunca mais.

Maria Rita

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Saudade não quer dizer que estamos longe, mas que um dia estivemos juntos
Falarei para dentro, chamarei para dentro. E poderei circular entre os homens sem que me metam num manicómio. V.F.
Ficou tanta coisa por dizer... Vai ficar também a saudade do olhar, dos risos, da cumplicidade, das discussões... dos desafios, do confronto. Ficará para sempre: um dia olharemos para trás e ainda que metade disto tenha desaparecido, caído no esquecimento, há coisas que não se esquecem. Porque pensei e senti muito mais do que fui capaz de dizer. Porque sou assim e não vou mudar. Outras coisas mudarão "com a idade e a experiência", bem sei. Outras não mudarão nada.

Não, não quero crescer. Não quero dizer tudo porque tenho de me defender. Não quero fazer nada e apetece-me fazer tudo. Sim, é bom que gostem de nós. E é óptimo gostarmos dos outros...

domingo, dezembro 18, 2005

Recuperar forças, voltar à blogosfera e lembrar-me que há mais vida para além de tudo isto.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Disse-me um dia uma bruxa (daquelas sem verrugas, sem aquele ar de bruxa para além da aparência um bocadinho lunática) que eu ia ser muito feliz. Foi há cerca de 6 anos e meio. Completamente céptica no que diz respeito ao destino e a estas coisas das previsões sorri, agradeci e disse "até qualquer dia". Durante todo este tempo voltei a vê-la algumas vezes (não muitas) e nunca mais me disse nada, para além do educado "como está" ao qual óbviamente retribuí um "bem, obrigada, e a Senhora?". Gostava de ter dito "estou feliz como um dia previu, obrigada, e a Senhora?". Não consegui.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Às vezes temos tantas coisas para dizer que dificilmente conseguimos. Outras vezes, pelo contrário, temos muito pouco em que reflectir. A maioria das vezes, porém, sentimos que nem todas as palavras do mundo chegariam para dizer o que queremos dizer porque, afinal, "as palavras são pedras" como disse uma vez Virgílio Ferreira, como eu já disse aqui também (outras vezes ainda tornamo-nos repetitivos...). Hoje é daqueles dias em que não haveria muito para dizer. No entanto descubro que podemos dizer tanta coisa sem dizer nada, que também é através das palavras que nos sentimos uns aos outros. Ainda que às vezes as palavras falhem: ou porque não nos saem ou porque algumas vezes (eu diria muitas) são as palavras erradas que ecoam. Que se corrijam as palavras erradas.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Invento-te nos meus sonhos, crio-te quase perfeito, pinto-te cheio de cores. E sei que te amo, à minha maneira (uma maneira muito peculiar, eu sei), pelo que és. Porque simplesmente és. Serás sempre. Amamos as pessoas porque nos fazem bem. Continuamos a amar quando nos começam a fazer mal, mesmo que inadvertidamente. No dia em que fôr capaz de te dizer isto, mais o que estou a pensar mas não quero escrever, vou ter a certeza que és tu, simplesmente. Porque parece simples, e é.

O começo...

Lutar com palavras. Escrever e ser entendida. A obra, a criação que a imortalizará. Não pela fama, mas pelo sentido que dá às coisas e que quer que os outros dêem também. Que entendam, ainda que não concordem. Acreditar que quando se dá sentido ao que se faz passamos a ser eternos, não para o mundo mas para alguém no mundo. Para nós mesmos, para a nossa existência.
Assim era Teresa. Contestatária diziam uns, sonhadora diziam outros, mas o que ninguém dizia era que fazia sentido. Ninguém a conhecia verdadeiramente, ainda que fosse amada por alguns. Menos do que ela pensava, mas alguns. Bastava um, até, para a fazer feliz. Ou menos triste... Teresa foi companheira, amiga, pensadora. Pensava só para ela, a maioria das vezes. Indignava-se, sofria em silêncio com o infortúnio dos outros. Mas acima de tudo amava a vida. A vida tal como ela é, não a vida transformada por nós, pelos nossos caprichos, egoísmos, ilusões. A vida por si só, a dádiva de viver era para Teresa isso mesmo. Uma dádiva. Talvez tenha sido isso que aprendeu com as pessoas mais humildes que conheceu e que à sua maneira amou. Amou não por serem humildes, qualidade essencial para Teresa, mas por conseguirem ver sempre o lado bom. “o copo está meio cheio, não meio vazio”, dizia. Aprendeu isso com essas pessoas e nunca se esqueceu. Ter-se-à esquecido algumas vezes, talvez. Numa fúria, num momento menos bom – teve alguns, a Teresa – mas no íntimo ela lembrava-se. Acima de tudo sabia que no mundo há sempre alguém mais infeliz que nós, por muita infelicidade que sintamos. “E devo ficar menos infeliz por isso?” perguntava a si mesma. Sabia a resposta, mas ainda assim perguntava. Porque sabia que a infelicidade dos outros nunca a faria menos infeliz, porque sabia que os problemas dos outros eram os dos outros e os dela os dela, porque apesar de amar as pessoas não podia pensar só nos outros, por muito que tentasse. E Teresa tentou, tentou tantas vezes e ficou até ao fim sem saber se teria valido a pena. Não por ela, pelos outros. E por ela também, todos pensamos em nós mesmos de vez em quando, não é verdade?
Excerto de algo que li...
Hoje rezo pelo Gil, diz o meu calendário do Advento. Rezo por ti, hoje não te vimos, não te ouvimos como costuma ser hábito nas nossas reuniões. Fizeste falta, claro. Rezo para que faças boa viagem, rezo pelo teu dia de amanhã e pelos próximos, até nos reencontrarmos, e depois rezarei de novo. Sempre. Rezo por nós todos, porque somos fantásticos, rezo pelas nossas partilhas, para que nunca acabem. Rezo por ti especialmente, ao som do CD que a Bébé ofereceu, e porque o calendário que a Joana ofereceu assim o estipulava. Mas não é só por isso. É também por seres quem és, é também porque é bom ter o que nós temos. Rezo para agradecer a oportunidade que temos de, pelo menos uma vez por mês, podermos rezar em conjunto por nós todos. E rezando vou-me sentindo abensoada. Ámen...